Vem aí uma nova greve dos roteiristas que pode parar Hollywood

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O Sindicato dos Roteiristas dos EUA, o WGA, acabou de pedir uma autorização a seus 12.000+ membros para iniciar uma nova greve. O impasse deriva de negociações frustradas com a Aliança de Produtores de Filmes e Televisão, que quer cortes nos planos de saúde do Sindicato. Produtores culpam a diretoria do Sindicato de interromper as negociações abruptamente.

Segundo o Sindicato, os Produtores queriam uma redução de 10 milhões de dólares nos planos, bem como outros cortes que, a partir de agora, deveriam ser repostos com a própria remuneração dos roteiristas, e não mais subsidiados. O Sindicato classificou isso como “medida draconiana” e “inaceitável’. O contrato atual entre as entidades encerra-se dia 1º de maio, 10 anos após a greve de 2007.

A Diretoria do Sindicato alega que a Aliança de Produtores registra lucro recorde de 51 bilhões de dólares anualmente e que por isso não vai ceder. A votação ainda não tem data exata pra acontecer, mas deve ocorrer nas próximas semanas. Se aprovada a greve, Hollywood praticamente para.

A grande greve de 2007

Muitos talvez não se lembrem, mas no ano de 2007 tivemos uma grande greve que estancou a produção. Na época o motivo era justamente o repasse de valores a roteiristas referente à transmissões via streaming, até então experimentais e que, segundo a Aliança, não geravam receita significativa. Os roteiristas queriam um repasse pela transmissão de programas, filmes e séries em plataformas digitais como sites e aplicativos, anos antes da Netflix surgir.

As partes, então, encerraram as negociações (tal como está acontecendo agora) e os membros formaram piquetes na porta de canais e estúdios como forma de pressionar para um acordo. A greve de 2007 parou a indústria do entretenimento por 100 dias e causou prejuízos da ordem de bilhões de dólares para o mercado.

Os efeitos da greve

Com roteiristas parados, Hollywood e toda a produção nos EUA praticamente para. Séries, filmes, talk-shows e até programas de variedade não podiam continuar no ar, pois dependiam e dependem exclusivamente de roteiros. Poucos profissionais furaram os piquetes. Muitas séries já garantidas para uma temporada completa simplesmente tiveram que cortar o número de episódios e encerrar temporadas sem finalizar arcos dramáticos em andamento.

Algumas das atrações afetadas foram LOST (4ª temporada), Prison Break (3ª temporada), Breaking Bad (teve a 1ª temporada com número de episódios reduzida), Grey’s Anatomy (4ª temporada reduzida à metade, gerando toda a confusão com Katherine Heigl e sua saída) e muitas outras. Algumas tiveram inclusive temporadas inteiras adiadas como Battlestar Galactica24EntouragePrivate PracticePushing Daisies. O aguardado spin-off de Prison Break, intitulado Prison Break: Cherry Hills, jamais chegou a sair do papel. Filmes em desenvolvimento pararam e só aqueles que já estavam com o roteiro 100% entregue puderam ser produzidos.

A greve também gerou a proliferação de reality-shows, game shows e realities de competição. Isso porque esses programas são classificados como “não-roteirizados” e não exigem um membro do WGA para serem produzidos. Foi uma greve que mudou e moldou Hollwyood como temos hoje e os efeitos de uma nova greve na era do “too much TV” pode ter repercussões ainda maiores, já que estamos no ápice da produção audiviosual.

About Post Author

Bruno Carvalho

é crítico e especialista em TV, tradutor, advogado e fã de séries desde que foi fisgado por Friends em 1994 e hoje é o editor-chefe do site de séries mais seguido do Brasil! Contato: [email protected]
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