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Por: Davi Garcia

A primeira temporada de House of Cards

Série da Netflix é excelente pedida para quem gosta de thrillers

House of Cards Netflix[Este texto NÃO revela detalhes da trama] Se Patty Hewes (Damages) e Walter White (Breaking Bad) tivessem um filho, ele se chamaria Frank Underwood, protagonista do thriller político House of Cards, disponível no serviço de streaming, Netflix. Quando a série começa e Frank (Kevin Spacey, excelente no papel) quebra a quarta parede na 1ª cena, passamos a conhecer um congressista extremamente prático, frio e calculista e que segue um código moral muito particular usado para manipular tudo e todos ao seu redor. Surpreendido por um revés quando a história tem início às vésperas da posse do novo presidente eleito, Frank, que é líder do partido democrata no congresso, passa a articular uma série de iniciativas que visam ampliar não só a sua esfera de influência, mas que, principalmente, ajudem a criar as circunstâncias que lhe deem mais poder.

House of Cards Netflix - bad for the greater good

Girando em torno dos bastidores da política de Washington (e de toda relação conflituosa que envolve o poder executivo e legislativo com lobistas e afins), House of Cards é repleta de personagens ambíguos e que, em maior ou menor escala, não hesitam em tomar ações questionáveis para obter alguma vantagem quer seja em função do cargo que exercem; do acesso privilegiado que tem ou de um objetivo tão trivial quanto “subir na carreira”. Um quadro que fica evidente, por exemplo, já ao longo dos primeiros episódios quando Frank conhece a jornalista novata Zoe Barns (Kate Mara) a quem passa a fornecer informações que dão a ela grande exposição ao mesmo tempo em que o auxiliam a atingir sua agenda: derrubar oponentes e converter algum cenário específico a seu favor.

House of Cards Netflix large

Produzida pelo renomado David Fincher (que inclusive dirigiu os 2 primeiros episódios) e adaptada por Beau Willimon (vencedor do indicado ao Oscar 2012 pelo roteiro de Ides of MarchTudo pelo Poder) a partir de um romance e uma minissérie homônima da BBC na década de 90, a série do Netflix explora vários aspectos que envolvem o jogo de Washington e o preço que ele cobra daqueles que se propõem a disputá-lo. Com subtramas que, salvo raros momentos, jamais parecem desconexas do núcleo central, House of Cards tem nas performances vibrantes de seus atores mais do que no próprio texto, o seu ponto mais forte. Noção que fica clara, por exemplo, quando se analisa a trajetória de Peter Russo (Corey Stoll), deputado que se torna refém e importante peça da rede de interesses de Frank por conta de indiscrições e vícios e até mesmo quando consideramos a curiosa relação entre o protagonista da série e sua esposa, Claire (Robin Wright), que em muitos aspectos, dada a frieza e a formalidade dos dois, acaba parecendo mais uma parceria de negócios do que um matrimônio efetivamente.

Somado a isso, a série conta com fotografia marcada por uma paleta quase sempre fria e um design de produção que valoriza ambientes sombrios (principalmente na casa de Frank, vale notar) e que por si só ajudam a reforçar o aspecto obscuro dos personagens, de suas ações e das relações que se formam à medida em que a trama evolui. Beneficiando-se ainda da equilibrada quebra da quarta parede através de Frank, House of Cards evita a armadilha de transformar o artifício em algo invasivo (como ocorria frequentemente, por exemplo, na 1ª temporada de House of Lies) e usa-o muito mais como um elemento que ajuda a criar identificação do espectador com o protagonista, de quem nos tornamos não só críticos, mas sobretudo cúmplices.

5star

A temporada de estreia de House of Cards (com 13 episódios) foi lançada integralmente no dia 1 de fevereiro pelo Netflix e a 2ª temporada (com mais 13 episódios) já está confirmada pelo serviço de streaming que deve disponibilizá-la no próximo ano.

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