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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Grace and Frankie, a primeira temporada

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Em um determinado episódio da última temporada de Boston Legal, quando David E. Kelley já estava ciente do iminente cancelamento, o personagem Carl Sack (John Larroquette) advoga para a personagem de Betty White e “processa” os canais norte-americanos por não veicularem programas estrelados por personagens mais velhos, apesar do target demographic estar envelhecendo e crescendo cada vez mais. E eles “ganham” a ação, pois essa era uma das várias mensagens positivas que aquela série passava ao final de cada capítulo.

Grace and Frankie, série criada por Marta Kauffman (Friends) e Howard Morris (My Wife and Kids), foge completamente da “regra” da TV tradicional e cumpre a cota exigida por Sack em seu fictício processo: é protagonizada por um elenco predominantemente na terceira idade. E se isso não fosse o suficiente, ainda traz um tema que infelizmente é “tabu” para pessoas mais velhas (e para muitas mais novas) e o apresenta com uma abordagem singela, inclusiva e universal.

Grace (Jane Fonda) e Frankie (Lilly Tomlin) são duas mulheres maduras com personalidades diametralmente opostas e em comum possuem apenas os maridos que eram sócios em uma firma de advocacia. Porém a vida dos dois casais muda drasticamente quando Robert (Martin Sheen) e Sol (Sam Waterston) resolvem finalmente revelar às suas esposas que eles são homossexuais e mantém um relacionamento secreto há pelo menos 20 anos.

Esse é o ponto de partida para esta agradável sitcom que faz graça com a situação (em vez da situação) destes casais que se separam e se reorganizam: Sol e Robert decidem se casar agora que o a união homossexual se tornou legitimada; Grace e Frankie vão morar juntas na casa de veraneio do novo casal, e todos precisam aprender a conviver e lidar com esta difícil realidade. É, de fato, uma série corajosa em sua concepção e que jamais deixa de tratar qualquer aspecto abordado com o devido respeito, sem enveredar-se para o humor fácil que, por exemplo, Chuck Lorre extrairia de tudo isso.

Mas apesar de individualmente Jane Fonda, Lilly Tomlin, Martin Sheen e Sam Waterston estarem excelentes individualmente, esta primeira temporada de Grace and Frankie não conseguiu trazer de forma consistente a sinergia deste estelar elenco. Fato é que muitas das cenas estavam claramente off e as piadas nem sempre possuíam o timing adequado. O roteiro lutou contra si mesmo, sem saber onde focar: se no relacionamento entre Robert e Sol, se na nova vida de Grace e Frankie ou nas interações destes entre si e com seus filhos.

O resultado foram episódios que começam e terminam sem uma sensação de avanço na trama, algo que somente começou na reta final da temporada, à medida em que se aproximavam do casamento. Isso foi o que permitiu aos realizadores delinearem de forma mais clara o desenvolvimento das personagens. Além disso, a histórias paralelas dos filhos (especialmente à de Coyote e Mallory) foram simplesmente apresentadas e deixadas em segundo plano, consumindo boa parte do tempo em tela apenas para não chegar a lugar algum.

Grace and Frankie como falei, tira um A+ em sua abordagem temática, mas um sólido C- na execução, resultando numa média “B” no geral. É uma comédia descompromissada e gostosa de assistir, mas que claramente poderia se beneficiar muito mais se trabalhassem a sinergia entre os atores e afiassem mais o texto. Talento à frente e atrás das câmeras é o que não falta nesta produção.

3star

Grace and Frankie já está disponível na Netflix e a segunda temporada foi confirmada para 2016.

12 respostas para “Crítica | Grace and Frankie, a primeira temporada”

  1. Marianne disse:

    Queria ter gostado, de verdade, mas pra mim não deu…

  2. Bruno Sousa disse:

    Senti o mesmo. Foi bem mediana.

  3. Rodrigo de Lorenzi disse:

    Aquela cena do parto da filha da Grace foi a coisa mais constrangedora do universo.

  4. Marli Heinrich disse:

    Amei a série. Abordou de forma espetacular as demandas que enfrentamos por sermos da “terceira idade”. Jane Fonda perfeita!

  5. nossa eu tbm tentei, mas sempre faltava algo a mais no final de cada episodio, foi por pouco, mas tbm nao consegui gostar

  6. Fernanda Almeida disse:

    Achei simplesmente sensacional. Não vejo a hora de assistir à segunda temporada! Quanto ao prêmio de cena mais bizarra, de fato, vai para o momento do parto da filha de Grace. Estou em fase de negação. Prefiro esquecer rsrs

  7. desie disse:

    Estou assistindo e concordo , a série é boa mas poderia ser muito melhor…sempre que vejo esse “desperdício ” em uma produção americana ,penso : N
    ossa poderia ser a TV francesa ,ou inglesa … sei lá ,tudo muito politicamente correto até as piadas…que mundinho mais chato esse nosso !

  8. Paulo Oliveira disse:

    Alguém mais achou que a Frankie é a Phoebe mais velha?

  9. Ricardo Romano disse:

    Pena pra você. A série é ótima!

  10. Ricardo Romano disse:

    Azar o teu. Restam as novelas do Globo, Claudia Leitte, Paulo Coelho e similares.

  11. prefiro outras séries, coleguinha de 5 anos, sem argumentos. vai estudar pirralinho

ss