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Por: André Costa

Crítica | Extant 1×06: NIghtmares

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[com spoilers do episódio 1×06] Nightmares é o momento em que Extant decide que é hora de ser objetiva e expande seu universo, incluindo no pacote alterações no comportamento de Ethan, uma amostra do que aquela tinta invisível alienígena é capaz de fazer, a resposta sobre o que aconteceu com a filha de Sparks, a motivação de Sparks e até mesmo um pouco mais de destaque para Julie. Infelizmente não é o momento em que Extant decidiu deixar de ser preguiçosa, construindo alguns momentos que são puro domingo de ressaca e minando um pouco o impacto que o episódio poderia ter.

De qualquer forma, é bom ver que a encheção de linguiça foi superada e que a história está seguindo em frente. Nightmares coloca na mesa algumas cartas interessantes e que podem ser bem exploradas, e as mudanças em Ethan é a primeira delas: claramente algo mudou no garoto (provavelmente culpa de alguma atualização automática. Elas nunca passam incólumes), e a inteligência incrementada e o fato de que foi brincar de subconsciente com Morfeu são indicativos de que a) ele parece mais independente, o que o torna também mais imprevisível e até perigoso e b) a trama está chegando em um ponto importante – não à toa isso acontece depois que a energia alienígena faz um revival de The Shinning no laboratório. Aliás, conhecemos o modus operandi dessa força, um hábito suficientemente sutil e intenso para que as ações das personagens atingidas por ela pareçam críveis (além disso, é uma enorme tela em branco para Extant desenhar centenas de momentos assustadores nos próximos episódios).

Também é legal ver que Julie está recebendo mais tempo em cena, já que é a única personagem da série que não parece ter suas características definidas por um objetivo (a relutância dela em falar do acidente, por exemplo, só aumenta a importância do evento e sugere que teve bastante influência na personalidade da moça). E Nightmares ainda nos mostra o marco zero, o início do mistério, em uma cena que deixa bem evidente o tamanho da algazarra que a tal força invisível consegue criar, em uma cena curta que consegue ser ao mesmo tempo tensa e tocante – e a ótima atuação de Teressa Ferrer na sua rápida aparição como Kate contrasta com a forma com que Halle Berry e Goran Visnjic, esses bonecos de cera articulados, recebem a gravação. Pelo menos é o sexto episódio, já percebemos que o elenco não vai tirar nenhum coelho da cartola e podemos aceitar isso em paz.

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Enquanto isso, os roteiristas leram a nossa crítica do episódio passado e já absolveram Sam, que novamente se torna uma possível aliada, registrando em cartório a previsibilidade e a covardia que eventualmente tomam Extant de assalto (afinal, a ação foi apenas para criar um possível conflito – já descartado – e não teve basicamente desdobramento nenhum). Pior que isso é ver a incompetência da polícia hollywoodiana, que permitiu a Kryger arrombar a porta do estúdio e invadir a trama, já que a personagem tinha sumido e de repente aparece com uma vantagem sobre Gordon que não havia sido mostrada ou sugerida por nada no universo, surgindo, claro, porque o roteiro precisava tocar a história para a frente mas não queria gastar muito tempo com isso. Aliás, Extant consegue ser tão preguiçosa que, no mesmo episódio em que vemos John e Molly decodificarem uma mensagem usando um complexo holograma em formato de barril, Julie entrega seu contato a um sujeito escrevendo em uma folha de papel, como se estivesse em uma academia temática dos anos 90. Não há melhor exemplo para ilustrar a falta de preocupação e investimento da série em cenas que não são capitais.

Finalizando de forma eficiente com um momento tocante do sempre “eu sou o vilão” Sparks, Nightmares consegue até mesmo atirar uma dubiedade nas motivações do sujeito, mas acaba dando com os burros na água ao tratar algumas subtramas e cenas de qualquer jeito, ignorando o quanto cada decisão afeta (ou deveria afetar) a história. As coisas ficaram mais interessantes, mas não foi dessa vez que Extant conseguiu realmente se destacar.

3star

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