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Por: André Costa

24: Live Another Day | Falatório do quinto episódio coloca as coisas em movimento

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[com spoilers do episódio 9×05] Claramente entramos no segundo ato da temporada aqui: este quinto episódio de 24: Live Another Day começa a partir de tramas fechadas e premissas estabelecidas (Jack estava certo, Margot faz o Bin Laden parecer um Ursinho Carinhoso, a prova foi encontrada, o drone foi hackeado, a casa caiu), colocando novos objetivos e obstáculos na frente do pessoal – e, se por um lado acaba apelando para soluções fáceis em alguns momentos, por outro os realizadores foram inteligentes o suficiente para manter a média de uma explosão por episódio.

Assim, a narrativa é bastante centrada nas movimentações e maquinações que empurram os novos acontecimentos, tipo aquele momento onde todo mundo tira a cartinha com seu objetivo no jogo de War. E é interessante ver como as jogadas são construídas (Heller sabe que o vídeo de Margot é uma carta para ser usada após os ataques), improvisadas (Jack gingando em cima da militarzada para a Kate poder sair de fininho com a chave) e até mesmo afetadas por posições políticas (Mark escondendo as baixas civis do presidente) e pessoais (Naveed abrindo a boca para a Simone e literalmente morrendo por causa de amor). Estamos entrando naquele momento da temporada onde Jack vai matar a bomba no peito e dizer “deixa pra mim” e este quinto episódio é eficiente ao apresentar as novas tramas de forma clara, mostrar quem está envolvido na brincadeira e não ignorar os desdobramentos (tipo o Navarro mandando Kate sentar no cantinho do castigo).

Ou quase. Por mais que consiga fazer o espectador botar as mãos na cabeça e dizer “minha nossa, esses caras têm o coração feito de gelo” (vide o episódio passado), 24: Live Another Day se vale aqui de algumas saídas manjadas, previsíveis, que tropeçam na suspensão da descrença e tiram um pouco do clima. Por exemplo, a CIA correndo atrás da pista falsa sem nem considerar que é uma armadilha, como se a agência fosse um cachorro no parque que acaba de ver uma borboleta, ou Naveed abrindo seu aplicativo Deus Ex-Machina no smartphone para inventar do nada um plano que chame a atenção das autoridades – algo que ele poderia ter feito antes da esposa dar o dedo para ver o ataque acontecer (literalmente). Aliás, já que estamos no assunto, é exigir muito que o público acredite Ian aprenda a pilotar os drones apenas “observando” Naveed por alguns minutos. Como ele fez isso? Por osmose? Sei que eles são uma célula terrorista, mas não a esse ponto, né. E se Ian aprende tão rápido, não seria mais fácil botar o sujeito na função desde o início, evitando assim a traição de Naveed e o dedocídio de Simone? Viram só, eu acabei de pensar em duas formas de salvar o dedo da moça e nem estou torcendo por eles.

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Mas tudo bem, porque o episódio ainda oferece alguns momentos de intenso conflito dramático – principalmente no reencontro entre Jack e Audrey,  que foge das coisas poéticas e bonitinhas e puxa para diálogos significativos como “nem sei por onde começar”, além de possuir uma abordagem bastante minimalista, intimista e confessional (e reparem como os planos vão ficando mais fechados conforme os dois se aproximam um do outro, até o momento em que finalmente são enquadrados juntos). Também surpreende o fanatismo de Margot, que pede à filha para não se culpar pelo dedo derramado, como se realmente acreditasse que fosse Simone a culpada. Um relacionamento tão maluco que a moça novamente trai Naveed, que iria trair Margot (é tipo um Inception da traição), escolhendo o lado da mãe mesmo sabendo que ela corta partes importantes do corpo quando a vaca vai pro brejo, em um belo exemplo de fanatismo e personagens tridimensionais. A própria morte de Naveed, que já é tensa, ganha mais impacto com a aceitação de Simone.

Ainda que a montagem seja excessivamente picotada, investindo em planos curtíssimos (que é o normal da série, mas aqui chega a chamar a atenção para si), o episódio funciona bem mesmo com os tropeços. E conta com aquela característica que só 24 tem: alguém fala que algo muito grande vai acontecer em dez minutos, e ainda faltam vinte para o final. Haja tensão.

4star

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