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Por: André Costa

Crítica | Scorpion 1×02: Point of Failure

scorpion 1x02

[com spoilers do episódio 1×02] O excelente primeiro episódio de Scorpion foi frenético, apresentando personagens e habilidades e situações enlouquecidamente até o grandioso e completamente absurdo clímax. Já este Point of Failure bota um chá no fogo e conta sua narrativa com mais calma, perdendo parte da empolgação metralhada pelo piloto ao investir nas histórias e motivações das personagens – que, infelizmente, nem sempre são bem contadas.

A fórmula que certamente vai guiar a série está lá: há uma situação específica no episódio que precisa de uma solução específica e as habilidades específicas dos integrantes do Scorpion acabam se mostrando ideais. Curiosamente, nesses momentos Point of Failure flui muito bem, conferindo o peso dramático necessário ao problema (as interações entre o grupo e o governador deixam bem clara a gravidade da situação e o quanto isso afeta a todos) e costurando a inteligência de cada um na trama de forma natural, como Toby analisando as pessoas que participaram do processo ou Sylvester decorando os nomes. Alguns momentos destoam – como Paige estava no carro se logo antes falava de um café?, e o insight de Cabe foi bem óbvio -, mas as sequências são bem dirigidas (os travellings e a câmera na mão ajudam a dar  força às cenas onde eles estão parados e apertando as teclas) e a série consegue dar intensidade a momentos importantes (como abrir um zíper ou acionar os extintores de incêndio).

Já os dramas e relacionamentos das personagens acabam sendo muito súbitos, apresentados em uma cena para logo depois convenientemente servirem como gatilho emocional (tipo a irmã de Walter ou a filha de Cabe). A história de Toby possui mais consistência (talvez por ter uma abordagem mais sutil) e resulta em uma ótima metáfora com a mesa de pôquer no final, mas todo o lance da irmã de Walter é pontual demais com o plot do episódio para ser realmente convincente – e o inevitável relacionamento dele com Paige está sendo filmado de forma tão artificial que é capaz de ter algum corante ali no meio. Aliás, Paige perdeu um pouco do charme: a garota simples, ligeiramente maravilhada com o que está acontecendo e compelida a ajudar por saber que é a coisa certa a fazer agora está muito segura do seu papel, quase como uma “profissional em fazer gente neurótica se acalmar durante momentos importantes para a história”, e a espontaneidade cativante que havia mostrado fica para trás.

Ganhando muito em diversão graças à ótima dinâmica das personagens e à montagem ágil, Point of Failure ainda mostra um pouco mais de Sylvester e Happy em cenas curtas, mas que acrescentam ao desenvolvimento das personagens (e a de Happy é provavelmente o início de um arco dramático). Apesar dos tropeços atrapalharem bastante o andamento da coisa, o episódio é bem estruturado e mostra que Scorpion tem uma visão bem concisa da história central que deseja contar – falta só colocar as tramas paralelas no mesmo patamar.

3star

3 respostas para “Crítica | Scorpion 1×02: Point of Failure”

  1. Eduardo Jorge disse:

    Parei no “excelente primeiro episódio” kkkkkk

  2. Diego disse:

    Vocês andam bem condescendentes com essa série, hein. Tanto o primeiro como o segundo episódio apresentou uma série de elementos que tornaram a trama completamente artificial. Para ficar só no segundo episódio, é um pouco irritante o fato de que para cada problema que a equipe enfrenta, cada um deles tem espaço para mostrar suas habilidades e, claro, sempre com o Walter roubando a cena. O início do episódio foi tão esquemático quanto o primeiro, é apresentado um problema que o espectador tenta responder (meses com 28 dias, números divisíveis por 4) e a resposta certa sempre é a menos esperada, porque a pergunta é sempre capciosa. Enfim, minha previsão: a série vai se arrastar por umas 3 temporadas no máximo, sempre com uma audiência bem meia boca, em algum ponto vai surgir um gênio do mal tão inteligente quanto o Walter que acabará se tornando o antagonista da série, até que por fim ela é cancelada.

  3. Vini disse:

    Não faz sentido algum mesmo, candidato! Hahahaha!

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