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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Zé do Caixão traz performance impecável de Matheus Nachtergaele

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Um dos maiores e mais folclóricos nomes do Cinema nacional, José Mojica Marins, é o personagem central de Zé do Caixão, minissérie do canal Space que estreou na última sexta-feira 13. Baseada na obra biográfica Maldito: A Vida e o Cinema de José Mojica Marins, de André Barcinski e Ivan Finotti, a série traz como seu maior trunfo a performance dedicada de Matheus Nachtergaele (O Auto da Compadecida) que verdadeiramente encarna o cineasta num trabalho impecável de cadência de voz e gestos.

A minissérie utiliza cada episódio (assisti aos dois primeiros durante a Mostra Internacional de São Paulo) para trazer à tela os principais momentos que contribuíram para a criação do famoso personagem que dá título à produção através dos bastidores de gravação de suas “fitas”. Permitindo a certos ajustes históricos para encaixar os fatos numa ordem que faça sentido, a narrativa acaba funcionando como um registro cronológico e eficiente da carreira de Mojica.

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Trazendo uma boa dose de humor focando na personalidade instável, inventiva e cativante do intérprete do Zé, Nachtergaele passeia com segurança e domínio por absolutamente todas as cenas da minissérie. Infelizmente, a qualidade excepcional da performance do protagonista destoa do restante da produção, que possui um roteiro essencialmente novelesco. Assim, pelo menos nos dois capítulos apresentados, temos um produto que em boa parte não aproveita todo o potencial que um personagem tão rico poderia oferecer.

Lado outro, Zé do Caixão beneficia-se da ambientação e nas limitações técnicas e financeiras do embrionário Cinema Marginal dos anos 70 para evocar uma aura positiva e de fácil identificação do público, à medida em que os personagens superam as dificuldades de produção e o sucesso das “fitas” de Mojica começam a surgir. Excelente também, inclusive, é a atuação de Felipe Solari como Mário Lima (bela surpresa), parceiro fiel do cineasta e que, mesmo com um personagem não tão icônico, consegue acompanhar Nachtergaele e protagonizar os melhores momentos.

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Resta saber se Zé do Caixão conseguirá em seus episódios seguintes – que serão exibidos todas as sextas às 22h (reprises domingo às 23h) – fugir do básico e entregar uma obra tão merecidamente complexa como a persona de José Mojica Marins.

3star

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