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Por: André Costa

Crítica: Extant 1×13: Ascension [Final de Temporada]

Extant-Ascension

[com spoilers do episódio 1×13] Após caducar durante doze episódios, Extant encontra seu desfecho neste Ascension, que encerra a primeira temporada da série – e o faz com a mesma realização lazarenta que atingiu em seus momentos mais fundo do poço, apostando em abordagens batidas, apresentando coisas importantes no apagar das luzes e ignorando completamente personagens até então relevantes. Por fora um season finale, por dentro um fatality em qualquer expectativa de que a série pudesse apresentar ideias legais. Ou apenas ideias. Ou mesmo insights curtos. Ou até um tweet inspirado que seja.

Com Molly visitando sozinha a Seraphim, porque é uma missão para salvar a humanidade e a melhor opção é enviar uma mulher instável sem ninguém para dar apoio nem uma caixa de Gardenal, Ascension tenta criar um clima de suspense. E até consegue no início, mas logo apela para o “luz apaga e quando acende tem alguém ali e apaga de novo e quando acende de novo não tem mais ninguém” (o que só é misterioso para quem desconhece que sim, as pessoas ainda conseguem correr mesmo com as luzes apagadas), tornando os acontecimentos previsíveis e minando assim qualquer tensão. Da mesma forma, quando ela e Sean se separam sem motivo nenhum já sabemos que o rapaz se entregará aos prazeres dos “esporos” e haverá algum tipo de conflito, pois isso ele é basicamente o único obstáculo da missão. E também aprendemos que a forma de vida alienígena não pode atravessar portas, informação importante para entendermos que deve haver uma outra raça alienígena por essas bandas, já que o simulacro de mãe do Kryger não teve nenhum problema com elas no episódio Extinct.

Enquanto isso, somos presenteados com a surpreendente cena onde Ethan vai apertar o botão que detona a bomba mas desiste no último segundo, certamente fazendo espectadores do mundo inteiro cobrirem suas bocas na tradicional reação de surpresa (a bomba foi colocada lá por Odin, lembram dele? Porque, considerando que a personagem simplesmente some, não tenho certeza se a série lembra). É uma trama arrastada, que vai se desenrolando como um grande tapete de convenções do gênero, a não ser quando joga algum absurdo na história para não precisar ter muito trabalho e poder dormir até tarde (como foi que Gordon surgiu no laboratório? Aliás, por onde Gordon andava? E Jackson que, mesmo com o prédio contaminado e uma possível tragédia, também deu as caras no laboratório em um intervalo de tempo que nem Einstein conseguiria explicar?). Não há nenhuma recompensa para quem investe tempo no episódio. Fazer um vídeo de três minutos com os “melhores momentos” teria o mesmo impacto.

Tentando criar suspense com o fato de que o “descendente” subitamente tem poderes telecinéticos, afinal, quem não tem?, Ascension consegue a proeza de reunir no mesmo recinto um garoto alienígena  e um pimpolho eletrônico sem que nada interessante saia disso. Inclusive a suposta “inveja” de Ethan, um elemento que poderia gerar muita coisa legal, é abordada pela primeira vez só neste season finale, e apenas porque o episódio quer criar um arco dramático onde ele consegue superar a inveja e salvar seu irmão menos industrial – mas a falta de investimento faz com que esse arco tenha a consistência de um pudim e falhe miseravelmente.

Isso acontece no clímax, quando Ethan tenta salvar Molly e o garoto de outro mundo tenta impedir – menos porque ele quer ela morta (se quisesse já poderia ter feito isso no episódio passado, ao invés de abraçar e dar dicas à protagonista) e mais porque o roteiro quer tanto um clímax grandioso, mas tanto, que despeja do nada uma inexplicável emulação de HAL 9000 e faz o até então simpático Ben querer sacrificar a Molly (o que meio que justifica alguém querer botar uma bomba em uma máquina). Há até uma despedida sentimental antes que Ethan salve o dia, resultando naquela narração em off que simplesmente pipoca ali para dizer que o garoto ensinou um pouco do que é ser humano, porque ele é uma máquina e dizer que ele ensinou o que é ser humano é um contraste poético.

Ignorando completamente a existência de Yasumoto (ele viveu? Ele morreu?) ou mesmo a contaminação de Molly e Sean na nave, que serve para ativar o modo “salvador da humanidade” em Ben e depois não é mencionada, Ascension ainda finaliza com um final covarde que varre para baixo do tapete justamente aquele que é (ou deveria ser) o grande efeito dramático da série. Um desfecho convencional para uma série que parece ter se esforçado para não ser grande coisa – e, se for o caso, talvez esse seja o seu principal sucesso.

1star

9 respostas para “Crítica: Extant 1×13: Ascension [Final de Temporada]”

  1. Vinicius Souza disse:

    Achei a série legal pq deu pra treinar meu listening, os diálogos eram fáceis de entender. E depois com legenda pra treinar o reading. Só não gostei do sotaque daquele terrorista que não dava pra entender nada. Fora isso, série fraca.

  2. Carlos Teles disse:

    Nem vejo a série (parece que não vale meu tempo), mas sempre venho aqui pra ler os textos novos do André. Eles alegram meu dia.

  3. xtrmntr28 disse:

    eu tbm gosto do andré.

  4. Irones Cordeiro disse:

    Para esta serie ser ruim precisa apenas de uma coisa: melhorar.

  5. Anderson Lima disse:

    A série foi arrastada e o season finale péssimo. Sério mesmo, não aconteceu nada!

  6. Thamires disse:

    Vc tem problema, a season finale foi otima

  7. Jadson Júnior disse:

    Bom, eu discordo de você. A série me prendeu e eu super curti! Não sou tão exigente quanto vc para séries e suas season finales kkkkkkkkkkk

  8. Cako Luiz disse:

    Gostos não se discutem!! Particularmente eu curti a serie!! Mesmo com erros tem potencial!!

  9. Yuri Rodrigues disse:

    Eu achei a série com elementos interessantíssimos, na linha de evolução da humanidade, é possível distinguir uma corrente de evolução híbrida, evolução tecnologica e purista que é menos abordada pelo parte anti-tecnologia que tenta matar Ethan, (divisão de núcleos que parecem ter saido do game sid meier beyond earth). Achei a ambientação da série para futuro próximo plausível muito boa, apesar de concordar o autor ta crítica em que os argumentos que deveriam levar as tensões são muito forçados, eu me interessei bastante.

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