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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Stranger Things volta sombria e ambiciosa na 2ª temporada!

Terminei. Se os primeiros quatro episódios indicaram que Stranger Things retornou maior e melhor no seu segundo ano, o restante da temporada confirmou a primeira impressão. Os irmãos Duffer entregaram uma temporada concisa com sua proposta e estabeleceram-se como showrunners fortes e que sabem o que o público quer ver.

O drama está mais sombrio e maduro, assim como o jovem elenco que despontou ano passado e conquistou o mundo com um raro e uniforme talento. Além da ampliação do Mundo Invertido com a introdução do gigantesco Monstro das Sombras, os roteiristas expandiram também as “classes” de criaturas com os “demo-dogs”, no melhor estilo RPG.

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Aliás, é como um grande jogo que a temporada é construída, com atos bem definidos e uma reta final de tirar o fôlego. Eles também não pouparam no quesito horror, trazendo mais gore do que o de costume para uma produção voltada pra um público majoritariamente juvenil. O apuro visual também foi aprimorado, com sequências de ação eficientes (em especial aquelas envolvendo os cachorros Demogorgons que lembrou as perseguições com os velociraptors em Jurassic Park).

Fazendo um uso perfeito de cores (note como o vermelho e o roxo, usualmente utilizado no cinema para indicar perigo, dominam os momentos mais intensos) e de efeitos visuais caprichadíssimos, o design de produção elaborado toma conta de todos os nove episódios, desde a nova transformação da casa Buyers com os desenhos de Will (que aqui toma o lugar das luzes do primeiro ano) até a construção dos túneis e entremeios do lado sombrio que remetem ao escuro e ao desagradável.

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Em vez de martelar sua fórmula e sua estrutura inicial, Stranger Things 2 (como os produtores a chamam) também trouxe uma “reorganização” interessante dos personagens, incluindo a dupla Dustin e Steve repleta de momentos divertidos, como também Eleven e Hopper, Joyce e Bob e, é claro, Nancy, Jonathan e o investigador Bauman atrás da verdade por trás da morte de Barb.

Faltou desenvolvimento melhor, contudo, para o grupo de outcasts apresentado no episódio inicial desta 2ª temporada. Sem mostrar exatamente a que veio, o capítulo ambientado fora de Hawkins com Eleven ficou jogado no meio da temporada quebrando o consistente ritmo que a série vinha adotando. A ideia de apresentar outros “pacientes” dos experimentos laboratoriais da empresa de energia da cidade é interessante, mas ficou só na promessa.

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A própria jornada de Eleven também em busca de informações sobre seu passado foi colocada de forma apartada e destoada do restante da trama, como se não soubessem bem o que fazer com a personagem. Em termos práticos, isso até faz sentido, pois ela se tornou uma espécie de deus ex-machina da história, já que é poderosa e o uso de suas habilidades não trazem nenhum outro efeito colateral que não seja o nariz sangrando. Mas este pode ser um problema para o futuro da série.

Ainda assim, o saldo foi extremamente positivo e contou com um ato final muito mais ambicioso do que aquele que vimos no primeiro ano, graças à escala gigantesca dos eventos e à conclusão satisfatória de várias tramas e mistérios, em especial um desfecho digno para Barb. Os dois últimos episódios vão direto ao ponto sem enrolação e cheios de momentos memoráveis como a sequência envolvendo Eleven e Hopper no laboratório (que claramente remeteu a Star Wars) com direito a um divertido e singelo reencontro das crianças – agora pré-adolescentes – no baile da escola.

Stranger Things 2 conseguiu, ao final, estabelecer um universo rico, próspero, ágil e que tem tudo para se tornar a parada obrigatória e anual de fãs de séries e TV.

  • klaus

    achei melhor essa temporada, principalmente as atuações das crianças.

ss