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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | Creed: Nascido para Lutar

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Confesso: para mim, falar com distanciamento sobre um filme que envolva Rocky Balboa é um pouco difícil. Cresci vendo e revendo os filmes sobre o Garanhão Italiano na Sessão da Tarde, especialmente Rocky III – O Desafio Supremo, que além de trazer Rocky e Apollo Creed como aliados ainda conta com coadjuvantes de peso como Hulk Hogan e Mr. T (cujos personagens possuem os maravilhosos nomes Thunderlips e Clubber Lang, respectivamente). Assim, assistir a um filme como Creed: Nascido para Lutar apagando meu passado tão influenciado pela franquia é praticamente impossível. Mas vamos lá.

De modo geral, o filme segue a linha de Rocky Balboa (2006), fazendo uma conexão com o passado e aceitando seu envelhecimento (mais do que para a própria saga, isso serve também para o personagem Rocky e para o próprio ator/criador Sylvester Stallone). Creed bebe de tudo aquilo que veio antes, fazendo constantes referências ao universo do lutador nos cenários, locais icônicos, trilha sonora, elementos cênicos ou parentescos entre personagens, até mesmo exagerando um pouco nessa conexão entre eles, como se não fôssemos nos sentir em casa de outra forma.

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Acima de tudo, Creed apresenta um protagonista que convence – Adonis Johnson/Creed (Michael B. Jordan, de Parenthood e Friday Night Lights), fruto de um caso extraconjugal de Apollo, que nunca conheceu o pai, perdeu cedo a mãe e cresceu criando confusões. Seja devido a sua descendência ou a sua própria natureza briguenta, Adonis decide ir atrás do que considera a sua vocação, o boxe. Apesar de ser filho do campeão Apollo, quer construir seu próprio legado, e para isso procura Rocky para ser seu treinador e mentor.

Além do elenco principal, complementado por Tessa Thompson, que interpreta a cantora Bianca, o filme tem ainda como méritos a edição e fotografia durante as lutas, uma boa dose de leveza nos momentos cômicos e um Stallone em uma de suas melhores interpretações (que já rendeu a ele um Globo de Ouro de Melhor Ator no último domingo), apesar da dicção mais comprometida do que nunca (para quem não sabe, ele foi indicado ao Oscar de melhor ator em sua estreia no papel, em Rocky: Um lutador, de 1976). Sua atuação faz de Rocky um personagem ainda mais humano, com sua simpatia e simplicidade características, e que também tem um duelo pessoal para travar. Afinal, Rocky não é Rocky sem uma luta.

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É verdade que o roteiro aposta mais na familiaridade do que na inovação, seguindo a tradição “motivacional” da franquia. Rocky sempre se tratou de superação, de esforço, de recompensa através do trabalho árduo (e isso nem sempre significa vencer o outro, pode ser vencer a si mesmo, ultrapassar suas limitações ou simplesmente buscar respeito e dignidade acima de tudo). Também colocou constantemente em conflito a simplicidade e honestidade daqueles que não possuem condições X os privilegiados, os azarões X os campeões (o exemplo mais claro é em Rocky IV: enquanto Balboa treinava com suas corridas pelas ruas, agachamentos com troncos de árvores e perseguição de galinhas, Drago tinha a tecnologia a seu lado para aumentar ao máximo sua capacidade). Creed não é diferente, colocando em lados opostos do ringue um iniciante, Adonis Johnson/Creed (Michael B. Jordan), e um campeão consagrado, Ricky Conlan (Tony Bellew).

É um bom filme, que reverencia a história de Rocky ao mesmo tempo em que aposta na mudança e na atualização. É nostálgico, mas dá uma nova roupagem para o que é clássico (já que outro personagem repetir a subida à escadaria em frente ao Museu de Arte da Filadélfia ou ter como trilha sonora o mesmo tema de Rocky seria praticamente uma heresia). Nessas releituras, o filme nem sempre acerta, talvez por forçar demais “o raio modernizador”. Mas a única coisa que realmente lamento é que o filme não siga a tradição estabelecida nos velhos tempos, que traduzia Creed, o sobrenome de Apollo, como Doutrinador. Podem me chamar de nostálgica, mas eu achava um grande nome.

4star

PS: Reparem no filme que os personagens estão assistindo em determinado momento. É rápido, mas dá para pegar a referência. :-)

Uma resposta para “Crítica | Creed: Nascido para Lutar”

  1. adrianotenorio disse:

    Realmente, lembro que quando assisti Rocky ouvir falar do “Doutrinador” Apollo já impunha respeito! As traduções agora seguem a cartilha do marketing globalizado dos estúdios, uma pena. Pra mim a fada do Peter Pan será sempre a Sininho (Tinker Bell o caramba!), o burrinho do Ursinho Puff é o Bizonho, Superman era o Super-Homem mesmo,…

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