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Por: Redação Ligado em Série

Os injustiçados pelo Emmy 2014

Premiação é sempre aquele mimimi, ninguém fica 100% satisfeito com o grupo de indicados em todas as categorias, e isso não é diferente com o Emmy Awards, principal evento da TV norte-americana. Em todas as edições, um grande artista ou uma série surpreendente são esnobados. Esse ano as principais injustiças foram a falta de Tatiana Maslany (Orphan Black) e The Good Wife na lista dos indicados divulgada no mês passado.

Entre os artistas, Maslany não foi a única esquecida. Nossos colunistas comentam abaixo, começando, óbvio, pela estrela de Orphan Black (pois ninguém ainda aceitou esse absurdo!) e listam outros astros que mereciam uma primeira indicação ao Emmy.

Tatiana Maslany (Orphan Black) – por Maíra Bianchini

Orphan Black Finale

Como Tatiana Maslany não foi indicada ao Emmy de melhor atriz em série dramática pela primeira temporada de Orphan Black? A atriz entrega uma das atuações mais memoráveis da produção televisiva atual ao dar vida, até o momento, para 13 versões diferentes de clones, em especial para as cinco personagens principais da série – a órfã punk Sarah, a mãe suburbana Alison, a cientista geek Cosima, a ex-fanática religiosa ucraniana Helena e a executiva obstinada e fria Rachel. O sotaque, o modo de falar e a expressão corporal de cada personagem são tão únicos e consistentes que nós, enquanto audiência, simplesmente esquecemos que se trata da mesma atriz por trás de cada uma das irmãs clones. Destaque especial para as cenas em que uma das irmãs precisa se passar por outra, e para o clone transgênero Tony, que representou a transição de Maslany de interpretações marcadamente femininas para a personificação de traços e maneirismos masculinos – pena que o trabalho do setor de cabelo e maquiagem da série não foi tão competente quanto o da atriz.

Uma das maiores injustiças da premiação no ano passado, ela pode até não ganhar a estatueta (embora mereça, mas tenha o gênero de ficção científica de Orphan Black e a baixa popularidade da série no circuito mainstream da televisão norte-americana como reveses), mas Tatiana Maslany é presença obrigatória na lista de melhores atrizes da temporada 2013-2014 dos prêmios Emmy.

Alfie Allen (Game of Thrones) – por Allan Veríssimo

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Quando o assunto é o elenco de Game of Thrones, o primeiro a ser lembrado pelos fãs e pelas premiações na categoria de melhor ator coadjuvante é Peter Dinklage. E com razão, mas o elenco da série é composto por talentos impressionantes, e um dos mais subestimados sem dúvida é Alfie Allen, que interpreta Theon Greyjoy. Antes da série, o ator era mais conhecido como irmão da cantora Lily Allen. E verdade seja dita, foi só da segunda temporada em diante que Allen se destacou ao receber a difícil tarefa de interpretar um personagem que, embora não seja considerado exatamente um vilão, também está longe de ser simpático. Alfie retratou muito bem a arrogância e os conflitos do personagem. E a partir da terceira temporada, quando Theon assume a identidade de “Fedor”, Alfie Allen se transforma diante do espectador de uma maneira assombrosa. Apenas com o olhar e com a postura corporal, o ator transmite a destruição física e psicológica do outrora orgulhoso Theon, para dar lugar ao apavorado e patético Fedor. Alfie Allen sem sombra de duvida é um dos melhores atores da série, e deveria ser mais reconhecido pelo público, pelas críticas e, é claro, pelo Emmy.

Danny Pudi (Community) – por André Costa

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Community é uma série que brinca muito com a cultura pop, e, de certa forma, Abed representa o espectador no meio daquilo tudo – algo que Danny Pudi faz de forma brilhante, metralhando diálogos com um ótimo timing cômico, incorporando estereótipos de filmes (ação no paintball, seriedade dramática no jantar com Jeff, Nicolas Cage no Nicolas Cage) e criando trejeitos que se tornaram totalmente característicos da personagem. Pudi criou um Abed carismático e único, e ver o ator de Community – que tradicionalmente é deixada de lado nas premiações – recebendo um Emmy seria algo extremamente cool (cool! cool! cool!).

Bellamy Young (Scandal) – por Luisa Falcão

Bellamy Young

Boa parte da trama de Scandal gira em torno do romance proibido entre Olivia Pope (Kerry Washington) e o Presidente dos Estados Unidos, Fitz Grant (Tony Goldwin). A outra ponta do triângulo é composta por Mellie Grant (Bellamy Young), a Primeira-Dama. Em teoria, ela deveria ser odiada pelo público, e o personagem foi construído com este propósito. Mas ao longo das primeiras temporadas, conseguimos desvendar um pouco desta mulher, e acabamos simpatizando com ela. Na terceira temporada, quando o público descobre que Mellie foi estuprada pelo seu sogro, Bellamy Young se destaca por sua atuação brilhante, e transforma o personagem em um dos mais queridos da série.

Annet Mahendru (The Americans) – por Dierli Santos

Nina Sergeevna

Ignorada pelo Emmy e pouco badalada, The Americans ainda não teve o reconhecimento que merece. O drama sobre um casal de espiões da Guerra Fria, além de ter uma história envolvente, também possui um elenco excelente. Enquanto o Emmy só enxerga (a ótima) Margo Martindale, acaba ignorando os ótimos protagonistas interpretados por Keri Russell e Matthew Rhys. Mas na segunda temporada da série, a personagem Nina Sergeevna é quem rouba a cena. A atriz Annet Mahendru faz o papel da agente duplo apaixonada que lida com inúmeras traições e está disposta a tudo para lutar. E ela consegue acertar o tom certo entre ser uma doce e amorosa amante e uma corajosa e inteligente espiã.

Joel Kinnaman (The Killing) – por Dierli Santos

Joel_KinnamanFOTO: NETFLIX

Depois do final da primeira temporada, foram poucos os que continuaram a acreditar em The Killing. Massacrada pela crítica pelo roteiro, uma coisa sempre foi inegável: a qualidade dos protagonistas do drama. Se Mireille Enos já foi lembrada no Emmy de 2011, o mesmo não se pode dizer do seu parceiro. Joel Kinnaman conseguiu mostrar as mudanças do intenso e dependente de drogas Holder para o novo policial responsável perfeitamente. Mas não foi suficiente. Parece que os votantes da premiação resolveram esquecer não só a série, mas também seus atores.

Jack Houston (Boardwalk Empire) – por Ana Bandeira

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Um soldado, sem metade do rosto, que encontra em Jimmy Darmody (Michael Pitt) um amigo e parceiro profissional. Richard Harrow é um personagem triste, que sofreu muitas perdas e é movido pela lealdade aos que o ajudaram. Houston não apenas entrega em termos da atuação tudo que se espera de um personagem com um histórico tão rico como ainda adiciona camadas e camadas nessa figura que tanto pode agir como um assassino eficiente e implacável quanto se comover com um ato de bondade e amor direcionado a ele. É um personagem de uma beleza melancólica, que evoluiu temporada a temporada, e a atuação de Houston merecia não apenas os elogios do público, mas também o reconhecimento do Emmy.

Hugh Dancy (Hannibal) – por Anna Maria Cáracamo

Hugh Dancy

O ator de Hannibal, casado na vida real com a incrível Claire Danes de Homeland, brilha em seu primeiro papel de destaque em uma série interpretando Will Graham, um genial profiler de psicopatas da FBI com uma empatia fora do normal e problemas mentais próprios. Will, inclusive, passou pelo trauma de ser incriminado por um crime que não cometeu, chegando a questionar sua própria sanidade. Hugh Dancy o interpreta de forma super real, nos sentimos na pele de Will, o entendemos e sentimos suas frustrações. Além disso, contracena de forma fantástica com Hannibal, o excepcional Mads Mikkelsen, em uma relação doentia que vai da amizade ao ódio, ao duelo intelectual e à manipulação. O ator britânico se mostra assim, digno de seu primeiro Emmy, prêmio que sua esposa já ganhou diversas vezes.

Albert Tsai (Trophy Wife) – por Anna Maria Cárcamo

Albert_Tsai

O sorridente ator mirim chinês-americano, que completa 9 anos esse mês, é fora de série. Tão jovem, ele tem talento nato para a comédia e fofura, encantando o público no papel do apaixonante Bert Harrison, o filho adotado de Pete Harrison (Bradley Whitford) em Trophy Wife. Além de roubar a cena sempre que aparece, ele tem uma química excelente com sua família, especialmente com a sua mãe, a excêntrica Jackie (Michaela Watkins ), e com seu irmão Warren (Ryan Lee). Juntos, os irmãos formam uma dupla dinâmica e bagunceira que contrasta com a irmã deles, a certinha Hilary (Bailee Maddison), e sua mãe Diane (Marcia Gay Harden). Na verdade, o elenco inteiro é incrível, completo com a trophy wife em si, Malin Ackerman, e sua amiga, interpretada por Natalie Morales. É uma série que certamente fará falta.

Ilana Glazer (Broad City) – por Bruna Bottin

Ilana Glazer

Eu entendo que o grande público não faça ideia de quem é a moça acima, mas gostaria de partir do princípio que os membros responsáveis pelas indicações ao Emmy Awards de fato avaliam todos aqueles atores e atrizes que se inscrevem na premiação. Infelizmente, isso parece não acontecer, pois não posso acreditar que alguém não enxergaria o potencial de Ilana Glazer para concorrer com as favoritas a Melhor Atriz em Série Cômica. Ok, ela não bate a Julia Louis-Dreyfus (que merece levar a estatueta para casa mais uma vez), mas Glazer vem apresentando um trabalho excelente em Broad City, comédia criada, escrita e protagonizada pela atriz ao lado de Abbi Jacobson. Com uma pegada mais escrachada e muita naturalidade, ela cumpre maravilhosamente a missão que lhe foi entregue: fazer rir. Ilana tem uma língua afiada e um jeito especial de conduzir os diálogos cheios de gírias, com piadas atuais voltada ao público de 20 e tantos anos. Muito mais a voz de uma geração que Lena Dunham de Girls.

Fique ligado: o 66º Primetime Emmy Awards acontece no dia 25 de agosto, com transmissão ao vivo pela Warner Channel, como anunciamos anteriormente.

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