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Por: André Costa

Crítica | Gotham

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Inspirada no universo de coadjuvantes do Batman, Gotham acompanha o detetive novato James Gordon (Ben McKenzie) e o veterano Harvey Bullock (Donal Logue) na corrupta e implacável cidade que dá nome ao título, onde mafiosos como Carmine Falcone (John Doman) e Fish Mooney (Jada Pinkett Smith) dão as cartas. Investigando o assassinato dos ricos e famosos Thomas e Martha Wayne, pais do pequeno Bruce Wayne (David Mazouz) – o futuro Homem-Morcego, Gordon e Bullock cruzarão com figuras peculiares como Pinguim (Robin Lord Taylor), Charada (Cory Michael Smith) e Mulher-Gato (Camren Bicondova) em sua maratona para dar mais segurança a Gotham.

Embora a Marvel seja a referência no setor de “audiovisual de super-heróis” e lance uma quantidade de filmes que só pode ser definida como desnecessária, o Batman de Christopher Nolan ainda é o marco do gênero no século XXI – e Gotham é a iniciativa da DC para tentar manter esse trunfo vivo, uma tentativa de atrair as pessoas por uma espécie de osmose audiovisual. Mas peca pelo excesso de diálogos, montagem frenética e direção insegura (aquelas selfies curtíssimas de Gordon na perseguição no frigorífico são inexplicáveis), já que o piloto apressa a trama sem se preocupar em realmente criar uma atmosfera.

Não há tempo para as personagens ou o espectador assimilarem os acontecimentos, o que extradita qualquer intensidade que a história pudesse ter, e Gotham parece se preocupar muito mais em jogar referências vazias aos fãs do que em realmente investir na sua narrativa. A “Menina-Gato”, por exemplo, que abre a série, não é sequer desenvolvida, apenas mencionada aqui e ali. Ainda assim, Falcone é uma personagem interessante (o anacronismo de “para ter crime organizado é necessário lei e ordem” faz sentido na série) e a sinuca de bico na qual a polícia se encontra frente aos mafiosos sugere uma escalada duríssima para o protagonista.

Aliás, as contradições nos ideais de Gordon e Bullock trazem os melhores momentos do piloto, mas é preciso urgentemente abandonar as soluções fáceis (Pinguim nas docas) e construir uma Gotham com personalidade, uma mitologia em torno da cidade, algo que exige mais do que alguns travellings repetitivos dos prédios de Chicago ou Nova York. Não dá pra esperar que o Batman do Nolan faça todo o trabalho e é por isso que se a série não enveredar em sua identidade, não passará de apenas um local de despejo para referências temáticas, assim como nas séries da CW.

3star

Gotham estreia na Warner nesta segunda, 29 de setembro às 22h30, com apenas uma semana de diferença dos EUA.

8 respostas para “Crítica | Gotham”

  1. Thays Lopes disse:

    Eu acho que a cena do Pinguim qdo o Gordon faz ele andar até a ponta das docas seriam sensacional se anteriormente eles não fizessem questão de frisar que ” Oi, eu sou o Pinguim… gente, eu sou o Pinguim tá?”. O personagem já esta bem caracterizado, não precisava toda hr alguém chamar ele pelo nome.. deveriam deixar “no ar”, subentendido.. pq ai na hr que eles tão o close nos pés dele, andando… boom. O espectador ia ter a certeza absoluta.. sem precisar das nome aos bois. Deixassem que finalmente o rotulassem qdo ele finalmente assume seu posto de Pinguim. Enfim… foi tudo muito explicadinho com vontade de não deixar nenhum duvida.. como vcs falaram, pecou pelo excesso de diálogo.

  2. Márcio Neves disse:

    Superou minhas expectativas, o episódio piloto de Gotham é muito bom… Gostei do ritmo e do estilo como foi desenvolvida a história, a Warner está de parabéns… Os personagens foram bem escolhidos, só não gostei do Alfred, achei ele sem carisma nem parecia o mordomo da família Wayne… Sobre a mulher gato, ficou um suspense no ar, e parece que ela terá papel fundamental ao longo da série, pois acompanhou a trajetória de Bruce desde o assassinato dos seus pais.

  3. Adilson Ivan disse:

    Meus parabéns, simplesmente sensacional a sua opinião!

  4. Jr disse:

    Achei fraca. Esperava muito mas achei até infantil.

  5. Roberto Mohamed disse:

    Concordo inteiramente com a critica.
    Quando assisto essa série parece que estou vendo aquela do Superman dos anos 90.
    É Vazia demais para ser algo relacionado a Batman.

  6. Miguel Mascarenhas disse:

    Somos 2

  7. Douglas Jardim Messeder disse:

    Marvel peca no excesso de filmes?? Ainda bem, ne! Se nao fosse por isso não haveria tantos heróis no cinema.

  8. Fernando Gallo disse:

    Fotografia sensacional, diversão garantida e não vejo outra maneira de introduzir heróis e vilões. Quando se trata das histórias dos personagens antes Batmam, tudo é possível. A série prende e a segunda temporada ao meu ver, preenche as lacunas da primeira. Me desculpem, mas não consigo parar de assistir. Umas das melhores séries que vi e pelas 5 estrelas cheias da avaliação no Netflix, muitos concordam comigo.

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