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Por: Allan Verissimo

Crítica | Minority Report 1×01: Pilot

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A TV norte-americana está passando por uma dura crise de criatividade. Para cada Breaking Bad, True Detective e Mr. Robot, nós também estamos tendo que aturar inúmeras adaptações de filmes para a televisão: Fatal Attraction, Friday the 13th, Hitch, Scream, Taken, The Expendables, The Island of Dr. Moreau, The Talented Mr. Ripley… O que está acontecendo em Hollywood? Já não há mais boas histórias para serem contadas, a ponto de sermos obrigados a assistir outras versões de tramas cujo início, meio e fim nós já conhecemos?  Está certo que de vez em quando, até temos algumas ótimas surpresas, como foram os casos de Fargo, Hannibal, Bates Motel, e mais recentemente, Limitless. Infelizmente, também temos os casos vergonhosos, como esse Minority Report.


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Situada na Washington de 2065, 11 anos depois dos eventos do ótimo filme dirigido por Steven Spielberg em 2002 (e que por sua vez, era baseado num conto de Philip K. Dick), a série é focada em um dos Precog, Dash (Stark Sands), que assim como seus dois irmãos Arthur (Nick Zano) e Agatha (Laura Regan, no papel anteriormente vivido por Samantha Morton), tem a habilidade de prever crimes que ainda não ocorreram. Após o fim do programa Pré-Crime (o longa é explicado logo no início do episódio), Dash tenta viver uma vida normal, mas logo decide usar sua habilidade para continuar a impedir os crimes de ocorrerem. Para isso, ele acaba se aliando à Detetive Lara Vegan (Meagan Good), a única outra pessoa que sabe quem ele realmente é.

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Infelizmente, a primeira impressão deixada por esse piloto é que tudo não passa de mais um caça-níquel descartável. O filme de Spielberg tinha um protagonista carismático (obviamente, já que era Tom Cruise), um universo interessante e ótimas sequências de ação e suspense, num roteiro que flertava com o noir. Aqui não temos nada disso: os roteiristas jogam todas as fascinantes discussões éticas e morais sobre os Precogs no lixo para focar em mais um procedural batido – e muito ruim. Os efeitos visuais da série são eficientes e estabelecem bem o universo futurista, mas, em contrapartida, a química entre a dupla de protagonistas é inexistente; as sequências de ação são patéticas; e o caso da semana não empolga em momento algum (pombos assasinos?!). Ao final dos 42 minutos do episódio, chega a ser assustador constatar que os momentos mais inspirados tenham sido uma piada envolvendo a “75ª temporada de The Simpsons”, e a participação de Daniel London, reprisando o papel de Wally do longa de 2002.

O piloto de Minority Report tinha vazado há alguns meses, e percebe-se que a FOX já estava receosa com o produto que tinha nas mãos, pois dezenas de alterações foram realizadas desde então. A principal delas foi uma subtrama envolvendo o misterioso desaparecimento do irmão Arthur, que chegava a ter um cliffhanger no final do episódio. Na versão oficialmente lançada, a FOX passou a borracha no sumiço do irmão, que inclusive chega a aparecer vivo e bem. Mas isso não muda em nada a qualidade do episódio.

Considerando a péssima audiência do piloto, Minority Report já pode ser considerada como a primeira candidata ao cancelamento na Fall Season 2015. Mas não se preocupe: já existe outra série envolvendo vigilantes que tentam impedir os crimes antes de ocorrerem, e essa sim, tem personagens interessantes e discussões morais instigantes. O nome dela é Person of Interest.

1star

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