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Por: Bruno Carvalho

As 10 melhores séries de 2015!

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Enfim o ano televisivo acabou e com ele chegou a nossa tradicional lista das 10 melhores séries do ano, segundo o Ligado em Série (aka eu). Escolher os 10+ é um trabalho difícil e penoso, ainda mais se considerarmos que 2015 marcou o recorde de produções seriadas no ar. Assim, saiba que é óbvio que muita coisa ficou de fora, já que são apenas dez produções escolhidas num universo de centenas delas.

Então, vale reforçar: esta é uma lista opinativa. É a minha opinião do que eu considero as melhores produções do ano de 2015 na TV, seguida das menções honrosas abaixo. Não estou dizendo que esta é a sua lista ou do universo. É a minha lista. Ok? Minha. “Ah, faltou tal série“. Sim, pode ser que tenha faltado mesmo, porque como já disse o espaço é pequeno, mas qualquer ausência notada não quer dizer que considero a série ruim. Às vezes não tive tempo de assistir ou ainda estou atrasado. Às vezes é ruim mesmo. Mesmo assim, aproveite o tópico para mandar abaixo quais seriam suas 10 melhores séries de 2015!

Sobre a lista em si, vale notar logo de cara que não temos absolutamente nenhuma produção de TV aberta estadunidense, posto que até ano passado era ocupado pela resistente The Good Wife. Mas não teve como mantê-la em 2015, com a queda drástica na qualidade do drama (continua ótimo, mas aquém do que já foi). O ano foi forte para os canais de streaming, em especial Netflix e Amazon, que abocanham cada vez mais posições (aqui e nas premiações) dos canais premium como HBO e Showtime. Também tentei balancear dramas e comédias, classificando-as com base no que propõem (do contrário, pelo peso, as ótimas comédias que tivemos em 2015 não entrariam). Vamos à lista?

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10. Better Call Saul, 1ª temporada (AMC)

Better Call Saul mostrou uma história que vale a pena ser contada. Não é coincidência que a trajetória de transformação de Walter White em Heisenberg seja tão parecida quanto a de Jimmy McGill em Saul Goodman. Mas enquanto em Breaking Bad a surpresa vinha através da constatação daquilo que Walt estava se tornando ao longo do tempo, aqui o mesmo ocorre quando descobrimos o homem que o causídico Saul foi em seu passado, ja que neste caso nós sabemos o que vai ocorrer no futuro. A série cumpriu a função de expandir o universo criado por Vince Gilligan sem perder a qualidade e criando uma identidade própria. [Leia a crítica]

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09. Master of None, 1ª temporada (Netflix)

Master of None faz côro com outras produções como Sense8Jessica JonesUnbreakable Kimmy Schmidt Transparent e traz para a TV temas que precisam ser abordados. Assim, também foi com surpresa que esta criação de Aziz Ansari (Parks and Recreation) trouxe episódios que miram de forma certeira contra a desigualdade de gêneros, o desrespeito a idosos e, é claro, à pasteurização racial e social que tomou conta da indústria do entretenimento desde o seu surgimento. Estrelada por um elenco multiracial, Master of None é também uma crônica da sociedade conectada nas redes sociais e desconectada da vida. É uma agradável comédia com um belo conteúdo. 2015 foi um bom ano para séries novas. [Leia a crítica]

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08. Narcos, 1ª temporada (Netflix)

Ah, mas que bela surpresa essa aqui também. A história que Narcos nos conta é tão complexa, extensa e incrível, que o exercício da suspensão de descrença mencionado em seu primeiro episódio, aliada à capacidade de síntese documental inenarrável de José Padilha, faz com que esta produção já nasça como um clássico moderno. Reintroduzindo com propriedade às novas gerações um personagem tão fascinante como Pablo Escobar (Wagner Moura), Narcos funciona não só como entretenimento de primeira, mas também como um resgate histórico que ajuda a explicar e estabelecer o universo atual e emaranhado do tráfico de drogas no mundo. [Leia a crítica

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07. Transparent, 2ª temporada (Amazon Prime Video)

Não há produção mais sensível e tocante no ar como Transparent. É sempre complicado falar desta série porque ela é muito pouco acessível: é nichada e está disponível apenas em um serviço de streaming limitado nos EUA. Mas é fantástica e necessária, não apenas por tratar da questão do preconceito de gênero, mas também por abordar diversos aspectos da natureza afetiva humana de forma totalmente respeitosa e sem amarras com convenções ou padrões. Ela usa a transição de Morty para Maura Pfefferman (numa atuação irretocável de Jeffrey Tambor) para contar histórias que mostram o quão simples é o amor, mesmo se manifestando das maneiras mais diferentes possíveis – todas elas válidas. A segunda temporada aprofunda ainda mais no universo dos personagens e traz uma inesperada elipse, que a encerra da forma mais elegante possível, evidenciando o esmero técnico da criadora Jill Solloway. Toda vez que Transparent levar um prêmio nesta temporada de premiações, saiba: foi merecido.

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06. Mr. Robot, 1ª temporada (USA)

Essa é a série que marcou um realinhamento dramático da emissora norte-americana USA e que apresenta de forma inesperada um drama que já nasce forte e que, no fim das contas, é capaz de entregar tudo aquilo que prometeu e superar todas as expectativas criadas. Estrelada por Rami Malek e Christian Slater, o drama hacker é ambicioso em termos narrativos, criativos e estéticos. Contemporânea, misteriosa, impactante e deveras viciante, Mr. Robot é o tipo de série “explode-cabeças” que há muito tempo não víamos. Foi a bola fora da curva do ano e a melhor estreia da summer season. [Leia a crítica]

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05. Sense8, 1ª temporada (Netflix)

Única. É a palavra que melhor descreve Sense8, essa maravilha que os irmãos Watchowski (The Matrix) colocaram no ar, também pela Netflix. Foi absolutamente surpreendente o esforço técnico e narrativo que culminou na experiência televisiva mais intrigante e emocionante do ano, e que evidencia a habilidade de seus realizadores em contar uma história com repercussões e ramificações mundiais (graças, inclusive, ao elenco global), numa trama que percorre com facilidade todos os continentes e transcende culturas graças à multiplicidade e simplicidade de sua temática. Essa é a melhor série que a Netflix pôs no ar até hoje. [Leia a crítica]

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04. Unbreakable Kimmy Schmidt, 1ª temporada (Netflix)

A comédia de Tina Fey e Robert Carlock trouxe um toque de frescor às comédias no ano que passou. Unbreakable Kimmy Schmidt é uma das séries mais adoráveis que estreou nas últimas temporadas e um grande acerto da Netflix ao “resgatá-la” da NBC. O roteiro ácido e sagaz, repleto de tiradas atuais e referências pop, aliado às performances hilárias de Ellie Kemper, Tituss Burgess e Jane Krakowski, fez desta uma comédia simplesmente imperdível. Além disso, ela traz uma mensagem positiva anti-abuso e de superação e do poder da mulher através da personagem forte que dá nome à série, algo que nunca é demais para ser reforçado na TV. [Leia a crítica]

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03. Fargo, 2ª temporada (FX)

Será que estamos no embrião de uma nova era de ouro da TV? Se depender de Fargo, sim. A série de Noah Hawley, adaptada do filme homônimo dos irmãos Coen, já teve uma primeira temporada acima da média, mas foi em seu segundo ano que a produção atingiu níveis… estelares. Ela prova, aliás, que o formato de “série limitada” pode funcionar muito bem quando empregado da maneira correta por seus realizadores, ao mesmo tempo apresentando arcos narrativos totalmente independentes, mas conectados de alguma forma. Contando com interpretações absurdamente inspiradas de todo o elenco, em especial Plemons, Dunst e Nick Offerman (Parks and Recreation) como o advogado bêbado Karl Weathers, Fargo já se tornou um dos melhores eventos televisivos do ano. [Leia a crítica]

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02. The Knick, 2ª temporada (Cinemax)

Ela é atual, relevante, tensa e imperdível. E se passa nos anos 1900. The Knick foi a melhor série de 2014 na minha opinião e aqui ganha a medalha de prata do ano, pois segue como uma produção completamente ciente do momento de transformação social que o mundo passa. Sabendo fazer o mesmo paralelo com a virada do século XIX pro XX, o drama de Steven Soderbergh é um primor da TV. A segunda temporada lidou com questões sociais, abordou o vício em drogas e o “complexo de Deus” do Dr. John Thackery (Clive Owen), mostrou o quão hostil era (é) o mundo para um médico negro (André Holland) e introduziu até mesmo um discussão sobre genocídio através das atitudes “bem intencionadas” do cidadão nova iorquino de bem, o Dr. Gallinger (Eric Johnson). Tudo isso enquanto desenvolvia o melhor drama médico que a TV já viu, com a técnica impecável de Soderbergh. Aquele final será tema de uma matéria em breve, mas foi de dar arrepios! [Leia a crítica]

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01. The Leftovers, 2ª temporada (HBO)

Não tivemos em 2015 uma série que se igualou ao que The Leftovers fez em termos de história, estrutura narrativa, forma e estilo. A segunda temporada distanciou-se completamente da obra que a originou e trouxe Damon Lindelof conduzindo com maestria os mistérios da trama da Partida Repentina, lidando, de várias formas, com a dor da perda. Foi uma mudança de ares que transformou a série e a catapultou para o posto de melhor drama do ano, extraindo em seu brilhante (e tortuoso) percurso as performances inspiradas e envolventes, em especial de Justin Theroux, Regina King, Carrie Coon e Christopher Eccleston. Foi também, de certa forma, a redenção absoluta de Lindelof após o criticado final de LOST, provando de uma vez por todas que este é um dos maiores storytellers de nossa geração. Tudo isso sem uma linha sequer que explique o mistério central da produção, mostrando o quão seguro e sólido foi o texto e toda a execução deste segundo ano. [Leia as críticas]

Menções Honrosas

Sim, eu sei. Faltou muita coisa. Mas abro aqui espaço para as menções honrosas de 2015 no mundo das séries e da TV.

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The Jinx

Não é uma série, mas digo sem qualquer ressalva que este documentário criminal da HBO foi a MELHOR COISA que vi na TV em 2015. São seis episódios que me colocaram na ponta do sofá e com direito a um final arrebatador. [Leia o texto]

Last Week Tonight

Continua sendo o maior acerto da HBO no ramo do jornalismo opinativo, superando Bill Maher e, em alguns casos, até mesmo Jon Stewart.

The Comedians

Uma pena que essa comédia com Billy Crystal e Josh Gad foi sumariamente cancelada pelo FX americano, já que além de trazer os dois excelentes comediantes, os trazia como versões de si mesmo numa sitcom metalinguística e com um humor peculiar, mas bastante irreverente.

You’re the Worst

É certo que essa comédia do FXX (que ano passado entrou no meu 10+) deu uma caída este ano, mas se destacou justamente por encarar o tema da depressão com muito bom humor, sem perder o cerne da discussão. Ah, e também trouxe Aya Cash em performances dignas de prêmios.

Review

É uma série diferente e obscura do canal Comedy Central (falei mais dela aqui), e que em sua segunda temporada foi ainda mais fundo nas “reviews” que Forrest McNeil faz e acaba afetando sua vida de maneira irreversível. Sempre me surpreendo o quão além dos limites a trama desta aparentemente descompromissada comédia pode chegar.

Bloodline

Em 2015 a família Rayburn nos hospedou nos Keys da Florida e chamou a minha atenção. Contudo, alguns episódios da temporada de estreia poderiam ter sido mais objetivos e sucintos, menos novelão. Estou muito curioso, contudo, para ver o que vão fazer na segunda temporada. Destaque absoluto para Ben Mendehlson, que roubou a cena.

Man Seeking Woman e BoJack Horseman

Relacionamentos são o tema de duas produções bastante peculiares e com narrativas bem distintas. Se você procura por algo diferente na telinha, essas acima servirão muito bem.

Daredevil e Jessica Jones

Eu sei, eu sei… “Por que essas não estão no seu top 10?!?!” Olha eu gostei MUITO das séries de heroi da parceria Netflix/Marvel. Elas representam um avanço absurdo aos SHIELD e Arrows da vida, mas não posso dizer que Daredevil Jessica Jones foram totalmente excelentes ou impecáveis porque não foram. Personagens ótimos, histórias interessantes, mas ali no meio tivemos vários episódios fillers e que davam voltas e voltas para chegar no lugar onde sabíamos que ambas iriam chegar. São séries divertidas e que trazem um approach bem mais real às séries de heroi.

The Affair

Eu quase coloquei esta série no Top 10 como fiz ano passado. Foi por pouco. O novo ano começou muito bem adicionando Helen e Cole como narradores de suas histórias, ampliando ainda mais nossa percepção daquele universo, mas em meados da temporada a produção deu um bela estagnada, com tramas paralelas bobas (como a da doença de estômago do garoto) para só então, nos capítulos finais, recuperar o controle dos rumos do caso Noah. Encerrou muito bem, aliás (falarei mais dela em breve).

UnREAL

Outra bela surpresa foi esta UnREAL, série do Lifetime sobre um reality de competição amorosa que é uma delicinha de ver. Cheia de intrigas, reviravoltas e momentos “WTF”. Novela em nível extremo, mas numa linguagem ágil e suficientemente interessante para que relevemos os diversos deslizes que comete ao longo dos 10 capítulos iniciais. Promissora.

Veep e Silicon Valley

Adoro estas comédias que fizeram temporadas satisfatórias, embora um pouco estagnadas. Ainda assim, fecharam várias semanas com chave de ouro lá no primeiro semestre.

True Detective

Não, não foi tão boa como a primeira temporada, mas longe de ser o desastre que muitos pintaram. Aparentemente nem todo mundo comprou a proposta repaginada de Nic Pizzolatto e essa quebra de expectativa desde o início foi o único grande erro da produção e da HBO. De restante, foi uma temporada acima da média de grande parte do que temos na TV, só não acima da média de sua primeira temporada.

Mad Men

Matthew Weiner encerrou com propriedade a série dos publicitários em Nova York. Foi um final ambíguo e aberto, mas que evidencia que a série foi coerente e fiel aos seus princípios até o fim. A publicidade venceu e revelou que toda experiência, por mais pessoal que seja, é apropriada, reprocessada e se torna algo vendável e universal.

Faltou falar de Game of ThronesHannibal, HomelandBates Motel, House of Cards, Orange, Orphan Black, The Walking Dead (e Fear), né? Pois é.

Curtiu? Não curtiu? Deixe sua opinião abaixo e monte a SUA lista dos 10+ do ano e até ano que vem!


[As 10 Melhores Séries de 2014] [As 10 Melhores Séries de 2013] [As 10 Melhores (e Piores) Séries de 2012]


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