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Por: Ana Bandeira

Crítica | Twin Peaks 3×15 foi um episódio agridoce

Twin Peaks tem seus grandes mistérios, mas também mantemos um apego a seus personagens mais cotidianos. Foi com uma certa surpresa que vimos, logo nos primeiros episódios do revival, que Norma e Big Ed seguiram com sua maré de azar e não conseguiram ficar juntos. Apesar do final da segunda temporada ter encaminhado para isso, havia a sensação de que tantos anos depois eles poderiam ter reatado, mas vimos que Big Ed seguia ligado a Nadine e Norma estava envolvida com Walter, seu parceiro de negócios na rede de restaurantes.

Foi então bastante gratificante o início deste novo episódio, com Nadine decidindo deixar Big Ed livre, inspirada pelos discursos do Dr. Jacoby / Dr. Amp. A imagem dela caminhando com sua pá dourada foi tão marcante que acredito que irá ficar na história da série, e o que se seguiu foi igualmente importante: Big Ed vai ao Double R à procura de Norma e o que inicialmente pareceu uma brincadeira de mau gosto com os sentimentos dos fãs, já que ela o dispensa para falar com Walter, acabou se transformando em um dos momentos mais recompensadores. Ao som da linda I’ve Been Loving You Too Long, de Otis Redding, o casal mais azarado de Twin Peaks acaba finalmente conseguindo ficar junto.

Após esse momento quase novelesco, passamos do dia para a noite: o doppelgänger de Cooper chega à loja de conveniência em busca de Phillip Jeffries, sendo recepcionado pelos assustadores woodsmen. Provavelmente devido à morte de David Bowie, que interpretou Jeffries em Fire Walk With Me, o personagem, que perdeu sua forma humana, se manifestou de uma maneira bastante bizarra – uma orbe emitida por uma espécie de chaleira. Considerando que bizarro é o padrão normal quando se trata de David Lynch, isso não nos surpreende muito. Importante notar que eles falam novamente sobre Judy, que pode se tratar da irmã de Josie Packard.

O episódio ainda teve outros momentos não interligados, como a morte de Steven, a briga envolvendo James no bar (com a participação do seu amigo da poderosa luva verde), o assassinato de Duncan Todd (cometido por Chantal e Hutch) e mais uma discussão excêntrica entre Audrey e seu marido. Mas entre as cenas que mais marcaram estão a despedida, e consequentemente morte, de Margaret, a inesquecível Senhora do Tronco, e o aparente despertar de Dougie / Cooper. Enquanto comia um fatia de bolo, Dougie ligou a televisão, onde estava passando o filme Crepúsculo dos Deuses. Ele ouve então o nome Gordon Cole, o que causa uma reação nele, o levando a enfiar um garfo na tomada e causando um blecaute em sua casa. Temos apenas mais 3 episódios e resta agora saber o que vai acontecer depois disso, e se finalmente chegou a hora de Cooper se recordar de quem é. Confesso que não vejo a hora, pois uma das coisas que mais sinto falta neste revival é do verdadeiro – e inigualável – Dale Cooper.

Observações:

– O episódio foi dedicado à personagem Margaret Lenterman, a Senhora do Tronco (Chaterine E. Coulson, a atriz que a interpretou e faleceu em 2015, ganhou uma dedicatória no primeiro episódio).

– A banda que tocou no Roadhouse foi The Veils.

ss