FOTO: REPRODUçãO

Por: Bruno Carvalho

Crítica | O grandioso acerto de O Grande Gonzalez

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Arrojada. Esse é o adjetivo que resume bem O Grande Gonzalez, coprodução do grupo Porta dos Fundos com o canal FOX que estreia dia 2 de novembro às 22h. A descompromissada comédia apresenta recursos narrativos ousados e raros em séries nacionais, já nascendo como um dos grandes marcos da televisão brasileira. A sensação geral da imprensa após a pré-estreia, que ocorreu em um buffet infantil, foi a de surpresa: ninguém esperava que o Porta dos Fundos fosse apresentar um produto tão diverso da fórmula que o levou a conquistar milhões de assinantes e bilhões de views no YouTube, mas ainda assim tão bom e inteligente quanto.

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Ao tentar realizar um perigoso truque de escapismo, o mágico Gonzalez (Luis Lobianco) morre na frente de 30 crianças em uma festa infantil. O que parecia um mero acidente, logo se revela uma suspeita de homicídio. Dois policiais são encarregados, então, de desvendar os mistérios que cercam as últimas horas de vida do artista e quem foi o responsável pelo crime.

Apesar de simples, a premissa é apenas o pano de fundo para um respeitável espetáculo narrativo. Em vez de preocupar-se apenas com o estilo cinematográfico – mal que aflige grande parte das séries nacionais quotistas – a produção traz uma linha narrativa que certamente se demonstrou um pesadelo logístico para ser realizada. A trama de O Grande Gonzalez é fragmentada em uma estrutura não linear que se baseia em flashbacksflashforwards, depoimentos falsos, desconexos e múltiplos pontos de vista de um mesmo fato.

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Além disso, a direção de Ian SBF é segura o suficiente para respeitar a inteligência do público sem apelar para a exposição, permitindo a descoberta, aos poucos, de que nem tudo que estamos vendo condiz com a realidade do que ocorreu. Por isso, O Grande Gonzalez usa uma infinidade de recursos técnicos de pré e pós-produção combinados para servir ao sempre hilário roteiro, lembrando o que recentemente vimos em Sense8 em termos de montagem. Diálogos se iniciam em um local e terminam em outro, personagens se passam uns pelos outros etc. Por isso, arrisco a dizer que esta série conseguiu fazer melhor aquilo que Arrested Development se propôs a fazer na quarta temporada, apresentando um produto acabado mais inteligível e redondo, notadamente porque aqui não existiram as limitações de elenco que ocorreram na comédia de Mitch Hurwitz.

E se SBF cita Breaking BadUnbreakable Kimmy Schmidt como inspirações indiretas para este trabalho, posso dizer também que O Grande Gonzalez bebe, ainda que de forma inconsciente, na fonte de 30 Rock (impossível não lembrar da comédia de Tina Fey todas as vezes em que a câmera faz uma rápida panorâmica). Outro destaque que nem carece de tanta menção, por ser algo notório de todos aqueles que navegam pela Internet, são as interpretações sempre inspiradas do elenco, em especial de Fábio Porchat como o palhaço Pirocadete (ousado deixar o rosto mais famoso do grupo sempre coberto por uma pesada maquiagem) e de Tabet (pronuncia-se Tábet e não Tabêt, aprendi ontem), que interpreta um policial estourado e com problemas hormonais.

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Com 10 episódios de meia hora que serão exibidos de segunda a sexta sempre no mesmo horário, O Grande Gonzalez é, sem dúvida, um enorme acerto do Porta dos Fundos, que mostrou dominar a mudança de linguagem da Internet para a TV e merece desde já um lugar cativo na programação.

5star


Assista ao trailer:

3 respostas para “Crítica | O grandioso acerto de O Grande Gonzalez”

  1. Paulo André disse:

    A piada do Bukake do terceiro episódio é melhor que os 20 anos de zorra total

  2. Leandro disse:

    A referência ao final de Os Suspeitos é simplesmente genial! Porchat perfeito e o Gerardi do Gregório hilário

  3. Erison Bianchi de Figueredo disse:

    O mundo “fuga” de chocolate do Pai no capítulo 9 foi só mais uma das surreais situações dessa magnífica produção!

    Parabéns a toda equipe do Porta dos Fundos!!!

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