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Por: André Costa

Crítica | Vinyl 1×09: Rock and Roll Queen

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[com spoilers do episódio 1×09] Fica bem claro que o papel de Rock and Roll Queen é deixar Richie na sarjeta antes do décimo (e último) episódio da temporada, o clímax. E consegue. Chega a ser um lance quase iñarritunesco, na época que o Iñarritu ainda usava planos curtos, pois a impressão é que o protagonista se encontra meio que sozinho na praia de Omaha em 1944. Mas este pré-clímax precisa também esclarecer conceitos e relacionamentos, o que acaba sacrificando o ritmo do episódio e escoando em diálogos desnecessariamente didáticos.

Como assistência para o season finale, então, Rock and Roll Queen faz o seu papel: coloca uma ação bem delineada para Richie escapar da cadeia (dedurar Galasso), estabelece o disco dos Nasty Bits como quase sendo parido (a salvação da American Records), adiciona um obstáculo à banda (a própria Jamie), bota Devon a par das coisas e desnuda Richie na frente dela (metaforicamente falando, claro). As situações estão chegando ao limite, acontecem bastante eventos desnorteadores, e, no geral, a história é empurrada para frente de forma orgânica.

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Paralelo a isso, temos detalhes importantes que ajudam a revelar um pouco mais sobre as personagens – literalmente, no caso de Devon, já que os filmes não revelados e encaixotados são um simbolismo de como sua vida artística ficou estagnada após o casamento. Lester é outro que, abandonando Richie em um impulso, informou ao público o quanto a situação da American Records está semelhante a uma pessoa cujo rosto foi arrastado pelo asfalto a cem quilômetros por hora. Isso não aconteceu de uma hora para outra: Vinyl investiu tempo desenvolvendo as situações e agora está colhendo seus frutos.

Há espaço também para grandes momentos incríveis envolvendo o mundo musical, como as fotos do Nasty Bits (embora os bastidores musicais sejam um pouco mais escassos aqui), ou apenas momentos incríveis, como Richie e o fotógrafo realizando um ballet pós-moderno para matar um morcego. Uma das coisas que mais gosto na série é como consegue criar cenas inusitadas dentro de um universo que possui uma abordagem mais crível, mais real, sem que elas destoem. Além disso, continua aquele cuidado caprichado na produção, que se preocupa em mostrar o protagonista em um lugar mais alto quando encontra os filhos (como se aquele momento fosse acima de sua vida atual), que veste Devon com roupas mais leves depois da separação, entre outros. Pequenos detalhes que enchem Vinyl com muita riqueza audiovisual.

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O problema é que Rock and Roll Queen por vezes para, puxa a tela do projetor, coloca um PowerPoint para rodar e decide dar uma palestra sobre o que está acontecendo. Andrea não só explica detalhadamente algo que havia ficado subentendido (a gravidez) como expõe o provável conflito dos Nasty Bits (mas expõe a ponto de quase mandar um nude), enquanto Julie age quase como um manual de roteiro ao mandar Richie procurar Devon – e mesmo a conversa final acaba soando expositiva, apesar da ótima atuação do casal (e que mulher ridiculamente bonita é a Olivia Wilde).

Ainda nessa questão, o que mais incomoda é o “Você não se importa com ninguém” que Zak desfere ao protagonista junto com alguns argumentos fortes e no formato de socos. Menos pela frase em si – desnecessária, mas ok -, e mais pela situação: além da solução forçada de como o amigo fica sabendo da mentira, a cena “libera” Richie do que ele havia feito em The King and I. Sim, o sujeito precisa enfrentar as consequências, só que isso coloca uma certa justiça na atitude, algo que cria u equilíbrio entre o acontecido e a punição. Aquela sensação de que Richie atingiu patamares bíblicos de egoísmo se dissipa porque, vá lá, ele não saiu ileso, o crime não compensa, a bola pune, o karma vai pegar você. Buscando ter outro motivo para isolar o produtor, Rock and Roll Queen acabou não percebendo que jogar a verdade à tona acabou retirando de Richie uma das características que mais o definiu na temporada.

4stars

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