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Por: Fernanda Talarico

Crítica | Five Foot Two é um retrato intenso da mulher por trás de Lady Gaga

Cher, diva do pop, disse em uma de suas apresentações de sua Farewell Tour que nenhuma outra cantora chegaria ao mesmo patamar ao qual ela chegou. Citou Britney Spears, Christina Aguilera, J-Lo e outras que poderiam tentar, mas não conseguiriam. O que Cher não sabia é que apareceria sim alguém à sua altura e que seria cultuada pelos mesmos fãs. Cher não previu o fenômeno Lady Gaga (e claramente se esqueceu de Madonna).

Com o lançamento do álbum Joanne no ano passado, Gaga foi a personagem do documentário Five Foot Two (sua altura e um blues da década de 20) e aproveitou para mostrar alguns dos momentos mais íntimos de sua vida. O filme da Netflix acompanha a cantora por 8 meses levando o espectador de pontos altos de êxtase a momentos de dor e tristeza, sob o olhar de Chris Moukarbel (Bansy Does New York)

Para os fãs irados e inconformados com o recente cancelamento do show no Rock in Rio, o documentário vai evidenciar a realidade de seu esgotamento físico. Vítima de fibromialgia, Gaga sofre – não raramente – de momentos intensos de pura dor física.

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Adotando o formato cinema verité, que muitas vezes parece um reality show, Gaga não esquece que a câmera está o tempo todo com ela e isso traz à tela momentos genuínos e outros que, inevitavelmente, parecem ensaiados para as lentes.

Um deles é a resposta às críticas de Madonna, em que a estrela do documentário aproveita para dar seu recado à potencial “rival” musical. Porém, há também registros interessantes: os problemas vivenciados durante a gravação da sexta temporada de American Horror Story e o intenso ensaio da sua tão esperada apresentação durante o Super Bowl, que inclusive remete ao perfeccionismo exibido por Michael Jackson em This is It.

Há também instantes em que conseguimos enxergar a mulher simples por trás do mito, seja quando ela vai até uma loja questionar o gerente o motivo de seu novo disco não estar na prateleira de lançamentos ou quando relembra sua falecida tia – a Joanne original – que fora homenageada no mais recente álbum da cantora.

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Five Foot Two documenta cronologicamente o dia a dia da cantora, porém sem parecer um extra de DVD. A impressão que o documentário deixa é a de que Gaga é sentimental, além de muitas vezes parecer segurar o mundo sozinha nas costas. Sem maquiagem e com moletom, ela aparece chorando com a avó, alimentando seus cachorros e até lamentando sua solidão ao fim do dia: “as pessoas me tocam o dia inteiro, mas à noite não tem ninguém comigo”.

Lady Gaga, assim, acaba se despindo emocionalmente diante das câmeras à medida em que o documentário avança. Mesmo com seus 1,57cm, Gaga cresce exponencialmente quando sobe em um palco como poucos artistas conseguem. Além de ser um prato cheio para os Little Monsters, Five Foot Two traz um registro íntimo e peculiar da estrela e que demonstram, no fim das contas, que Cher estava errada.

Lady Gaga é um fenômeno mundial indiscutível, defensora das minorias e da liberdade individual. Five Foot Two te dá a certeza de que Stefani Joanne vai além de uma excelente intérprete e de uma pitoresca personagem. 

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