FOTO: WARNER BROS.

Por: Bruno Carvalho

Crítica | Liga da Justiça é um filme irregular, mas que no fim entrega o prometido

Ao final do screening de Liga da Justiça bateu uma sensação de alívio quando as luzes se acenderam. Primeiro porque – junto de Mulher-Maravilha – ele remove o gosto amargo ainda deixado pelos fracos Batman vs. SupermanEsquadrão Suicida. Segundo porque o longa consegue ser divertido, embora contenha um dos piores vilões já feitos para o cinema desse gênero – seja em termos técnicos (o CGI é horrível) como da construção e das motivações do personagem em si.

Fãs da DC: eu gostei, ok? Mas tenho que apontar problemas que denotam a irregularidade do filme, provavelmente em virtude da saída abrupta do diretor Zack Snyder por motivos familiares e a repentina, mas bem-vinda entrada de Joss Whedon que, estima-se, refilmou 20% do que já estava pronto.

FOTO: WARNER BROS.

Liga da Justiça demora tempo demais pra engrenar, o que era desnecessário, considerando que o movimento para formar o supergrupo já havia sido iniciado. Assim, seria muito mais proveitoso começar in media res, com parte da equipe já estabelecida. A primeira hora inteira da projeção é gasta com muitas idas e vindas reapresentando personagens já conhecidos ou (mal) introduzindo os novos. Como, ao contrário da Marvel, a DC não teve tempo de estabelecer os filmes solos da metade dos heróis do ensemble, ela perde com isso precioso tempo que poderia estar sendo utilizado para estabelecer melhor sua trama.

Trama essa, aliás, que é uma repetição extremamente batida da clássica e nada elaborada fórmula dos quadrinhos. O vilão – Lobo da Estepe – retorna à Terra depois de séculos para tentar reaver três as Caixas Maternas e, com elas, conquistar o planeta. Em alguns momentos esperei que Transformers e Decepticons surgissem na tela para brigar pelos cubos de poder também. Sim, eu sei que está no cânone, mas existem formas de inovar uma história clássica sem a necessidade de um vilão com falas expositivas, feixes de luz que vão até o céu e um exército de seres genéricos que servem apenas para ajudar a reduzir a classificação indicativa pela ausência de goresangue, tal qual Vingadores fez.

FOTO: WARNER BROS.

Mas vamos falar de coisa boa, porque mesmo com todos esses problemas (inclusive a boca digital no lugar do bigode de Henry Cavill), Liga da Justiça é um acerto da DC e Warner, que finalmente estabelecem o caminho a seguir. Quando juntos, o time funciona e em muitos momentos bem melhor do que os grupos de herois da rival Marvel. Zack Snyder (com a inegável ajuda de Whedon e impulsionados por Mulher-Maravilha) conseguiram ajustar o tom adequado para o Universo.

Há humor em Liga, mas que nunca soa na constante e barata tentativa de extrair risos da plateia que virou o MCU pós-Guardiões. Não. Aqui as piadas são pontuais, eficientes e até sutis, destacando as diferenças da personalidade de cada heroi e criando interações inusitadas (em especial uma divertidíssima entre Diana, Victor e o laço da verdade). Aliás, falando de cada um, temos aqui um sempre inspirado e divertido Flash, um Superman que vai surpreender o público por certas “atitudes”, um Batman menos resignado e mais leve e, é claro, a fantástica e contagiante Mulher-Maravilha. Aquaman não ganha muito espaço para se desenvolver, mas pelo que vimos dele e de Atlantis, seu filme solo tem tudo para ser deveras interessante. Apenas o Ciborgue não consegue se estabelecer no longa, muito possível porque pouco da origem dele foi apresentada.

FOTO: WARNER BROS.

As sequências de ação e de luta são fantásticas e permitem que o espectador sempre compreenda a geografia de todas as cenas, sem que soe algo confuso ou poluído demais. Cada membro da Liga tem o seu momento de brilhar. Além disso, a interação entre heróis é sempre inventiva, empolgante e ágil, com direito a muito fan service dos bons. O Batman nunca se movimentou tão bem em um filme como neste, o Flash traz sempre os melhores segundos em tela e a Mulher-Maravilha arrasa em todas as suas cenas.

Seria inevitavelmente melhor se seu terceiro ato não quisesse ser grandioso e ultra colorido com roteiro pueril, pois no fim é o vilão Lobo da Estepe que joga o filme pra baixo. Contando com duas cenas após o fim dos créditos (uma divertida, mas já explorada pelas séries Flash e Supergirl) e outra importante (envolvendo dois personagens centrais do Universo DC), Liga da Justiça entrega o prometido e indica que o caminho da franquia vai ficar menos tortuoso e bem mais promissor daqui pra frente, tal qual nós fãs merecíamos há um bom tempo.

ss