FOTO: REPRODUçãO

Por: Bruno Carvalho

Falling Skies

Foi-se o tempo em que a presença da marca “Spielberg” era sinônimo de qualidade em alguma produção e Falling Skies, o novo drama da TNT americana, já nasce como uma das maiores manchas da carreira do produtor. Tendo início após a invasão do planeta por seres alienígenas – fato apresentado de forma econômica através de desenhos feitos por crianças – a série pretende contar a história de um grupo de resistência chamado 2nd Mass (que é uma referencia a uma infantaria da guerra civil americana) liderado pelo professor de história e pai de família Tom, interpretado por Noah Wyle (ER) atuando no automático.

E o primeiro problema desta chamada “superprodução” começa em seus efeitos especiais pedestres e com cara de inacabados, introduzindo já nas primeiras cenas criaturas que soam demasiadamente falsas e que, a cada aparição, lembram o espectador que ele está vendo algo computadorizado e que jamais consegue se integrar àquela realidade (ao contrário dos aliens vistos na produção independente Distrito 9, por exemplo). Além disso há uma notória falta de inventividade no visual poluído dos ETs que se alternam entre uma espécie de inseto com 6 patas e robôs estilo Cylon que mais parecem saídos de um game datado.

Mas a parte técnica da série seria até perdoável (como acontece na própria Battlestar Galactica) se houvesse uma eficiente condução da história pelo diretor Carl Franklin no cansativo piloto de 2 horas. E não há. O que vemos é um drama extremamente mal ambientado, que em nenhum momento consegue transmitir em tela uma sensação de real perigo e, o que é pior, jamais introduz um objetivo claro à história. As cenas parecem jogadas de forma aleatória pelos montadores, alternando momentos em que utilizam o cachorro da família de protagonistas como isca para os ETs (!) e outros com cenas protagonizadas por crianças andando de skate e jogando bola ao som de uma óbvia e invasiva trilha-sonora de guerra.

Pra piorar, a segunda metade do piloto gasta o precioso tempo que deveria ser utilizado para apresentar os personagens e o verdadeiro conflito da série numa trama dispensável envolvendo um grupo de saqueadores de armas e comida. O mais curioso é que os tais aliens, que sempre são mostrados distantes ao fundo com suas naves, aparecem em determinado momento justamente para matar os tais saqueadores (numa explosão típica de novela das 7) e “deixam” todo o grupo de resistência – que se encontrava no mesmo local – são e salvo. E ironicamente os ETs capazes de exterminar e colonizar a Terra são incapazes de localizar um grupo de resistentes que anda a céu aberto, pouco armado e sem comida a poucas milhas da base-mãe. Falling Skies é uma bagunça do início ao fim: é pouco objetiva, prosaica, sem qualquer densidade dramática, propondo apenas a exaltar um patriotismo besta de supermercado. Começamos muito mal esta Summer Season.

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