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Por: Allan Verissimo

Crítica | Game of Thrones 7×07: The Dragon and the Wolf traz um belo final de temporada!

Chegamos ao final de mais uma temporada de Game of Thrones – provavelmente, a mais polêmica entre a crítica e os fãs. Após um episódio visualmente espetacular, mas com um roteiro que dependia de conveniências  para mover a trama, o sétimo ano do drama da HBO encerrou-se com um episódio que retorna para a suas raízes, menos focado no espetáculo e mais naquilo que a série sabe fazer de melhor: as interações entre os seus fascinantes personagens e os jogos políticos.

Escrito pelos showrunners David Benioff e D.B. Weiss e dirigido por Jeremy Posdewa, “The Dragon and the Wolf” (“O Dragão e o Lobo”) iniciou-se com uma sequência que ocupou metade do episódio (o mais longo da série, com 79 minutos) e trouxe a esperada reunião de dezenas de personagens principais no Fosso dos Dragões. A impressão que ficou é a de que todas as longas conversas que estavam fazendo falta nos episódios anteriores foram reservadas para este. Mas nesse caso, o foco principal do roteiro nos diálogos trouxe muito mais benefícios do que problemas no ritmo.

É realmente difícil escolher um momento favorito nessa sequência: começando pelo reencontro amável de Tyrion com seus ex-parceiros Podrick e Bronn, de Sandor com Brienne e o irmão Montanha, Brienne e Jaime (para os ciúmes de Cersei, numa divertida cena não-verbal), passando pela entrada triunfal de Daenerys em seus dragões, culminando na revelação do morto-vivo. Por alguns instantes, pareceu que a honra (burrice) de Jon iria arruinar tudo e tornar esse primeiro ato do finale um desperdício de tempo, mas isso resultou num belo confronto entre Tyrion e Cersei que os espectadores esperavam há muito tempo. Peter Dinklage e Lena Headey entregaram as melhores atuações de toda a temporada ao relembrarem as trágicas consequências das suas ações com dor e amargura, o que deve resultar na Emmy Tape de ambos no ano que vem.

Era óbvio que Cersei não iria cumprir a sua palavra, e os roteiristas não demoraram para revelar a verdadeira intenção da Rainha. É natural que a personagem esteja tão desequilibrada mentalmente a ponto de não perceber o quão aterrorizante é a ameaça dos Outros para Westeros, e seria forçado ver a personagem mais vilanesca da história deixar as diferenças de lado para ajudar os heróis. Jaime, porém, é um caso diferente. Após anos servindo apenas como capacho da irmã, finalmente ele tomou um último choque de realidade e decidiu abandoná-la, apesar do filho que esperam. A cena na qual ela o ameaça com o Montanha foi mais um dos grandes momentos que a série pode nos proporcionar, pois era realmente possível que esse seria o fim de Jaime, e de uma maneira ainda pior do que a sua cavalgada contra o dragão. O detalhe da neve finalmente chegar em Porto Real após o rompimento dos dois também foi marcante. Resta apenas saber qual será a função de Cersei (e da Companhia Dourada, o grupo de mercenários de Essos que ela contratará) na temporada final: será que planejam deixá-la por último, mesmo após a guerra contra os Outros?

O mesmo pode ser dito sobre a trama de Theon. A conversa dele com Jon Snow, na qual ele finalmente consegue o seu perdão e a sua confirmação como “Greyjoy e Stark” foi belíssima, culminando no arco de redenção que o personagem necessitava desesperadamente desde a segunda temporada.

Em contrapartida, os roteiristas brilharam na conclusão do arco de Winterfell, que era considerado o mais problemático da temporada. Isso significa que Arya e Sansa personagens não regrediram em seu desenvolvimento. O que importa, contudo, é que Mindinho, que já estava ocupando um espaço desnecessário há muito tempo, e despediu-se da série. Méritos devem ser dados para a atuação de Aidan Gillen, que conseguiu conferir um tom de humanidade nos instantes finais do vilão que iniciou a Guerra dos Cinco Reis e encontrou um patético e merecido final pelas mãos das filhas do casal que ele tanto prejudicou.

Também tivemos uma segunda confirmação de que Jon é filho de Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark, numa cena muito bem montada que conseguiu seu intuito de causar estranhamento no espectador ao intercalar a revelação com o encontro de Jon e Daenerys (por mais mal desenvolvido que toda a trama do casal tenha sido, há de se admitir que o tema musical composto por Ramin Djawadi é lindo). Resta esperar para saber quais serão as repercussões da revelação; como isso irá interferir na questão envolvendo a sucessão ao trono e a dinâmica amorosa entre Daenerys e Jon, respectivamente, tia e sobrinho. É um material delicado que precisa ser trabalhado com cuidado pelos roteiristas para não parecer novelesco demais.

Já a última cena da temporada trouxe mais um show de efeitos visuais e o Rei da Noite finalmente derrubou a Muralha com o seu novo Dragão de Gelo e a atravessou com o exército dos Mortos. Isso abre uma pergunta óbvia: como exatamente o Rei da Noite planejava atravessar a Muralha sem o dragão? Teria ele o mesmo dom de prever o futuro, como Bran?

Dito isso, apesar dos seus altos (grandes cenas de ação, ótimos diálogos) e baixos (teletransportes forçados, conveniências absurdas), essa foi mais uma temporada bastante eficiente de Game of Thrones. É possível que a série somente retorne com a sua temporada final em 2019. Se isso se confirmar, será uma longa espera…

ss