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Por: André Costa

Crítica | Extant 1×09 e 1×10: Care and Feeding e A Pack of Cards

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[com spoilers do 1×09 e 1×10] Após o ótimo Incursion, Extant separou suas personagens e colocou cada uma em uma situação diferente – e é incrível como, após finalmente criar um pouco de tensão e impacto, a série tenha descarrilado novamente para historias chatas e sem sentido. Na real, a coisa continua mais ou menos a mesma: Molly atrás do seu rebento, Sparks protegendo o alienígena, Yasumoto sendo misterioso, Ethan se revoltando e John afogando as pessoas em uma chatice opressiva. E tudo isso apresentado de forma irritantemente burocrática.

Talvez o momento mais emblemático esteja em um flashback específico (flashbacks chutam a porta e invadem os episódios para dizer coisas que a série já deveria ter dito mas esqueceu): após um acidente de carro onde viu Marcus morrer, Molly acorda no hospital e a primeira coisa que a doutora Sam diz é que ela perdeu o bebê. Tipo, literalmente a primeira coisa. Não pergunta como ela está, se está com dor, não prepara o terreno, não tem nada de carinho, preocupação ou amizade ali, só uma fala para que a cena possa funcionar como motivação para Molly ir atrás do bebê etê.

Da mesma forma, o assassinato cometido por Sparks ocorre de forma muito rápida e sem consequências (com a velha “disputa pela arma” que gostam de usar para não tornar as personagens muito detestáveis), varrendo para baixo da tapete o conflito entre ter a Katie de volta e matar uma pessoa (uma hora ele fala “esse é o preço“, mas nunca vemos ele sofrendo por causa disso, então a coisa não tem grande peso dramático). Assim, Care and Feeding e A Pack of Cards vão levando as coisas por um caminho onde fogem de qualquer envolvimento ou sentido, como se fosse apenas uma linha do tempo de acontecimentos – e usa essa abordagem para criar alianças forçadas (não há nada que justifique John levar Ethan para Yasimoto e muito menos Molly se aliar com o sujeito que criminalizou a cesariana e levou seu projeto de alien embora, ainda mais quando um capanga de Yasimoto – rapaz que está ali “para ajudar” – pede para ficar com o telefone da moça por “questões de segurança”).

É tudo feito tão de qualquer jeito que, mesmo estando em uma corrida contra o tempo, Molly e Mason param em um café para tomar um chá da tarde, porque mais importante do que resgatar a criatura é ajudar os EUA a se manterem como o país mais obeso do mundo. Mesmo sequências mais objetivas desdenham completamente da lógica, como Gordon e Kryeger chamando no Houdini e fugindo de um carro sem abrir as portas (ao menos é o que dá para entender, já que não há nenhum barulho) e Sparks humilhando o teletransporte de Star Trek ao subitamente materializar-se fora de uma cabana. Nem um espectador que caiu em um caldeirão de suspensão da descrença quando era pequeno conseguiria ignorar tais disparates.

Despidos de qualquer resquício de emoção do início ao fim, Care and Feeding e A Pack of Cards sequer conseguem construir uma cena dramática na morte de Kryger, que continua cuspindo suas falas com irritação até o momento em que simplesmente apaga. Extant vinha conseguindo algum sucesso em desenvolver uma trama intrigante, mas, após a bebedeira de preguiça que assolou estes dois episódios, parece que a criatura híbrida que é metade Halle Berry e metade sêmen espacial invisível tem razão ao ficar todo tempo fugindo de aparecer na série.

1star

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