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Por: Allan Verissimo

Crítica | Blindspot 1×01: Pilot

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Blindspot tem uma premissa interessante. Isso é indiscutível. O piloto começa com uma mala encontrada no meio da Times Square, que aparentemente foi deixada lá de propósito, com um aviso “Chame o FBI”. O esquadrão anti-bombas chega, mas o conteúdo da mala é ainda mais surpreendente do que se esperava: uma mulher nua, com o corpo totalmente tatuado, sofrendo amnésia e que não tem a menor ideia de quem é e como foi parar lá.

Uma sequência de apenas três minutos que já te deixa fisgado para assistir o piloto até o fim. Só é uma pena que o resto do episódio não faça jus a esses ótimos três minutos iniciais.

Logo em seguida descobrimos que a memória da mulher (chamada pelos demais personagens como Jane Doe, feminino de “João Ninguém”) foi apagada através de drogas e suas tatuagens são recentes. Numa delas se destaca o nome do agente Kurt Weller (Sullivan Stapleton, de 300: Rise of an Empire). Não demora muito para os personagens e a própria Jane descobrirem que ela sabe falar chinês, uma das tatuagens acaba levando-os para o endereço de um criminoso e…

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… Bom, e é aí que os problemas no roteiro ficam evidentes. Se você está achando alguns elementos da trama familiar, é porque são. A série claramente utilizará uma estrutura procedural, com Jane e o FBI caçando um bandido a cada episódio, baseado nas pistas deixadas no corpo da protagonista. Ou seja, uma versão piorada de The Blacklist, também exibida na NBC – sendo que a própria série estrelada pelo ótimo James Spader já é irregular.


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O roteiro do piloto concebido por Martin Gero também insulta a inteligência do espectador em alguns momentos. Já é um pouco difícil acreditar que o FBI deixaria Jane, uma mulher misteriosa e da qual eles não tem conhecimento algum, acompanhar os seus agentes numa cena de crime. Mas é ainda mais absurdo os agentes simplesmente largarem a moça do lado de fora do apartamento, sozinha – uma conveniência do roteiro que só está aí com o intuito mostrar a habilidades físicas dela para os colegas (e para o espectador), numa sequência de luta com um vizinho que estava agredindo a esposa (um elemento que entra de paraquedas na trama).

Sofrendo do mesmo mal de Minority Report, Blindspot também se sai prejudicada por ter um caso da semana que não empolga em momento algum. Pelo menos, um fator que faz o piloto ser minimamente razoável é Jaimie Alexander (a Lady Sif de Thor e Agents of SHIELD), que se sai muito bem, tanto nas cenas dramáticas (quando ilustra a confusão e a dor da personagem na sua terrível situação) quanto nas cenas de ação. Inclusive, o talento de Alexander compensa a presença de Sullivan Stapleton, cujo personagem, além de não ter carisma, jamais consegue atrair o interesse do público (resta saber se a culpa disso é do ator ou do roteiro).

O piloto de Blindspot não é o pior e nem o melhor dessa Fall Season 2015. Como foi apontado no início desse texto, há uma boa série dentro desse piloto. Resta saber se os realizadores irão perceber isso ou focarão na batida e já desgastada estrutura do “caso da semana”.

3star

2 respostas para “Crítica | Blindspot 1×01: Pilot”

  1. Leonardo Damaso disse:

    MEDO “caso da semana”

  2. Peterson Tesch da Silva disse:

    Achei bem mais ou menos também…meio manjada e muito rápida as coisas acontecendo.

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