FOTO: REPRODUçãO

Por: Bruno Carvalho

The Newsroom

[com spoilers do episódio 1×01] Diferente do que acontece no Brasil, o noticiário de qualidade e alcance nacional nos EUA é feito majoritariamente em canais da TV a cabo (como CNN, FOX News, MSNBC, ABC News etc.) com âncoras que tem total controle editorial de seus programas e que refletem em suas opiniões a polarização política flagrante naquele país. Tomar partido lá, então, não é algo apenas comum, mas esperado pelo público, já que o americano quer ver espelhado na tela aquilo que ele acredita e concorda, sem ser questionado (ou sem ter suas convicções abaladas por uma opinião diferente). E é esse mundinho que The Newsroom, a nova série do sempre competente Aaron Sorkin (The West Wing, Studio 60 on the Sunset Strip), vai abordar. Will McAvoy (Jeff Daniels, excelente) é um âncora que vai numa direção oposta dos demais. Ele é certeiro, polêmico, mas trabalha sem vestir uma bandeira política (ou, como a série diz, sem “irritar” um dos lados). Mas após um debate numa faculdade onde o resignado e notadamente cansado jornalista é questionado sobre os motivos pelos quais a “América” é o maior país do mundo, o sujeito presta uma declaração realista, sincera e dura para a maioria cega e idealista. Isso acaba fazendo-o tirar férias forçadas para então retornar e encontrar quase toda a sua equipe migrando para a redação de um novo programa jornalístico que estreará na mesma emissora.

Nesse contexto, Will precisa restabelecer seu time de repórteres enquanto é obrigado a aceitar a contratação de uma nova produtora executiva, McKenzie McHale (Emily Mortimer), um antigo caso amoroso que ele obviamente não superou. Acertadamente, The Newsroom estabelece a sua narrativa no ano de 2010, bem no início da parte mais acirrada da campanha política presidencial americana (já que as eleições ocorrem neste ano de 2012). Desta forma, os roteiristas aproveitam os fatos que já ocorreram para construir interessantes histórias em volta, como no caso do derramamento de óleo da empresa BP no golfo do México, aqui explorada quando a notícia ainda era tratada como uma mera busca de trabalhadores da companhia após um acidente. Mas mais do que isso, o drama provou ser irrepreensível também em aspectos fáticos. Note por exemplo que, quando a data em que se passa o episódio é mostrada na tela – 20 de Abril de 2010 – logo em seguida podemos ver chuva do lado de fora do prédio do canal ACN News. E realmente choveu naquele dia em Nova York, segundo os registros metereológicos. Além disso, a série faz diversas críticas ao sistema noticiário dos EUA seja ao mostrar editores e produtores ignorando a apuração de um enorme desastre ecológico em potencial apenas porque o software da redação classificava o report como “amarelo” (em vez de vermelho) ou quando, mais tarde, o mesmo editor reconhece que o approach do novo time em investir na notícia estava certo. A maioria dos noticiários concorrentes abriu com matérias de um protótipo de iPhone perdido num bar (o que, mais uma vez, realmente ocorreu naquele mesmo dia 20/04/2010).

O cenário de The Newsroom é uma redação em 360º, o que oferece um grande obstáculo técnico (repare que a câmera circula o tempo todo sem exibir a parte que deve ficar fora de quadro), denotando não apenas o capricho estético do design de produção como também o esmeiro de seus realizadores em incorporar o dinamismo necessário para uma redação na própria linguagem da série. Os diálogos são aqueles já característicos do texto de Sorkin: rápidos, inteligentes e sempre relevantes, seja quando está discutindo política ou falando de um mero romance de escritório. Aliás, o episódio de abertura termina com uma ótima cena justamente sobre isso. Ainda que de certa forma idealizando e romantizando o “fazer” da notícia, The Newsroom estreia com um dos melhores episódios pilotos que vi em muito tempo saindo da TV americana e, especialmente, da HBO. Seus longos 74 minutos passam voando graças não apenas à competência e agilidade do texto, como também pelas ótimas interpretações de todo o elenco. A série estreia esta noite na HBO americana e deve chegar por aqui em breve pela HBO Brasil.

P.S.: Viram que Jesse Eisenberg (A Rede Social) faz uma ponta no piloto? Conseguem achá-lo?

11 respostas para “The Newsroom”

  1. Marcos disse:

    Droga. Onde é que estava o Eisenberg que não achei?

  2. Miguel Bento disse:

    Não está, ele só dá voz… é o Eric Neal, o inspector que fala ao telefone com o jornalista em directo. :)

  3. DouglasL... disse:

    Poxa depois de ler isso me interessei, vou baixar e assistir essa ótima série!

  4. Pietro Costa disse:

    Aaron Sorkin De volta excelente!
    Simplesmente excelente esse episodio , e como esta na HBO as chances de ser cancelada como “Studio 60” sao bem menores…
    Que continue sempre assim!

  5. Awesome! Uma das melhores series desde muito tempo hein

  6. A única coisa que não gostei foi daquela câmera correndo atrás dos atores ao telefone…pretensiosa agilidade…o resto é sensacional.

  7. Igor disse:

    Essa câmera ágil faz parte do estilo do Sorkins, assim como plogées fazem parte do estilo do Tarantino.

  8. Johnathan disse:

    Foi lindo ver esse episódio.. Confesso que estava com saudade de ver séries com a grandeza e uma boa história como essa..
    Gosto de comédias e séries como Fringe entre outras, mas um bom drama, estava dificil ultimamente.
    Impossível não continuar vendo.
    Nunca vi 1h12min passar tão rápido.

  9. Dani Libanio disse:

    Sabe aquele tipo de droga q te vicia no primeiro uso?
    pois é…. Newsroom foi assim pra mim (no bom sentido…hehe)
    =p

  10. Juliana disse:

    É boa a série, mas tem muitos elementos fantasiosos, como por exemplo, o jornalista-ainda-não-contratado levar o jornal ao furo…tem algo de exagerado nessas coisas que brigam um pouco com o modelo fidedigno de telejornal que eles tentam passar. Acho que tem potencial, mas eles deveriam tomar cuidado com essas coisas.

  11. Lana disse:

    Maravilha!! Nossa eu adoro séries que envolvem
    drama e comédia como The
    Newsroom
    , protagonizada pelo talentoso Jeff
    Daniels e com diálogos
    rápidos e geniais do premiado Aaron Sorkin. Estou ansiosa pela estréia.

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