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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Vinyl é a primeira grande série do ano

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[Texto sem spoilers] Com apenas dum episódio estendido de duas horas já é possível antever que Vinyl está para a indústria musical assim como Mad Men esteve para a publicidade. Ela ao mesmo tempo romantiza e desconstroi conceitos deste meio, trazendo uma visão interna e viva direto do epicentro de seu auge. Além disso, representa um casamento simbiótico entre a direção de Martin Scorsese, o roteiro de Terrence Winter e a produção de Mick Jagger. É a threesome perfeita da TV.

Richie Finestra (Bobby Cannavale), é o fundador e presidente da gravadora American Century Records que, no agitado ano de 1973, começa a perder esperanças na indústria musical quando sua empresa está sob a ameaça de ser vendida para o grupo alemão PolyGram. Num contexto onde a recessão econômica favorece o surgimento de novos ritmos vindo dos guetos e a proliferação de casas de show e discotecas, o desafio de Finestra é o de encontrar a salvação de sua empresa, enquanto enfrenta diversos demônios pessoais, entre eles o que fez com o talentosíssimo cantor Lester Grimes (Ato Essandoh) durante sua trajetória ascendente nos anos 60.

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Assim, a escolha de Scorsese para dirigir o intenso piloto de duas horas é ideal para dar o tom do restante da série. Não à toa seu passado comandando grandes exemplares de filmes de gângsters encaixa-se perfeitamente com o tema de Vinyl, que envolve os obscuros acordos de bastidores e uma constante queda de braços de gigantes do mundo da música. Ele comanda todos os 120 minutos do piloto com absoluto vigor e energia, tornando este um de seus melhores e mais marcantes trabalhos do alto de seus 73 anos.

À frente da tela está Bobby Cannavale, um dos melhores intérpretes de nossa geração, que aqui se entrega totalmente ao papel. Enérgico, estourado e muitas vezes inconsequente, Finestra é a personificação do sujeito inquieto e inconformado, que é capaz de absolutamente tudo para se tornar o melhor. Liderando um time de figuras pitorescas (que inclui personagens de Ray Romano, PJ Byrne e a ótima Juno Temple) na American Century Records, Finestra está à beira de uma crise pessoal que é amplificada por acontecimentos marcantes (não darei spoilers). Já sua esposa, a bela Devon (Olivia Wilde), está afastada dessa “vida” e funciona como uma espécie de âncora moral.

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É aí que a produção de Mick Jagger, que vivenciou de perto toda essa montanha-russa musical do primeiro carrinho, traz a contextualização de época que torna Vinyl imperdível, abordando não só as questões sociais (como a segregação de negros e a libertação feminina), como também conferindo um acesso VIP aos bastidores da música. Assim, não raramente veremos referências a artistas, bandas, músicas e acontecimentos reais, que misturarão com a ficção graças ao orgânico roteiro de Terrence Winter.

Vinyl já pode ser considerada a primeira grande série do ano, além de mais um grande acerto da HBO. É uma adição obrigatória ao calendário de todo fã de uma boa história na TV.

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Vinyl estreia neste domingo 14 de fevereiro à meia-noite na HBO. Os demais capítulos irão ao ar todo domingo no mesmo horário, com reprises ao longo da semana e também na plataforma online HBO Go.

11 respostas para “Crítica | Vinyl é a primeira grande série do ano”

  1. Richard Schuler disse:

    Após a estreia da série ontem, uma duvida paira (SPOILER): Na cena prédio caindo, é sério que o Richie sobreviveu ou aquilo tudo não passou de alucinação pro causa dos “entorpecentes”?

  2. Gil Neto disse:

    pensei a mesma coisa, acho que é mais uma coisa da cabeça dele sei la…

  3. Richard Schuler disse:

    Pode crê. No fim, 4 pessoas morreram, de acordo com a reportagem. Bom, espero que nos próximos episódios, essa cena seja explicada e que tudo não passe de uma alucinação do protagonista. Caso contrário, o Scorsese deu uma “viajada” legal fazendo o Richie sair ileso dos escombros.

  4. Cidinha Morelli disse:

    Na hora pensei isso também

  5. †akezo disse:

    Achei que seria ruim,mas gostei muito desse primeiro episódio.

  6. Douglas disse:

    Nao sei se Mick Jagger seria o indicado para consultor,até porque ele viveu mais o lado inglês da cena,de restante ótima série,pena que quem fez as legendas nao esta acostumado com os termos e fez tudo ao “pé da letra”…..

  7. Rodolfo disse:

    Grande? Grande mesmo só o piloto. Duas horas intermináveis.

  8. Alan disse:

    O segundo episódio foi bem fraco. O primeiro já foi mediano.

  9. Miguel Mascarenhas disse:

    Não foi alucinação e ela não será explicada. É aquilo lá mesmo.

  10. André Anlub® disse:

    Está sendo uma das melhores séries que já vi!

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