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Por: Allan Verissimo

Crítica | Game of Thrones avança em 7×05: Eastwatch

Após a montanha-russa de emoções que foi “The Spoils of War“, era inevitável que Game of Thrones iria diminuir o ritmo e mostrar os movimentos das peças e jogadores após a estrondosa derrota que os Lannisters sofreram nas mãos de Daenerys. O ritmo mais travado, curiosamente, não refletiu na quantidade de viagens e acontecimentos importantes, o que resultou numa montagem mais ágil e que permitiu que os eventos fossem condensados, imprimindo um tom de urgência necessária na reta final da temporada.

Era óbvio que os roteiristas não iriam matar Jaime e Bronn à essa altura da trama, pelo menos não sem antes terem um confronto verbal com Tyrion e Daenerys. Enquanto vemos a dupla convenientemente escapando do cenário onde ocorreu o massacre, Daenerys continuou mostrando que está disposta a usar da violência e brutalidade para conquistar Westeros, para a crescente aflição de Tyrion. Executar inimigos que recusam sua autoridade é uma coisa, mas executá-los queimando-os vivos é outra consideravelmente diferente. A sorte é que tanto o espectador quanto Tyrion e Varys sabem que Daenerys, mesmo sendo filha do Rei Louco, continua sendo a melhor opção para Westeros comparado com a monstruosidade da sua rival Cersei.

Em Winterfell, enquanto Bran vê a marcha dos White Walkers (que convenientemente não chegam nunca), Mindinho aproveita a rixa entre as irmãs Starks para fazer aquilo que sabe fazer de melhor: caos. Para quem não lembra, a carta em questão é a que Sansa enviou na primeira temporada para a família, implorando para que eles se submetessem aos Lannisters. O detalhe ausente, e que Mindinho obviamente está explorando, é que Sansa foi forçada por Cersei para escrever a carta. À essa altura, está claro que os roteiristas só não mataram Mindinho porque precisavam de alguma fonte de conflito no núcleo do Winterfell. Caso contrário, nada aconteceria e não haveria motivo para visitarmos os Starks sobreviventes. É realmente irônico ver o homem que causou o início da Guerra dos Cinco Reis sendo agora forçado a criar brigas infantis entre duas adolescentes. Também espero não ver Arya e Sansa caindo facilmente nessa armadilha. Arya treinou durante duas temporadas com os Homens sem Rosto e deveria aprender a distinguir mentiras, ao passo que Sansa já está ciente há anos da falsidade do aliado. Some-se a isso a presença de Bran, que agora pode ver tudo, e é possível concluir que Mindinho dificilmente sobreviverá a essa temporada.

Já na Cidadela, Sam finalmente perde toda a paciência com os meistres e decide voltar para o Norte. Confesso que até esperava que iria ocorrer mais cedo. Por um lado, há de se dar razão à esses homens que prezam pela razão e que não viram as mesmas coisas que Sam, Jon e o espectador viram. Por outro, a atitude deles de simplesmente esperar e não fazer nada é digna de reprovação (e que infelizmente, está acontecendo cada vez mais no mundo real). Assim sendo, é bem-vinda a ironia da simplória Gilly ser a responsável pela descoberta do documento que pode confirmar que Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark eram casados, ao invés do esclarecido Sam (o que significa que teoricamente, Jon teria mais legitimidade ao Trono de Ferro do que Daenerys). Essa informação provavelmente retornará em breve, considerando que Sam não deu atenção à ela por enquanto. Também me questiono como o personagem irá reagir ao descobrir que seu pai e seu irmão foram brutalmente mortos pela nova aliada do seu melhor amigo. Sabemos que Sam não gostava do pai, mas isso não significa que ele deveria ficar feliz com essa notícia. É algo que pode render desenvolvimentos interessantes e que espero que seja abordado nos próximos episódios.

E por falar no bastardo de Winterfell, este finalmente teve a chance de interagir melhor com os dragões de Daenerys numa bela cena que comprova o avanço dos impecáveis efeitos visuais da série (inclusive, o episódio foi repleto de referências à verdade por trás dos pais de Jon). Jorah retornou e teve uma tocante interação com Daenerys e Tyrion, mas acabaram não tendo tempo para mais nada após a concepção do plano mais imbecil que Westeros já viu: ir Além da Muralha e capturar um wight, para assim terem uma prova da existência dos mortos-vivos e convencer Cersei a se aliar à eles. O que pode dar errado, não? (Já começa pelo furo mais óbvio: COMO exatamente eles planejam capturar essa criatura e levá-la até Porto Real?) Há de se admitir que há um precedente para isso nos livros: Jeor Mormont enviou Alliser Thorne para Porto Real com a mão de um wight, esperando que isso convencesse os Lannisters, mas até o personagem chegar na cidade, a mão já tinha apodrecido. Em A Dança dos Dragões, Jon aprisiona alguns cadáveres na Muralha, esperando pelo momento em que eles ressuscitarão. Então, pode-se dizer que a série apenas pegou essa premissa e a desenvolverá de uma maneira mais hollywoodiana.

Em Porto Real, tivemos um reencontro bastante esperado e um retorno inesperado. Tyrion andava apagado desde que se uniu à Daenerys e tornou-se um coadjuvante no seu núcleo, mas sua cena com Jaime foi provavelmente a sua melhor e mais emocional desde o final da quarta temporada. Emmy Tape do Peter Dinklage, com toda certeza. Nikolaj Coster-Waldau também teve a sua chance de brilhar nesse encontro amargo dos dois irmãos, assim como no momento em que descobre que Cersei está grávida (supondo que isso não seja uma mentira, eu duvido muito que o bebê chegue a nascer, considerando a profecia de Maggy a Rã na quinta temporada).

Já Gendry era o último dos personagens supostamente importantes que havia sumido no decorrer da série, e confesso que houve uma época na qual eu duvidava do seu retorno. Mas ele está de volta, e deve haver um bom motivo para isso. Suas interações com Davos e Jon (que supostamente é o bastardo do melhor amigo de seu pai) são momentos humanos raros em um universo tão cínico. O que nos leva ao desfecho do episódio, que culmina com a formação da versão Westeros do Esquadrão Suicida (e que promete ser mais empolgante que o filme da DC). Nesse caso, é óbvio que alguém terá que morrer na jornada em busca do wight. Jon está fora de cogitação, e acho improvável que o Cão morra sem antes ter a chance de reencontrar Sansa e Arya. Tormund ainda pode sobreviver pelo fato de ser o único personagem importante do núcleo dos selvagens.

Em contrapartida, a Irmandade sem Bandeira está fedendo à red shirt, ao passo que Jorah pode encontrar um final trágico após se despedir de Daenerys e Tyrion. E é claro, Gendry voltar apenas para morrer no episódio seguinte é o tipo de coisa que poderia ocorrer na série (é só lembrar do caso da Osha).

No geral, um bom episódio de transição para os dois últimos, que prometem trazer eventos grandiosos.

2 respostas para “Crítica | Game of Thrones avança em 7×05: Eastwatch”

  1. Otavio Larsen disse:

    A situação do Mindinho até o momento me parece um possível ponto chave de mudança no núcleo de Winterfell… Considerando q Cersei o considere um traidor, o q impediu ela até agora de mandar um corvo pro norte – ou mesmo os “passarinhos” de Qyburn – divulgando a participação de Baelish na captura de Ned?

    Lembrando q a meta dele é o trono de ferro, de alguma forma ele vem conseguindo manter o jogo duplo.

    E na conversa de Jaime e Tyrion, a sutileza com q Nicolau demonstra desconhecer os planos de Tyrion foi sensacional.

  2. Bruno Xavier disse:

    Talvez porque não é tão interessante pra Cersei contribuir de alguma forma pros Starks que são seus inimigos e conhecendo o Mindinho como ela bem conhece sabe que ele é uma ameaça melhor viva envenenando os Starks com seus jogos e mentiras, como ele está tentando fazer.

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