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Por: André Costa

Crítica | Extant 1×12: Before the Blood

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[com spoilers do episódio 1×12] Before the Blood prepara Extant para o season finale, movimentando as tramas em direção a uma inevitável invasão alienígena e colocando a Molly como a única pessoa que pode puxar a tomada desses visitantes indesejados. Entretanto, embora consiga construir um ou outro momento interessante, continua investindo naquela abordagem tacanha de querer resolver tudo em uma cena só, deixando para trás qualquer complexidade que a história pudesse ser e abusando de coincidências e soluções fáceis.

A coisa até não começa mal, já que a interação entre Katie e Sean parece realmente uma interação entre duas pessoas, e não uma explicação dividida em duas partes, como acontece normalmente na série. Só que logo Before the Blood já se atira sem pensar na insanidade, colocando ambos como amantes – o que, além de exigir uma coincidência de proporções bíblicas, parece não afetar em nada a história – e fazendo um astronauta gravar um vídeo dizendo que ia sedar a moça a cerca de cinco metros de onde ela está, em uma decisão tão estúpida que a partir daí o rapaz poderia dirigir a nave até o sol sem querer que soaria crível de acordo com a inteligência dele. Aliás, se essa força alienígena consegue controlar as pessoas, ainda não entendi porque simplesmente não tomaram conta de um astronauta e botaram o diabo da Seraphim na Terra, mas espero (sinceramente) que isso seja explicado em algum momento.

Cem mil pés abaixo, as coisas correm conforme o esperado: Ethan quase detona a bomba mas desiste no último segundo, Molly descobre que botou a nave em rota de colisão com a Terra e John gagueja porque Goran Visnjigc acha que esse é o único recurso dramático existente. Não é em Before the Blood que Extant sai da zona de segurança na qual se entocou, preferindo apostar na falta de antecipação dramática e aniquilação da suspensão da descrença que têm caracterizado a série – percebam que o fato de Sparks falar é consequência do acaso, e não da esperteza de Molly; que Odin deixa toda a explicação sobre suas artimanhas cristalinamente gravada em vídeo para Julie descobrir tudo após entrar em um apartamento que nunca havíamos visto graças a uma vizinha que nunca havíamos conhecido; e que John reclama que Molly “não está aqui” como se tivesse momentaneamente esquecido que ela fez sexo no espaço com alguém morto, ficou grávida mesmo sabendo que não podia ficar grávida, teve o bebê retirado, foi traída, descobriu que a prole é metade humana e metade círculos estranhos aparecendo nos pescoços alheios e viu gente morrer, nessa ordem. John é o pináculo da sensibilidade masculina.

Por outro lado, Before the Blood surpreende aqui e ali brincando com as realidades que Molly enxerga (e a ideia do “descendente” se comunicar através de pessoas que ela ama é interessante, embora fosse ter mais efeito se a relação da protagonista com essas personagens fosse desenvolvida), anunciando a chegada da prole intergaláctica de forma brilhante (a intensidade de Ethan no momento em que vemos John falando sozinho dá o tom de urgência da situação, algo que se repete na sua reação quando vê na porta a miniatura do Michael Jackson no clipe de Thriller) e criando uma sequência tensa e impactante na Seraphim no final do episódio.

Assim, pode ser que Extant consiga jogar suas últimas cartas no season finale e fazer algo que realmente provoque uma reação no público que não seja a de “ah, vai, é sério isso?”. Mas, considerando que é uma série que neste Before the Blood usou duas vezes o mesmo flashback em dez minutos, praticamente registrando em cartório o quanto desconfia da inteligência do espectador, não coloco minha mão no fogo.

2star

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