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Por: André Costa

Brooklyn Nine-Nine: Thanksgiving

Episódio dá alguns tropeços, mas continua divertido

b99

Assim como aconteceu em Halloween, episódio que foi ao ar na semana de (adivinhem) Halloween, este Thanksgiving se prende à pauta do momento – no caso, a noite onde todos agradecem pelas bençãos e correm para aproveitar os descontos da Black Friday. E também aqui a série resolve trabalhar com tramas já utilizadas à exaustão, como o sujeito que odeia o feriado ou a janta que dá monumentalmente errado. Apesar disso, Brooklyn Nine-Nine se mantém inspirada o suficiente para entregar algumas risadas e bastante diversão.

Para começo de conversa, aquela sequência pré-créditos de abertura é o exemplo definitivo sobre a forma eficiente com que a série usa sua linguagem: uma montagem tensa, ágil, com a câmera na mão, acompanhando o desenrolar de uma situação repleta de ação e que culmina em um obstáculo completamente cotidiano e surpreendente (e mesmo que estejamos esperando a surpresa – afinal, é uma comédia -, a simplicidade do momento desarma qualquer desfecho que poderíamos imaginar). Cena que solidifica o fato de que Brooklyn Nine-Nine chegou no momento onde tem um domínio completo – praticamente um regime totalitário – sobre a sua narrativa.

Além disso, mesmo que a trama do jantar que resulta em um fracasso bíblico já esteja batida pacas, a série consegue servir junto vários ótimos momentos explorando bem a personalidade de suas personagens, que gradualmente vão construindo situações de pura insanidade. Assim, temos Charles novamente misturando sua falta de noção com sua persona nerd (“eu sou o clássico sujeito que gosta de agradar os outros. Tenho problemas. Mas sério, o jantar estava ótimo“), Rosa em êxtase total com a possibilidade de algo dar errado (“e o pior da noite fica ainda melhor“) e Terry completamente alucinado atrás de comida, tornando um simples “Cinco minutos, Boyle!” um diálogo epicamente hilário. Pena que Santiago acabe sendo o mais puro tédio vestindo uma roupa bonita e cabelos alisados, mas a dinâmica do resto do elenco compensa (destaque mais uma vez, e isso já está ficando chato, para o histérico Terry Crews).

Por outro lado, a investigação envolvendo Jake e o capitão Holt soa extremamente arrastada, pouco inspirada, permitindo que a verborragia de Jake e o overacting de Andy Samberg cheguem a um nível um pouco incômodos, ainda que consiga tirar uma ou outra risada da cartola (principalmente com a questão do jogo de futebol. Aliás, a série tem um timing digno de prêmio Nobel no que diz respeito a repetir uma situação até que ela se torne engraçada). O que é uma pena, já que a diferença de personalidade entre o detetive com um sorriso maior do que o do Coringa e o capitão seriedade poderia ter rendido ótimas piadas (como já aconteceu em episódios anteriores). Felizmente, o saldo final é mais positivo do que negativo, e o fato de que nem a previsível redenção do cara que odeia feriados estraga o clima divertido e alegre no final só mostra uma coisa: além de engraçadas, divertidas e malucas, as personagens de Brooklyn Nine-Nine estão cada vez mais cativantes.

3star

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