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Por: Bruno Carvalho

Falamos com Danilo Gentili sobre Politicamente Incorreto

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O FX estreia Politicamente Incorreto no próximo dia 15 de setembro às 20h30, série criada e estrelada pelo apresentador Danilo Gentili (The Noite). O comediante, que frequentemente estampa o noticiário com declarações ou piadas polêmicas e consideradas ofensivas, falou ao Ligado em Série com exclusividade sobre o novo projeto, que conta a história do fictício deputado Atílio Pereira – um sujeito corrupto que sem querer é tido como honesto por conta de um mal entendido – no turbulento dia a dia do Congresso Nacional. A cocriação é de Fabrício Bittar.

Há uma linha tênue que separa o humor politicamente incorreto do puramente ofensivo. Como vocês lidaram com esta questão delicada quando da preparação do roteiro?

Politicamente Incorreto é tudo aquilo que está fora da correção política que um grupo com representantes no mainstream tenta implantar por meio de pressões e encheções de saco. Eu particularmente não pauto nem minha vida nem meu trabalho por agenda política alguma. Então, como sempre acontece, só vai se ofender com a série quem considerar sagrado o código neo-moral da cartilha política de algum grupo ou partido. Como fazemos questão de ser livres para pensar de forma independente e fazemos questão de ignorar qualquer correção política ou religiosa que tentem nos forçar goela abaixo, adiantamos que a série foi feita exclusivamente para quem quiser consumi-la. Só para essas pessoas.

A série não foi feita, eu repito, para ninguém que não queira assisti-la. Quem não quiser pode mudar de canal. Ou comprar o CD novo que a Xuxa lançou esse ano. É só para baixinhos e eu prometo que aquele não ofenderá ninguém.

Quais as principais influências cômicas para a criação de Politicamente Incorreto? Houve inspiração em séries estrangeiras?

Não diria que tivemos uma série especifica como inspiração, mas sim modelos de se fazer sitcom. Temos a sitcom clássica, aquela que é feita com plateia, claque, em estúdio, com a estrutura de diálogo nitidamente separada em preparações e desfechos para as piadas, como é o caso de Friends, Married With Children, Two and Half Men etc. E parece que depois de The Office muitas sitcoms estão dando um próximo passo na estrutura e se modernizando. Hoje é comum sitcoms que não têm plateia e não têm piadas tão explícitas assim, como no caso do The Office (já citado), Modern Family, Parks and Recreation, Veep etc. Politicamente Incorreto está no meio do caminho entre esses dois modelos. O diálogo busca, às vezes, uma estrutura mais clássica e explícita em suas piadas e outras vezes ficamos apenas na subjetividade e sugestão da piada. Não gravamos com plateia, mas tentamos pontuar as piadas com expressões e reações. Acredito que estamos no meio termo entre a sitcom clássica e a moderna.

O que te motivou na criação da série?

Trabalhávamos juntos na criação do roteiro do nosso filme Como se Tornar o Pior Aluno da Escola quando o Fabrício disse que seria legal se antes do longa tivéssemos uma experiência com alguma ficção, quem sabe uma série pra TV. Pareceu uma boa ideia abordar o tema político já que eu, durante muito tempo, cobri os bastidores do Congresso e também sempre fiz piadas com a situação política brasileira. Inclusive Politicamente Incorreto é o nome do show que apresentei pela internet ao vivo na véspera da ultima eleição presidencial. A essência daquele show, de fazer chacota de tudo que acontece na política brasileira sem exceção, permeia todos os momentos da série. Então podemos dizer que se quatro anos atrás ofereci ao público um show do qual ele poderia rir da política brasileira, agora oferecemos a mesma coisa, mas em formato de série. Quem sabe daqui quatro anos em formato de filme?

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Qual será o formato de Politicamente Incorreto? Houve improviso de roteiro por sua parte e dos outros atores?

Em um aspecto, posso afirmar que o roteiro da série foi pensado como eu estruturo meu material de stand-up comedy. Sentamos com calma e atenção, e nos esforçamos para roteirizar algo que nos pareceu a coisa certa para divertir o público. Porém deixamos aberto o roteiro para que, se na hora ideias novas e melhores surgissem de improviso, não ficássemos engessados a uma folha pré-escrita. É como um malabarista na corda bamba. Ele se preparou para atravessar aquela jornada sem cair. Mas se surgir uma ideia no meio do caminho, se parecer uma boa ideia pular num pé só e ele quiser improvisar,  pode fazer sem medo algum, pois tem uma rede de segurança lá embaixo o protegendo. O roteiro é a nossa rede de segurança.

Se o improviso não der certo voltamos a ele – mas posso te dizer que aconteceu muito mais improviso do que imaginávamos.Teve um episódio inteiro da temporada (episodio 6) que é praticamente só improviso, sem ter uma linha sequer do roteiro.

Criamos na hora tanto os diálogos como a estrutura. E é um dos meus episódios preferidos.

Você já realizou muitas matérias no Congresso Nacional quando era repórter do humorístico CQC. Foi possível aproveitar esse “know how” para a série? Quais as situações mais peculiares deste período puderam ser aproveitadas?

Acho que a melhor coisa que essa minha fase de repórter no Congresso trouxe para a série é uma cena muito divertida do episodio 4. Não quero dar spolier, mas sem essa minha fase no CQC aquela cena jamais teria existido.

Sobre o protagonista, o que Atílio Pereira realmente acredita como político? Ele sempre foi corrupto ou foi corrompido pelo cargo que assumiu como deputado?

Ele não é corrupto. Ele é brasileiro. Talvez ele esteja apenas colocando em prática o que a cultura e a política do país que ele representa ensinou como o certo. Até mesmo os partidos que chegaram ao poder usando a publicidade que odeiam a corrupção, demonstraram que são capazes de ser mais corruptos do que aqueles que tanto criticavam. Então, acredito que Atílio não se considera corrupto. Ele se considera apenas um bom brasileiro.

Haverá a abordagem de acontecimentos polêmicos da política nacional e/ou crítica a algum candidato específico/partido? Veremos na série as posições políticas pessoais sua e do Fabrício?

Eu não posso responder por ele, mas eu posso garantir que a minha visão política está 100% expressada nessa série. E a minha visão política é uma só: vejam que ridículo isso tudo que acontece, vamos rir deles.

A minha visão política é que nada daquilo deve ser levado a sério ou respeitado.

Quando os que mandam perdem a vergonha os que deveriam obedecer perdem o respeito. Essa é a minha visão política e está toda ali.

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Na sexta-feira, dia 12 de setembro, às 10h, as pessoas que passarem em frente ao Theatro Municipal de São Paulo poderão acompanhar a gravação do comício do Deputado Federal Atílio Pereira, interpretado por Gentili. Ele irá às ruas para pedir votos, audiência, conversar com o público, discursar sobre sua campanha, falar sobre a série, e responderá perguntas dos jornalistas presentes diretamente. Assista ao teaser de Politicamente Incorreto:

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