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Por: Bruno Carvalho

Crítica | The Knick 2×01: Ten Knots

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[contém spoilers] Finalmente estamos de volta ao Hospital The Knickerbocker nessa época de grandes avanços tecnológicos e descobertas científicas que é 1901. The Knick, uma das melhores séries da atualidade, traz Clive Owen (Closer) como o Dr. John Tackery, um médico pioneiro dedicado a empregar as melhores técnicas para salvar vidas na Nova York da virada do século.

Assisti aos primeiros quatro episódios da segunda temporada a convite do canal Max, mas focarei aqui no episódio Ten Knots. Alguns meses se passaram desde que Thackery foi internado em uma clínica de reabilitação por conta de seu vício em cocaína – substância que era lícita e utilizada na época como analgésico e, assim que descobriram estes efeitos “colaterais”, passaram a tratá-los com heroína. Me pergunto: quais substâncias usamos hoje em larga escala e que podem vir a ser consideradas nocivas à saúde?

Por mais que The Knick se passe mais de um século no passado, a série é extremamente atual em termos de temática e linguagem. Primeiro pela direção extremamente competente de Steven Soderbergh e sua câmera na mão que confere tensão e imediatismo até mesmo em cenas prosaicas, segundo por trazer situações que estão em pauta nos dias de hoje, como a situação de migrantes, refugiados e como as elites enxergam estas pessoas.

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No coração da série, inclusive, há um pertinente debate sobre o racismo, que evidencia o quão pouco a sociedade moderna avançou em 11 décadas: com a ausência de Thachery, o Dr. Gallinger se recusa a ser um subordinado do Dr. Edwards apenas pelo tom de sua pele, assim como a Diretoria segue em busca de um substituto, sem considerar que este fora responsável por inúmeros avanços e novos procedimentos no tratamento de pacientes do Knickerbocker.

No lado “administrativo”, a corrupção é a carta da vez, já que com a construção da nova sede, o Sr. Barrow aproveita todas as oportunidades para extorquir fornecedores e investidores, evidenciando também os acordos escusos que a cidade de Nova York fez para implementar o metrô e que hoje são notórias e servem de escola para governos no mundo todo.

O ponto forte de The Knick é justamente esse: contar uma história original e ficcional utilizando elementos reais para conferir um realismo pungente desde as agonizantes cenas de cirurgia, até grandes acontecimentos históricos como a peste que assolou a Califórnia naquela época. Para nós, fica a certeza de que teremos uma grande temporada pela frente. A jornada dos 10 nós de Thackery naquele veleiro foi apenas do prelúdio do que está por vir.

5star

Uma resposta para “Crítica | The Knick 2×01: Ten Knots”

  1. Renato Bianchi disse:

    Não tem críticas dos demais episódios da segunda temporada?

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