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Por: André Costa

Retrospectiva 2013: os melhores e piores filmes do ano

Oscars The Envelope

Final de ano tem duas coisas que todo mundo gosta: ceias fartas e listas. Assim, segue um apanhado de tudo que 2013 teve de bom e ruim nos cinemas – lembrando que a lista abrange os filmes lançados comercialmente no Brasil ao longo do ano (ou os que saíram lá fora e provavelmente jamais verão a luz do dia na terra do samba). Se algum ficou de fora por lapso de memória ou falta de oportunidade de assistir ao dito-cujo, fique à vontade para completar nos comentários. Confira então os destaques, as decepções, a surpresa e o top 3:

Os Destaques (sem ordem de preferência)

Seven Psychopaths (Sete Psicopatas e um Shih Tzu, Martin McDonagh) –  (4/5)
Wreck-It Ralph (Detona Ralph, Rich Moore) –  (5/5)
Amour (Amor, Michael Haneke) – (5/5)
Silver Linings Playbook (O Lado Bom da Vida, David O. Russel) – (4/5)
Django Unchained (Django Livre, Quentin Tarantino) – (5/5)
The Master (O Mestre, Paul Thomas Anderson) – (4/50
Beasts of the Southern Wild (Indomável Sonhadora, Benh Zeitlin) – (5/5)
Trance (Em Transe, Danny Boyle) – (4/5)
Dupa Dealuri (Além das Montanhas, Cristian Mungiu) – (5/5)
Le Prénom (Qual é o Nome do Bebê?, Alexandre de la Patellière e Matthieu Delaporte) – (4/5)
Star Trek Into Darkness (Além da Escuridão: Star Trek, J.J. Abrams) – (4/5)
Upstream Color (sem título nacional, Shane Carruth) – (5/5)
Side Effects (Terapia de Risco, Steven Soderbergh) – (4/5)
This is 40 (Bem Vindo aos 40, Judd Apatow) – (4/5)
Smashed (Smashed – De Volta à Realidade, James Ponsoldt) – (4/5)
The Place Beyond the Pines (O Lugar Onde Tudo Termina, Derek Cianfrance) – (4/5)
Mud (Amor Bandido, Jeff Nichols) – (4/5)
Killer Joe (Killer Joe – Matador de Aluguel, William Friedkin) – (4/5)
Capitain Phillips (Capitão Phillips, Paul Greengrass) – (5/5)
The Hunger Games: Catching Fire (Jogos Vorazes: Em Chamas, Francis Lawrence) – (5/5)
Prisoners (Os Suspeitos, Denis Villeneuve) – (5/5)
The World’s End (Heróis de Ressaca, Edgar Wright) – (5/5)
The Way Way Back (O Verão da Minha Vida, Nat Faxo e Jim Rash) – (4/5)
Blue Jasmine (idem, Woody Allen) – (5/5)
Stoker (Segredos de Sangue, Park Chan-Wook) – (5/5)
Frances Ha (idem, Noah Baumbach) – (5/5)
O Som ao Redor (Kleber Mendonça Filho) – (4/5)
To the Wonder (Amor Pleno, Terrence Mallick) – (4/5)
Europa Report (idem, Sebastián Cordero) – (4/5)

Os Piores

Now You See Me (Truque de Mestre) utiliza o lance do ilusionismo para tentar justificar personagens chatas e os gigantescos furos no roteiro, encadeando situações absurdas e desconexas até chegar a um final que, de tão distante dos elementos apresentados na história, só pode ser definido como errado; enquanto isso, os irmãos Wachowski desperdiçam uma boa ideia com seus diálogos piegas em Cloud Atlas (A Viagem), produção que cria um milhão de histórias forçadas e expositivas e cujo único destaque é a maquiagem capaz de fazer os atores mudarem de gênero/cor/nacionalidade – ou seja, é uma mistura entre um filme do Eddie Murphy e um biscoito da sorte. E se Scary Movies 5 (Todo Mundo em Pânico 5) continua achando engraçado ver um cara ser atingido na região genital milhões de vezes (piada que já era velha há 10 anos), Spielberg injeta sonolência e pieguice no público no inexplicável Lincoln, onde a magistral atuação de Daniel Day-Lewis é desperdiçada pelos clichês e roteiro previsível.

A Surpresa

Joss Whedon, o cara por trás de vampiros, tiroteios espaciais e turminhas de super-heróis adaptando Shakespeare? Deu certo: Much Ado About Nothing (Muito Barulho Por Nada) é uma produção envolvente e divertida. O elenco afiado e a montagem dinâmica só realçam os diálogos incríveis, tornando o filme uma das comédias mais cativantes do ano.

O Top 3

Seguem os vencedores, os melhores, a crème de la crème do cinema em 2013:

3 – Before Midnight (Antes da Meia Noite, Richard Linklater) – (5/5)

before midnight

O terceiro filme da série trouxe Jesse e Céline mais maduros e um pouco amargurados com a vida. Trabalhando com um roteiro que investe em diálogos naturais e na atuação sensível de seu casal de protagonistas (cuja química é descomunal), o filme envolve o público ainda mais na história dos dois para logo mostrar que entre eles também há dificuldades, arrependimentos, machucados. É o retrato íntimo de um momento difícil dessas pessoas, uma abordagem complexa que mostra como ciúme e carinho andam lado a lado – e que, por isso, só torna a relação entre Jesse e Céline ainda mais admirável.

2 – Zero Dark Thirty (A Hora Mais Escura, Kathryn Bigelow) – (5/5)

zero dark thirty

Retratando de forma desmistificada os dez cansativos anos da caçada ao Osama Bin Laden, Zero Dark Thirty é uma obra intensa que ilustra o quanto uma jornada desse tamanho é instável: meses de preparação esbarram em meses de burocracia, pequenos erros custam a vida de pessoas, informações são encontradas e desencontradas, ideias são descartadas, cada pista exige tempo e dinheiro para ser investigada e pode não levar a lugar nenhum. A produção não enxerga suas personagens como heróis ou vilões, mas sim agentes que estão ali para realizar um trabalho da melhor forma possível – e, ao invés de apetrechos mágicos, é a inteligência e a interpretação das informações que fazem a diferença, como no brilhante raciocínio que leva à descoberta de um esconderijo. Uma construção tão vitoriosa que chega a dar um frio na barriga quando, em determinado momento, uma personagem chega na frente de uma porta e fala “Osama?”.

1 – Gravity (Gravidade, Alfonso Cuáron) – (5/5)

GRAVITY

Mais do que um balé espacial, mais do que uma experiência que leva efeitos especiais e fotografia à ionoesfera, Gravity é uma poderosa história de renascimento. Alfonso Cuarón sabe das coisas e conta a história usando diálogos e imagens, preferindo mostrar ao invés de expor. Assim, constrói uma obra repleta de simbolismos que, aos poucos, vai conferindo carga dramática à jornada de retorno da Dra. Stone, que passa a ter tanto um aspecto físico como emocional. A atuação ensandecida de Sandra Bullock e a trilha épica, fatalmente composta por alguma notas e adrenalina, também contribuem muito para elevar Gravity ao topo da lista. São diversos aspectos técnicos que pegaram a estrelinha no Mario Kart e atingiram uma excelência absurda, mas sempre trabalhando de forma coesa para contar uma história inesquecível e que arrepia até o zagueiro mais durão. Uma verdadeira obra de arte.

Agora é esperar para ver que tipo de aventuras espaciais, caçadas políticas ou obras de relacionamentos 2014 nos trará.

Disclaimer: este é um site de opiniões pessoais (sempre foi e sempre será); a opinião do autor não está sendo imposta a ninguém; o autor não assistiu necessariamente a todos os filmes em cartaz em 2013 – essa é a lista não representa a opinião de todos os editores do site; concorde ou discorde da lista sem insultos; comentários do tipo serão removidos.

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