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Por: Bruno Carvalho

As 10 melhores séries de 2013

thegoodwife

Virou uma tradição aqui no Ligado em Série um compilado com os destaques do ano. 2013 sofreu com o fim de muitas séries boas e com as ausências de SherlockEpisodes e Louie, que não exibiram nenhum capítulo inédito no ano. Com uma Fall Season em que pouca coisa sobrou ou se destacou, não deu pra salvar muita coisa.

Como toda lista, vale apontar que ela apresenta limitações. Eu não assisti a todas as séries de 2013, nem acompanho todas as produções lançadas comercialmente por canais do mundo todo (estou atrasado com Sons of AnarchyJustified, Boardwalk EmpireMasters of Sex Doctor Who por exemplo, então sim, muita coisa ficou mesmo de fora). Além disso, o top é uma opinião pessoal (se você chegou agora a este site, saiba que este sempre foi um veículo que publica as opiniões de seus editores) e não tem a pretensão de impor nada a ninguém.

Estas abaixo foram para mim as 10 melhores séries de 2013 em ordem de preferência. Apresento também alguns destaques positivos e outros negativos do ano. Os textos podem conter spoilers para quem não está em dia com as produções mencionadas.

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The Killing ressurgiu do cancelamento para apresentar o primeiro caso inédito após Linden e Holder solucionarem o homicício de Rosie Larsen. Envolvente, intrigante e com um desfecho impactante, a terceira temporada teve como foco as atuações dignas de prêmios de Mireile Enos, Joel Kinnaman e, especialmente, de Peter Sasgaard – dono da cena mais forte do ano. Aprendendo com erros passados, a série se aperfeiçoou e apresentou uma trama concisa, objetiva – sem nunca perder seu foco e enganar o espectador de forma barata – como é comum em séries de investigação (e como já aconteceu antes na série). O ano para The Killing foi tão bom, que mesmo cancelada pela segunda vez pelo canal AMC, a produção ganhou sobrevida na Netflix, que veicula a série com exclusividade no Brasil.

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Em 2013 pouco ou quase nada se falou de Hello Ladies, a única série nova do Fall Season digna de estrelar este top 10 e uma das melhores surpresas do ano em termos cômicos. Stephen Merchant (Extras) criou, roteirizou e estrelou na HBO uma produção singela que conta a história de um webdesigner de Los Angeles e sua “entourage de losers” na busca incansável pela mulher de seus sonhos nos glamurosos arredores de Hollywood. A primeira temporada é redondinha e prova que o showrunner sabe contar uma boa história, desenvolvendo bem todas as personagens e criando até mesmo um arco narrativo admirável para o misógino e atrapalhado protagonista que interpreta. Espero que seja logo renovada. No Brasil a série foi exibida pela HBO Plus.

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Ainda no quesito “boas surpesas”, nos hospedamos este ano no Bates Motel de Carlton Cuse (LOST) e Kerry Ehrin (Friday Night Lights). A série, que ao mesmo tempo é uma releitura moderna e um prequel de Psycho (Psicose), filme de Alfred Hitchcock, arrebatou a atenção como um drama intenso, inteligente e repleto de personagens interessantes. O destaque, claro, foi para a composição de Norman e Norma Bates por Freddie Highmore e Vera Farmiga, respectivamente, com suas personalidades complexas, codependentes e cheias de ambiguidade. O que poderia facilmente virar um caça-níquel, acabou sendo uma produção que, além de respeitar a obra original (vide o design que constantemente remete ao filme, trilha envolvente e montagem ágil), certamente merece entrar no calendário anual de todos os fãs de boas séries. Bates Motel já foi renovada para a segunda temporada e no Brasil é exibida pelo canal Universal.

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2013 colocou a versátil e talentosa Tatiana Maslany no mapa, assim como Orphan Black, produção canadense do canal Space que ganhou o mundo após ser distribuída pelo grupo BBC. Além de uma ótima premissa, que tem início quando a jovem Sarah Manning descobre que possui vários clones e é vítima de um experimento científico de grande escala, a série ainda discute com propriedade as questões éticas, legais e morais envolvendo a clonagem e como ela poderia afetar, na prática, indivíduos como eu e você. E justamente ao trazer a ficção científica para um plano quase real – o que é auxiliado pelos efeitos visuais impecáveis (ainda mais para uma série de baixo orçamento) – combinada com ação de qualidade, Orphan Black se destacou em meio a tantas séries já consagradas da TV mundial. No Brasil, será exibida pela BBC HD em 2014.

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The Newsroom é Aaron Sorkin em sua melhor forma: falando de política, notícias e relacionamentos interpessoais numa narrativa intrincada. Aliás, a ambição do roteiro da segunda temporada (infalivelmente superior à primeira) – contando a história com idas e vindas temporais e utilizando como pano de fundo grandes acontecimentos mundiais passados – é digna de aplausos não só pela forma, como também pelo conteúdo. O showrunner “brinca” com palavras e comanda os talentosos intérpretes (mais uma vez destaque para Emily Mortimer e Jeff Daniels) como se estes fossem uma extensão orgânica de seu ágil e afiado texto, rotineiramente carregado de mensagens político-sociais válidas num mundo cada vez mais conservador e intolerante. É uma pena que até agora a HBO não confirmou oficialmente a volta da série para o seu terceiro ano.

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Mad Men dificilmente será uma série acessível ao grande público cada vez mais hipnotizado por idiotices que Chuck Lorre, Ryan Murphy e cia vomitam no mundo televisivo todos os anos. Em vez disso, Matthew Weiner continua provando-se como um showrunner com total e completo controle sobre a sua obra e convicto sobre a história que quer contar. Na sexta temporada ele levou Mad Men mais próximo de um inevitável e próximo desfecho à medida em que a década de 60 foi chegando ao fim. E assim como Sorkin, Weiner utiliza o contexto histórico para costurar acontecimentos importantes na vida dos personagens em paralelo com acontecimentos marcantes como os assassinatos de Martin Luther King e John Kennedy, que impulsionaram importantes mudanças sociais de época. A sexta temporada foi, acima de tudo, um profundo estudo do personagem de Don Draper.

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No ano em que 30 Rock se despediu da TV e que marcou uma sensível falta de boas comédias no ar (salvo raras exceções como Arrested Development e parte da temporada de Parks and Recreation – e Community sem Dan Harmon não é Community), a Veep estrelada pela talentosíssima Julia Louis-Dreyfuss certamente merece os holofotes por ter construído uma das melhores temporadas em muitos anos. Detentora de um timing cômico impecável – tanto os roteiristas como os experientes intérpretes coadjuvantes (em especial Tony Hale), esta série definitivamente estabeleceu-se em 2013 como a melhor comédia no ar com um humor que ultrapassa os limites do nonsense e do politicamente incorreto sem apelações e, ao mesmo tempo, fazendo uma crítica pungente à política de forma geral.

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Ah, em 2013 poucas coisas foram tão saborosas na TV como apreciar Hannibal (com o perdão do trocadilho). É notável que a NBC teve a coragem de exibir, manter e renovar uma produção tão psicologicamente complexa (e perturbada) como este prequel de Silence of the Lambs (O Silêncio dos Inocentes) Red Dragon (Dragão Vermelho). Além disso, ao trazer um antagonista e um protagonista com sérios problemas psíquicos – Dr. Hannibal Lecter e Dr. Will Graham -, a série abandonou convenções e tendências do gênero investigativo e realizou aquele que será lembrando como um dos marcos da década (anotem). Irrepreensível, ainda, sob o ponto de vista estético (com um design de produção original e visualmente carregado como a própria temática da série), Hannibal definitivamente foi a melhor novata do ano.

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Você é louco! Breaking Bad é a melhor e ponto! Esse blogue quer chamar atencão, só pode! Nunca mais acesso essa merda! Vocês morreram pra mim! Dracarys, cadê Game of Thrones?! Vocês odeiam Breaking Bad, seus bostas?” São os tipos de comentários que posso esperar por não ter colocado Breaking Bad em primeiro lugar no ranking de melhores séries de 2013. Mas Breaking Bad esteve muito nos topos dos últimos anos e é inevitável constatar que a série já atingiu seu ápice há duas ou três temporadas e agora caminhou para um desfecho que teve um gosto agridoce, justamente por termos que testemunhar o fim doloroso da história que tanto amamos. Não a coloco em segundo por qualquer demérito (e vocês não deviam se importar tanto com rankings e números). Vince Gilligan demonstrou com a segunda parte da quinta temporada (ou “temporada final”, como foi vendida) que ele continua sendo o mais competente showrunner da atualidade, capaz de conduzir e concluir satisfatoriamente a melhor série dos últimos anos. Não há nada ruim a se falar da última temporada de Breaking Bad. Foi incrível, foi perfeito e agradou a todos. Escrevemos sobre todos os episódios aqui. Ela só acabou em segundo lugar por uma questão meramente organizacional (e porque não posso colocar duas séries no topo). E eis abaixo o porque.

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Hoje em dia é raro que uma produção da rede aberta norte-americana tenha algo a acrescentar ao mundo em termos de narrativa televisiva, forma e estilo. Mas há anos também não vemos na chamada network television uma construção de episódios tão empolgante quanto à que tomou a primeira metade desta quinta temporada de The Good Wife (quem sabe desde os anos de ouro de LOST, talvez?). Além de ter veiculado o melhor episódio do ano, a série possui um inigualável esmero técnico e criativo com cada capítulo que exibe, cada participação especial e cada detalhe de sua trama.

Somando isso ao fato de que esta é, categoricamente, um procedural, o feito torna-se ainda mais notável, já que seus realizadores precisam construir – além do caso da semana – uma “sub” trama concisa de forma constante. Em 2013 The Good Wife atingiu o seu ápice em todos os aspectos e, por isso, é a minha série preferida do ano que passou. Se você assiste, provavelmente concordará. Se você não assiste, dê uma chance. Dificilmente vai se arrepender. Se não quer assistir, tente pelo menos considerar antes de correr para a caixa de comentários para xingar este autor.

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Menções Honrosas: O ano teve muita coisa boa que não dá pra resumir em 10 linhas do ranking. The Blacklist trouxe James Spader de volta com tudo (ele é levemente melhor que a série que estrela, que é muito boa), Arrested Development voltou (não como esperávamos, mas esse foi um feito e tanto), Orange is the New Black conquistou seu espaço. Gostei também das novatas Trophy Wife, The Crazy Ones e Brooklyn Nine-Nine, mas que ainda precisam melhorar para provar a que vieram. O casamento vermelho de Game of Thrones foi incrível, mas juro que o restante da temporada não me cativou assim (provavelmente o problema é comigo, pode xingar se for o caso).

Esse ano também Veronica MarsEntourage ganharam filme (o que por si só já vale, né?);

Menções Desonrosas: Dexter e aquele final absurdo. A mediana temporada de Homeland (que se recuperou somente ao final – mas o restante foi sofrível); The Walking Dead seguiu inconstante – com episódios excelentes misturados com outros bem ruins), fora as novidades que chegaram prometendo o mundo e não entregaram nada ao final das contas: Marvel’s Agents of SHIELD (começou bem e desandou), Dads (porr* Seth MacFarlane!), Hostages (porr*, CBS!), The Michael J. Fox Show (poXa, MJF!) e outras coisas dispensáveis da Fall Season.

Certamente deixei muita coisa de fora, seja de propósito, seja por esquecimento. Posso complementar ao longo dos dias – ou não. Novamente: trata-se de opinião pessoal e sem qualquer pretensão de impor nada a ninguém. Curta, não curta, concorde ou discorde. Convido a todos a postarem o seu top 10 e a escreverem seus argumentos sobre as melhores séries que assistiram no ano.

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