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Por: André Costa

Crítica | True Detective 2×02: Night Finds You

true detective 2x02

[com spoilers do episódio 2×02] Pelo visto, os frequentes planos aéreos que mostram aquelas rodovias californianas com formato de fone de ouvido que passou muito tempo no bolso da calça vão simbolizar esta temporada de True Detective: caminhos que parecem se cruzar, mas não se encontram realmente, bem como as personalidades/objetivos das quatro principais personagens da trama. Ao contrário do primeiro episódio, em Night Finds You a série se dedica mais a contar a história e menos a emular uma atmosfera, conseguindo um resultado mais sólido, conciso e envolvente.

Claro, a história continua excessivamente confusa, e aquela cena envolvendo as diferentes instâncias do poder discutindo quem vai tocar o barco é pura desculpa para mostrar as funções de cada detetive. Fora isso, Night Finds You flui bem, mantendo o interesse ao apresentar os (bizarros) elementos do crime e da investigação, como a autópsia, as conversas com psicólogos e corruptos, o envolvimento de Frank na história e outros. Há um senso de progressão bem mais palpável – mesmo nas tramas pessoais, com a vaca de Velcoro indo cada vez mais para o brejo na relação com o filho e Frank emulando Edgar Allan Poe em uma narrativa envolvendo porão e ratos. Se em The Western Book of the Dead a série parece ter gastado tempo demais deixando a turma sentada na cadeira com as costas arqueadas e os olhos tristes, este segundo episódio se mostra bem mais coeso, inclusive dando uma aula de tensão quando Velcoro entra em determinada casa (percebam que a cena “desarma” o espectador, aparentemente informando que está tudo bem e usando apenas um pequeno movimento no canto do quadro para derrubar uma bigorna de suspense em cima dos incautos).

Além disso, sabe aproveitar o que seu antecessor mostrou de bom, expandindo de forma elegante a motivação das personagens – sim, aquele diálogo entre Bezzerides e o psicólogo é expositivo, mas ainda assim entra de forma incrivelmente orgânica na cena e bate o martelo no nível de perturbação da moça. Da mesma forma, a obsessão de Delcoro pelo filho ganha mais solidez e seu pavio curto se torna mais evidente, fazendo com que ele fique ainda mais imprevisível. Night Finds You é também um trabalho de construção, dando pequenas pistas da personalidade de cada um – Bezzerides continuar olhando os papéis quando todos saem é sinal de mais seriedade e workaholicismo, enquanto o interesse do bigodudo pela moça surge em pequenos olhares e inesperada solicitude (pode ser que logo vejamos um sexo a três entre ela, ele e o bigode dele). Há até espaço para um questionamento a respeito da sexualidade de Woodrugh, considerando os acontecimentos no episódio anterior e o súbito homofobismo do sujeito. É através dessa tridimensionalidade que a série conseguirá jogar com os elementos narrativos que a interessam (a saber, construir um mundo totalmente falho com um destino sacana e opressivo).

Duas coisas que pareceram meio fora, entretanto, foram a decupagem e a marcação de cena: os momentos envolvendo mais de três pessoas conversando possuem cortes excessivos, brincando com esse ossinho do ouvido que evita que fiquemos tontos (as circunstâncias exigiam algo menos dinâmico para o diálogo se sobressair). E também me preocupo com o excesso de personagens, já que True Detective tem atmosfera noir, i.e., ninguém pode ser feliz nunca, e reunir tanta gente desgraçada talvez acabe soando exagerado e ruindo um pouco a credibilidade daquele mundo (Woodrugh parece desnecessário e ter as cenas mais murrinhas. Podiam jogar ele de volta para marte). De qualquer jeito, Night Finds You é um daqueles episódios que dá para usar como argumento contra alguém que não gosta de True Detective, intenso, complexo, inteligente e com um cliffhanger que provavelmente vai fazer alguém construir uma máquina do tempo para chegar ao próximo domingo mais rápido.

4star

18 respostas para “Crítica | True Detective 2×02: Night Finds You”

  1. Kareka_almeida disse:

    Longe de mim, vir aqui pra criticar negativamente seu texto. Está ótimo e eu concordo com ele plenamente. Mas já é o terceiro review que leio por aqui, com muito ‘rebuscamento’ nas palavras. Teve um texto sobre Gamo of Thrones que quase não entendi nada. Isso dito, quero apenas SUGERIR que se escreva pensando na média de estudo/conhecimento da população brasileira. =D Abçs!!

  2. Daniel disse:

    Não falaram sobre o tiro de calibre 12
    Que o personagem leva um até a queima roupa?
    E aí foi pro saco???

  3. “e com um cliffhanger que provavelmente vai fazer alguém construir uma máquina do tempo para chegar ao próximo domingo mais rápido.”

  4. Marcelo Marcolino disse:

    Continuo com o pé atrás. Essa temporada ainda não me pegou…

  5. Nicholas Amorim disse:

    Apesar das críticas do André serem facilmente reconhecíveis devido as analogias e metáforas que ele usa (e isso não é um elogio), dizer que isso é muito “rebuscamento” é querer tudo muito mastigado. Não tem nada rebuscado nesse texto. Se escrever pensando na média da população brasileira, aí que infelizmente, ela não vai pra frente mesmo. E não tô sendo elitista, acredite. Isso de fato não tem nada de rebuscado…

  6. Kareka_almeida disse:

    Me perdoa, não concordo com você. Talvez você esteja um degrau acima da média. Aí deva estar achando que o texto é mediano. Mas é uma ilação minha, sem fundamento, apenas ‘achismo’, haja visto, não lhe conhecer. Talvez essa maneira “lúdica” do autor, seja como como ele escreve naturalmente. Pode ser. Mas te garanto que se fizermos como nossas professoras de primário faziam nas aulas de interpretação de texto: (No texto-“A bola é azul”. Na tarefa de casa: “Qual a cor da bola?”), a maioria de nós leitores-“E DIGO NÓS”- se daria mal com o texto acima. =D Abçs!!

  7. Nicholas Amorim disse:

    Você colocou bem. Professoras do *primário*. Faz tempo que passamos pelo primário. ;)

  8. Steve Mix disse:

    Nossa estou procurando até agora o rebuscamento nesse texto, você poderia citar algum exemplo? Lamentável, se o seu nível é tão fraco, não queira que os outros se igualem a você, é você que precisa aprender!

  9. Kareka_almeida disse:

    Nóóóóóphaaaaaa!!! :-* :-P

  10. Steve Mix disse:

    cade o exemplo? caipira burro!

  11. Kareka_almeida disse:

    Se eu te mostrar onde está o exemplo, isso aqui não vai acabar nunca!! =P

  12. Vinícius disse:

    A crítica acaba entregando que o personagem não acaba ali, já que seria impossível um romance entre detetives :)

  13. Refer disse:

    Nossa, cadê o rebuscamento do texto? Volta pra escola, colega.

  14. Kareka_almeida disse:

    Já me matriculei no SObral. A sobra do MOBRAL.

  15. Brenda Chaves disse:

    realmente várias pessoas em uma mesma como no começo do episódio me deixou tonta e foi até dificil acompanhar. Enfim é CLARO que tinha alguém ali, akela música, o barulho e o Ray guarda a arma de novo?? foi muito fácil muito mesmo, eles estavam esperando a presa. Ray e Ani? o bigode foi legal mesmo hahahaha. Mas pra mim tá rolando mais tensão entre o Paul e a Ani. Se ele é ou não gay, não sei se esse é realmente o ‘drama’ do personagem pra mim seria muito simples numa série como essa

  16. Rafael disse:

    Vai se fuder todo mundo

  17. Moacir Führ disse:

    Auto nível nos comentários. O cara achou o texto rebuscado demais, eu também, e daí grande coisa. Rebuscado não é difícil de entender, rebuscado é quando a pessoa usa muitas palavras complexas sem necessidade. Dá pra entender, só que parece artificial demais. No mais, grande texto, embora eu não concorde com o conteúdo. Essa segunda temporada tá chata demais.

  18. Heberton Arduini disse:

    Uma vez mandei uma carta pro James Joyce escrever tipo o paulo coelho e não fui bem entendido tambem.

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