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Crítica | Veep volta indecisa, mas extremamente afiada na 6ª temporada

Veep estreou em 2012 no meio da era Obama e focada no segundo escalão da política através da personagem de Selina Meyer, a vice-presidente que, claramente despreparada para a função que ocupava, traçava uma trajetória política errática e extremamente divertida de acompanhar.

Mas com a vitória de Trump, a série atingiu um status inusitado onde a realidade é ainda mais bizarra e absurda que a atração criada por Armando Ianucci. É por isso, talvez, que situada um ano após os eventos do 5º ano, a série esteja numa espécie de “limbo” político, com seus realizadores tentando encontrar o tom a seguir.

Afiada como nunca, Julia Louis-Dreyfus já interpreta a personagem com uma segurança absoluta, destilando comentários que ultrapassam a vertente mais liberal do politicamente incorreto e causando aquele misto único de graça e choque pelo que está sendo dito ou representado. Nesse sentido, o personagem Jonah (Timothy Simons), também rouba parte dos holofotes.

Mas há algo off, pelo menos nesse episódio de estreia de Veeo. Sem um palanque, afinal Selina Meyer agora cuida de uma fundação em seu nome cuja função primordial é viabilizar o próximo projeto da eterna candidata à presidência, ainda mais agora que ela teve um temporariamente limitado gostinho do poder.

Estranhamente ambientada em Nova York e com seus principais players espalhados por aí – Amy, Dan, Jonah, Mike, Kent e Ben -, esse 6×01: Omaha evidencia certo distanciamento político enquanto tenta decidir que rumo tomar. Assim, me questionei ao longo do episódio se veremos (e  se queremos ver) mais uma vez os bastidores e entremeios de uma campanha presidencial ou se a série inevitavelmente caminha rumo ao seu fim. Deveria, contudo, costurar uma aliança para retomá-la ao posto que ocupava e que dá título à produção.

Afinal, Veep é uma série sobre a vice-presidente dos EUA e é aí que residia parte da graça de sua premissa, pois relegava Selina e seu gabinete à eterna e indesejada posição em segundo plano do poder. Assim, ver a personagem fora de seu cargo habitual desperta às vezes mais pena do que graça e, com isso, a série perde uma grande oportunidade de rivalizar com os eventos que inevitavelmente estão acontecendo no mundo real, disputando, semana a semana, qual administração é capaz de mais atos de bizarrice.

Resta saber, assim, qual caminho essa inevitavelmente divertida série vai trilhar. Precisamos de Selina Meyer na política mais do que nunca.

Veep estreia neste domingo, 16 de abril às 23h30 na HBO e um novo episódio seguirá todas as semanas no mesmo horário. Os capítulos também estarão disponíveis na plataforma de streaming HBO GO para os assinantes.

Bruno Carvalho
é crítico e especialista em TV, tradutor, advogado e fã de séries desde que foi fisgado por Friends em 1994 e hoje é o editor-chefe do site de séries mais seguido do Brasil! Contato: contato@ligadoemserie.com.br
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Categorias: Críticas, HBO, Veep

Postado em: 16/04/2017 | 17:22