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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | O Regresso

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Como vimos em Babel, Biutiful e até mesmo no multi-oscarizado Birdman, o diretor mexicano Alejandro González Iñárritu possui alguns temas recorrentes em seus filmes: vidas convergentes, diferenças culturais, perdas, solidão, pessoas fisicamente próximas e emocionalmente separadas. Em O Regresso não é diferente. O filme, que tem 12 indicações ao Oscar deste ano, acompanha a expedição de uma equipe de caçadores em um território americano habitado por diversos inimigos.

Nessa expedição está Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), que sofre um violento ataque de um urso e é deixado para trás pelo grupo, resultado da malevolência e das traições de John Fitzgerald (Tom Hardy). Desse momento em diante, seguimos não apenas a luta de Glass por sobrevivência contra condições extremas, frio rigoroso e seus ferimentos, mas também sua busca por vingança.

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Como já era antecipado, DiCaprio se entrega ao papel e oferece uma ótima atuação, preponderantemente física e ancorada em olhares, expressões, grunhidos desesperados e andar vacilante. O ator, que está concorrendo ao Oscar pelo filme, já havia afirmado que foi o trabalho que mais o exigiu até hoje, e não precisamos de muito tempo para entender e concordar com a afirmação. A torcida para DiCaprio levar a estatueta este ano é enorme, e acredito que desta vez as chances são maiores do que nunca: é a sua atuação menos ancorada em seu reconhecido charme.

Porém, se já estávamos contando com um trabalho competente do protagonista, temos de outro lado Tom Hardy surpreendendo e, de certa forma, causando a maior impressão. O ator inglês rouba a cena com uma grande atuação que foi indicada ao Oscar, erguida sobre diálogos fortes que ajudam a construir um vilão amoral e, por isso, imensamente humano.

Muito se fala sobre a cena do ataque do urso, e ela é realmente brutal. Mas Iñárritu, apreciador das relações pessoais, espelha essa brutalidade animal na crueldade tipicamente humana. Os embates presentes no filme são ampliados pela direção dinâmica e a trilha pungente. Já os lindos cenários, fotografia, edição e mixagem de som são fundamentais para criar o clima de crueza e desolação do filme. Outros quesitos técnicos do filme também são dignos de nota, como o figurino e maquiagem.

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É por isso que eu recomendo a vocês: assistam a O Regresso em uma tela grande, bem grande, para aproveitar ao máximo o seu impacto visual. Vocês sairão exaustos do cinema, se contorcerão com as lutas do protagonista e terão uma experiência intensa, quase imersiva. Não tem como sair indiferente ao filme, e isso é o seu maior trunfo.

4star

2 respostas para “Crítica | O Regresso”

  1. Carlos Teles disse:

    Faz meia hora que saí do cinema mas ainda estou extasiado. Que belo filme.

  2. Anderson Lima disse:

    Que filme chato! Se arrasta pelas suas mais de duas horas e meia de duração. E não temos nada de novo. Um cara é deixado pra morrer na mata e luta pela sobrevivência, para poder matar o vilão da história. Concordo que a atuação do DiCaprio foi fenomenal, mas bem por isso salva o filme. Que sono.

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