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The Leftovers: o 14 de outubro e outras profecias do fim do mundo

Seguindo no clima da expectativa para a estreia da terceira e última temporada de The Leftovers, que volta hoje, 16 de abril às 22h na HBO Brasil, vamos fazer uma retrospectiva das muitas datas previstas para o apocalipse e que (obviamente) não se concretizaram.

Na lista a seguir, você também saberá o está por vir segundo os profetas do juízo final, tal como veremos na série já no capítulo de estreia:

14 de outubro

Na série original da HBO de Damon Lindelof (LOST) e Tom Perrotta, o dia 14 de outubro é o divisor de águas no mundo e na vida de Kevin Garvey (Justin Theroux), Nora Durst (Carry Coon), dos Remanescentes Culpados e de mais 98% da população que ficou “para trás”.

Por enquanto, tal como o 14 de outubro, todas as datas abaixo permanecem na ficção. O que disseram os profetas do apocalipse?

389 a.C

As primeiras profecias do fim do mundo de que se tem notícia surgiram na Roma Antiga. Perto d 634 a.C., um rumor foi espalhado de que 12 águias anunciariam que a capital seria destruída quando completasse 120 anos de criação. Parece absurdo, não? A ideia causou pânico na população, que acreditava que o fim de Roma levaria ao fim do mundo. Existe também o registro de que o ano de 389 a.C. foi dado como a data para o declínio do Império Romano e o consequente fim dos tempos. Mas a queda se deu somente em 476 d.C e, bom… Cá estamos.

79 d.C.

A era cristã ainda estava no começo quando atribuiu-se ao filósofo romano Sêneca a previsão de que a Terra seria coberta por cinzas. Bom, o planeta todo não queimou, mas a erupção do Vesúvio no ano de 79 foi responsável pela destruição completa das cidades de Pompeia e Herculano, fazendo com que muita gente acreditasse que o fim de fato estava próximo. Mas o próprio Sêneca não viu a profecia ameaçar se cumprir: ele morreu alguns anos antes, em 65.

999

Apesar de ser visto como o “número da besta” invertido, 999 foi considerado o ano do fim do mundo devido a interpretação da Bíblia sobre o Dia do Juízo Final: ele aconteceria mil anos após o nascimento de Jesus Cristo. Tudo ficou do jeito que estava na temida data, então, passou-se a acreditar que a contagem dos mil anos deveria ser feita não a partir do nascimento, mas, sim, da morte de Cristo. Só que 1033 chegou e, de novo, nada aconteceu.

1843-1844

Interpretações errôneas da Bíblia levaram a diversas outras previsões equivocadas para o apocalipse. Em 1840, o fazendeiro norte-americano William Miller alardeou que grandes catástrofes ocorreriam na Terra entre 21 de Março de 1843 e 21 de Março de 1844. Miller acreditava tanto nessa teoria que conseguiu reunir milhares de seguidores. Mas ele começou a ser abandonado quando as pessoas perceberam que o tempo estava passando e nada acontecia. Ainda assim, Miller insistiu que a segunda vinda de Jesus Cristo ocorreria em 22 de outubro de 1844, que acabou sendo conhecido como “Dia do Grande Desapontamento”. A partir de então, os dissidentes de Miller decidiram voltar a estudar a Bíblia e criaram a Igreja Adventista do Sétimo Dia, que tem como uma de suas crenças a nova vinda de Cristo depois do “tempo do fim”, sem data marcada.

1910

O Cometa Halley foi observado pela primeira vez em 240 a.C., mas passou a ser visto como um possível mensageiro do apocalipse somente na aparição de 1910. À época, astrônomos do Observatório de Harvard, nos Estados Unidos, notaram que a cauda do cometa poderia conter cianogênio, um gás tóxico. Justo naquele ano, a passagem de Halley foi mais próxima da Terra do que o de costume.

A repercussão das declarações dos cientistas na imprensa levou ao pânico com a possibilidade aventada de que o gás contaminaria a nossa atmosfera. Os astrônomos esclareceram que não corríamos esse perigo, mas não impediram que oportunistas de plantão criassem toda sorte de produtos, como máscaras e antídotos, para lucrar em cima dos mais ingênuos.

A lição foi aprendida e, em 1986, quando Halley voltou, o cometa foi bem recebido pela comunidade científica e por curiosos. Mas, infelizmente, sua observação foi dificultada pela distância maior com que passou da Terra e pela poluição atmosférica. Em 28 de julho de 2061 teremos uma nova chance de ver Halley – isso se o mundo não acabar antes, é claro.

1997

Outro cometa esteve no centro de um possível cataclisma. Marshall Applewhite, líder da seita Heaven’s Gate, afirmava que uma nave espacial viajava atrás do cometa Hale-Bopp, que passou próximo da Terra em 1997. Aos seus seguidores, Applewhite dizia ter informações privilegiadas e que a NASA se recusava a divulgar: a tal nave levaria quem embarcasse nela a um lugar onde seria possível conhecer outro nível da existência humana, longe da Terra, que estaria prestes a ser destruída em um processo de “purificação”.

Mas não dava para simplesmente esperar a nave pousar na Terra e abrir as portas. A tragédia estava na alegação de Applewhite de que somente as almas de seus seguidores poderiam ser salvas. Resultado: em 26 de março daquele ano, o líder da Heaven’s Gate e mais 38 pessoas se mataram na crença de que seriam resgatados por extraterrestres.

Detalhe: o cometa atingiu o periélio (isto é, o momento em que se tornou mais visível no céu, devido a sua maior proximidade do Sol) no dia 1º de abril.

1999

As profecias de Nostradamus davam conta de que o fim do mundo ocorreria em julho de 1999, quando “um grande rei do terror” desceria do céu. Naquele ano, também surgiram religiosos como o pastor Edward Dobson, que chegou a publicar um livro sobre o retorno de Cristo. Mas o que realmente deixou as pessoas apreensivas foi a virada para o ano 2000, quando poderia ocorrer o chamado “bug do milênio”.

A explicação é que os softwares de antigos sistemas de computador não haviam sido escritos levando em conta os dois algarismos iniciais do ano no campo de data. Sendo assim, quando viesse a badalada da meia-noite, “99” viraria “00” e as máquinas reiniciariam a contagem do tempo.

O equívoco, especulava-se, poderia levar bancos, instalações militares e até mesmo usinas nucleares a uma grande pane. De fato, alguns sistemas “burros” enfrentaram problemas, mas nada em grande escala. Afinal, o problema foi identificado em 1970 e houve tempo suficiente para programar as atualizações necessárias.

2008

Ao longo dos séculos, vários e vários religiosos pregaram o fim do mundo, mas poucos foram convincentes em suas teorias ou se levaram tão a sério a ponto de ganharem destaque na mídia. Ronald Weinland, pastor da Igreja de Deus, é um desses que conseguiu o feito de chamar a atenção das pessoas.

Em 2006, ele publicou o livro “2008: God’s Final Witness” (“2008: A Última Testemunha de Deus”), em que narrava como se daria a extinção da raça humana. Autoproclamado “porta-voz de Deus” e “testemunha da Revelação”, ele afirmava que o mundo atravessaria uma “nova era das trevas” durante um período de dois anos e que os Estados Unidos entrariam em colapso, provocando uma profunda desestabilização na ordem mundial.

Segundo a profecia de Weinland, Cristo retornaria exatamente no dia 30 de setembro de 2008, mas o próprio pastor revisou o cálculo e adiou a volta do “Salvador” para 27 de maio de 2012. Nada aconteceu e Weinland deu uma nova data: 19 de maio de 2013. E assim ele faz desde então, projetando infinitamente a segunda vinda de Cristo. A mais nova previsão é para 8 de junho de 2019. O mais curioso neste caso é que Weiland não parece nem mesmo preocupado em se basear em estudos bíblicos: ele simplesmente supõe datas e diz que assim será.

2012

Esta é certamente a profecia recente que mais causou alardes no mundo. Supostamente, o calendário Maia estabelecia 2012 como o ano em que eventos catastróficos em série ocorreriam no planeta: quedas de meteoros, terremotos, tsunamis, tornados, tempestades solares etc. Havia até uma data específica: 21 de dezembro. Chegou-se ao ponto de a NASA intervir e publicar um vídeo explicando que o calendário Maia foi mal interpretado.

John Carlson, diretor do centro para a arqueoastronomia da agência espacial norte-americana, estudou a profecia por 35 anos e assegurou às pessoas que não existem evidências de que os maias profetizaram a destruição da Terra. De acordo com ele, tudo não passava de um cálculo que colocava 21 de dezembro de 2012 como o início de um novo ciclo. É que os maias mediam o tempo em 13 blocos, chamados “baktun”. E o que ocorreu em 2012 foi simplesmente o fim desse período de 13 “baktuns” e o início de outro.

2017

E chegamos aos dias atuais. Nós tivemos a primeira notícia falsa sobre o fim do mundo há alguns meses, quando tablóides britânicos (sempre eles) disseram que um tal Dyomin Damir Zakharovich, supostamente um astrônomo russo, afirmou que um asteróide recém-descoberto se chocaria com a Terra no dia 16 de fevereiro (curiosamente 2 meses antes da estreia da 3ª e última The Leftovers, hein?).

Mas Zakharovich aparentemente sequer existe. O único fundo de verdade na “notícia” é que um grande asteróide de fato foi descoberto no Sistema Solar pela NASA, em novembro passado. Contudo, a agência garante que ele não oferece riscos ao planeta por estar muito longe de nós, algo em torno de 132 vezes a distância entre a Terra e a Lua.

Mal saímos de uma teoria (no caso acima, uma lorota) apocalíptica e já estamos em outra, pois existe a previsão de que conheceremos o fim do mundo em 21 de agosto próximo, quando ocorrerá um eclipse solar – o primeiro, em mais de 100 anos, a percorrer toda a extensão das Américas, de costa a costa.

O fenômeno é tido como prenúncio do apocalipse segundo profecia do apóstolo João na Bíblia, que metaforicamente descreve o eclipse como “uma mulher vestida de Sol, grávida e que está sobre a Lua”. O texto continua, dizendo que “a criança, ao nascer, ascenderá aos céus e os anjos destruirão o monstro” que deseja matá-la.

As profecias de Nostradamus, provavelmente baseadas no livro do Apocalipse, também citam um longo eclipse solar e o surgimento de um monstro como sinal do fim dos tempos. Porém, há quem diga que Nostradamus se refere ao eclipse total previsto para 2 de julho de 2019, que deverá durar ainda mais que o eclipse que veremos daqui a alguns meses.

3013

Para finalizar, caso a gente sobreviva a dois eclipses solares e mais tantas outras teorias e profecias que certamente ainda virão, a expectativa é que a Terra dure menos de mil anos.

Isso de acordo com ninguém menos que o renomado físico teórico e cosmólogo Stephen Hawking. Em 10 de abril de 2013, ele deu uma entrevista ao jornal L.A. Times em que afirmou que o planeta não aguentará mais um milênio, sendo tão frágil perante as intervenções humanas na natureza. Ele argumentou ainda que os cientistas e os governos precisam continuar a explorar o espaço a fim de descobrirem um novo lar para a nossa espécie viver.

Faz sentido, não? Veremos se o Pastor Matt Jamison terá alguma profecia para o fim do mundo na 3ª temporada de The Leftovers a partir do dia 16 de abril às 22h na HBO. Todos os episódios estarão simultaneamente disponíveis na HBO GO, assim como as duas primeiras temporadas para quem quiser se atualizar.


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Renato Silveira
é jornalista e crítico de cinema, autor do blog Cinematório. Integra a equipe de Jornalismo da Rádio Inconfidência, onde também apresenta o programa Cinefonia. Trabalhou como redator-chefe e editor-chefe do portal Cinema em Cena, onde também apresentou e produziu o podcast semanal do portal.
http://www.cinematorio.com.br

Postado em: 16/04/2017 | 15:01