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Por: Bruno Carvalho

Retrospectiva 2014 | Minhas boas descobertas na TV

opiniao

Esqueça por um momento das séries badaladas, que todo mundo vê e que recheiam as listas de fim de ano como a nossa. Todo dia é sempre um bom dia para descobrir uma série nova ou até mesmo uma velha, mas que para você que nunca viu, dã, é nova. Em 2014 graças a indicações de amigos, sugestões da Netflix ou até mesmo por obra do acaso me deparei com algumas produções televisivas bacanas e de menor repercussão que curti e recomendarei aqui para vocês (caso já não as conheçam, claro).

An Idiot Abroad

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Minha favorita do ano. Essa é uma mistura de documentário de viagens e reality show e marca o retorno do trio do finado The Ricky Gervais Show. A premissa é simples: os produtores executivos Ricky Gervais (The Office) e Stephen Merchant (Hello Ladies) decidiram lá em 2010 pregar a mais cara pegadinha do Reino Unido no amigo Karl Pilkington, o rabugento radialista que nunca está confortável em sua própria pele. Para tanto eles o convenceram a fazer o programa de viagens que seria intitulado Around the World with Karl Pilkington e o levaria a conhecer as sete maravilhas do mundo. O que o viajante não sabia é que Ricky e Stephen o colocariam nas maiores roubadas que os países sede destas atrações turística têm a oferecer, incluindo os piores hoteis, as festividades mais barulhentas (Karl odeia multidões e um dos locais visitados é o carnaval do Rio) e os costumes mais perturbadores.

karlpilkington

Com isso, o espectador acaba visitando estes lugares por uma perspectiva real e nada maquiada como vemos na TV. Karl possui um humor rústico, mas repleto de insights interessantes e divertidos sobre cada local e experiência que vive, além de ser o maior bundão na hora de fazer alguma atividade extrema como pular de bungee-jump. A série teve duas temporadas tradicionais. No segundo ano eles fazem uma espécie de Lista de Desejos, como ver baleias ou cruzar os EUA na Rota 66 e por aí vai. O mais legal é que ao final eles se reúnem para rir dos momentos mais bizarros (e são muitos) e relembrar os resmungos do apresentador. A terceira temporada é um especial com Warwick Davis (Star Wars), onde eles refazem a rota de Marco Polo, da Itália à China em quatro episódios. Assista ao trailer:

Karl hoje já virou um especialista em viagens, tendo produzido uma espécie de spin-off intitulado The Moaning of Life, onde ele – agora repleto de bagagem e expertise – dá mais uma volta temática ao mundo. Encontrei na Netflix norte-americana durante uma viagem, somente, mas vale a pena ir atrás. Tem muitos vídeos no YouTube.

Review

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Essa série do Comedy Central é tão bacana, que não sei porque ela não estourou. Review começa no formato de um programa de “críticas” estrelado por Forrest McNeil (Andrew Daly) e o objetivo aqui não é fazer análises de filmes, séries ou livros. Ele critica e dá suas cotações em estrelas para qualquer coisa que for sugerida pelos seus “espectadores”, como comer 40 panquecas, participar de uma formatura ou caçar. A única regra é que ele precisa experimentar o que é proposto. Porém, as coisas começam a tomar um rumo radical quando sugerem que ele avalie como é usar drogas, divorciar ou participar de uma orgia. Veja um trecho do hilário episódio sobre as drogas:

O formato então muda de forma repentina e a série vira uma espécie de mockumentary, como se tudo aquilo realmente estivesse acontecendo na vida do apresentador, que agora tem que lidar com as consequências de todas as suas “críticas” e experiências, inclusive o vício em cocaína. Review estreou em 2014 e já está renovada para a segunda temporada.

Downton Abbey

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Eu sei, eu demorei anos para ver Downton Abbey e hoje me penitencio por isso. Talvez por não ser muito fã de produções de época ou por torcer o nariz quando o elenco desta primorosa produção “roubava” espaços nos indicados das principais premiações norte-americanas. Hoje eu sei que Maggie Smith e cia. não estão lá à toa. Que delícia de série! Sim, é uma “novela”, mas uma novela boa, rica em conteúdo, em diálogos brilhantes e reviravoltas piegas, mas que funcionam justamente por se passar no início dos anos 1900. Não darei sinopse aqui, pois essa é mais conhecida.

E como é divertida! Ao ver teasers, trailers e fotos eu imaginava um drama sisudo e obtuso, mas Downton Abbey é divertida, irônica e inteligente – claro, com uma boa dose de drama familiar – mas tudo muito bem equilibrado e o resultado é simplesmente viciante. Devorei duas temporadas em menos de uma semana e só estou esperando o período de festas passar para retornar à maratona. Ah, e tem as três primeiras na Netflix e a quinta temporada chega no GNT dia 10 de janeiro às 22h30.

(P.S.: ao postar a imagem acima percebi dois “pequenos” spoilers com relação a onde estou na série. Esse é o preço por chegar atrasado à festa).

Married

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Married é extraoficialmente uma espécie de companion series para You’re the Worst, comédia sobre um casal que se apaixona que indiquei no Top 10 de 2014. Só que esta vai na contra-mão e retrata o já desgastado casamento de Russ (Nat Faxon, de Ben & Kate) e Lina (Judy Greer, de Arrested Development) e as tentativas do casal com três filhos em retomar o vigor do início. Ainda que menos divertida que You’re the WorstMarried se destaca pelo humor ácido (às vezes até azedo), rasgado e subvertido, além das participações dos sempre ótimos Paul Reiser (Mad About You) e Jenny Slate (Parks and Recreation). Nos EUA passa no canal FXX e ainda não chegou por aqui, mas sempre dá pra pedir aquele amigo que “foi aos EUA” trazer um DVD, né?

Luther

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Esta é mais uma dica do que uma descoberta em si. Com a ascensão de Idris Elba como um dos astros mais proeminentes do cinema ultimamente, Luther tornou-se muito mais conhecida do que era quando lançada. Comecei a assistir no final de 2013 e início de 2014. É um drama intenso, sobre o policial John Luther (Elba), um homem justo, de poucas palavras, mas com um temperamento instável e problemático. Tem a Ruth Wilson (que hoje está em The Affair) e é uma daquelas produções que você tem simplesmente que assistir para entender, pois é tão complexa que não pode ser resumida em uma sinopse. É um must-see da TV britânica e que foi recentemente renovada para a quarta temporada após ser cancelada. Se até hoje não assistiu, vá atrás. São pouquíssimos episódios em cada ano, no estilo de Sherlock. Também está na Netflix.

Espero que curtam as indicações ;) Quais foram as suas descobertas em 2014?

4 respostas para “Retrospectiva 2014 | Minhas boas descobertas na TV”

  1. pennelope disse:

    uma serie que comecei a ver, nem sei se é serie ou minisserie é The Code, uma australiana, maravilhosa.
    nao sabia que australia tinha series tb hehehe

  2. renata disse:

    Les Revenants foi, sem dúvida, uma grande descoberta esse ano. Série maravilhosa! Gostei bastante de Penny Dreadful também, mais pelas atuações, que são excelentes.

    Outra que conheci no ano passado e teve uma segunda temporada maravilhosa este ano, então fica como dica: In The Flesh.

  3. André Coutinho disse:

    Married até empolga no início, principalmente por causa da Judy Greer, mas lá pelo quinto episódio o Nat Faxon como sempre torna tudo insuportável de assistir. Melhor ficar só com You’re The Worst.

  4. Iago Pacífico disse:

    Luther é simplesmente magnífica. Idris deu show.

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