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Por: Bruno Carvalho

Crítica | The Orville é um péssimo começo para a Fall Season

Seth MacFarlane é o midas da animação. Seu talento para vozes é admirável. Porém toda vez que vemos o produtor, diretor e roteirista saltar dos traços do desenho para o mundo de carne e osso, o resultado é pouco ou nada atrativo, como no caso de Ted 2 (o primeiro é bom), Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola e na recente e desastrosa The Orville, série que estreou no dia do Emmy e abriu a temporada 2017/2018 com o pé esquerdo.

Na produção espacial que satiriza (?) Star Trek, MacFarlane é o capitão Ed Mercer e nós o conhecemos bem no dia em que ele chega em casa e descobre sua esposa Kelly (Adrianne Palicki, Agents of SHIELD) com um amante na cama – neste caso, um ser azul de outro planeta. Logo, a comédia (?) faz um salto temporal de um ano, quando reencontramos o obstinado herói finalmente sendo promovido e recebendo a missão de comandar a nave que dá nome a série.

Daí em diante, The Orville é uma produção completamente previsível, a começar pelo fato de que, por óbvio, a posição de “Segundo Oficial” que faltava para ser ocupada foi para sua agora ex-mulher (algo que é apresentado como uma grande reviravolta). É aí que conhecemos também um punhado de personagens secundários e sem graça cujo único objetivo é servir de escada para piadas e situações do monotemático roteiro que não sai do típico e cansativo “humor do desconforto” (aliás, a única coisa que prestou foi a ponta que Jeffrey Tambor, de TransparentArrested Development fez no capítulo de estreia).

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Questionei o motivo desta produção ser uma comédia ou uma sátira de Star Trek, pois em muitos momentos ela se posiciona mais como um drama besta envolvendo Ed e a esposa e jamais referencia a lendária franquia que também retorna à TV esta temporada, a não ser pelas roupas coloridas, androides e aliens.

Mas o grande problema de The Orville é MacFarlane atuando em frente a uma câmera, o que é diametralmente oposto a sua desenvoltura atrás de um microfone. Inseguro e claramente desconfortável no papel, ele jamais consegue transmitir a seriedade e sinceridade no seu personagem, algo que uma paródia ou sátira exige para funcionar, como, por exemplo, o lendário Leslie Nielsen fazia em seus filmes ou como o próprio William Shatner, o capitão Kirk, evocou em Boston Legal.

Pra piorar, a qualidade dos efeitos visuais da atração é irregular, funcionando de forma razoável aqui e ali, mas falhando miseravelmente na maior parte do tempo, especialmente quando precisa mesclar live action com elementos digitais (uma nave pousando, um alien em CGI etc).

Decidi ver, além do fraco piloto, também o segundo episódio, mas o resultado é que The Orville é uma comédia sem timing e uma série espacial sem qualquer inventividade, que apenas denota que seu realizador deveria sair de vez do mundo real e mergulhar de vez nos seus desenhos animados.

The Orville está em exibição pela TV norte-americana pelo canal FOX. No Brasil nenhum canal anunciou a sua transmissão.

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