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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Black Mirror, 4ª temporada: Hang the DJ

Este é o episódio de Black Mirror que será erroneamente associado ao ótimo San Junipero da temporada passada. Apesar de ter um dos temas em comum – relacionamentos – e ser um capítulo mais “positivo” do que os demais, Hang the DJ tem uma proposta totalmente diferente.

Aqui a série exibe o “poder” da Inteligência Artificial através de um sistema que tem uma proposta arrojada: ele “pareia” duas pessoas com base em seu algoritmo que promete identificar o match perfeito depois de alguns testes. Pra isso, o “interessado” precisa necessariamente ser submetido a vários relacionamentos com dia e hora pra acabar, o que gera situações inusitadas para os membros desta plataforma.

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Mas há algo um pouco off com relação a este sistema, pois traz pessoas que nunca são vistas trabalhando e apenas o que fazem da vida é se relacionar uns com os outros, o que imediatamente leva o espectador a ficar o tempo inteiro questionando a realidade daquele universo.

É claro que em se tratando de Black Mirror nada é o que parece e nossas tentativas de descobrir o que realmente estamos vendo provavelmente serão falhas. Repetitivo e até mesmo um pouco cansativo, Hang the DJ é longo demais para a sua “reviravolta”, que se mostra muito menos ambiciosa do que antecipa, e certamente menos inventivo do que a série já foi capaz de apresentar (o que é mais culpa do roteiro do que da ótima direção  de Timothy Van Patten, de Game of Thrones, diga-se).

É o capítulo mais fraco da temporada, embora ainda seja capaz de divertir ao retratar as diversas fases de um relacionamento – do elétrico começo e o fascínio das primeiras descobertas até o inevitável desgaste. Ainda assim, sabemos que Black Mirror é e já foi capaz de mais.

A 4ª temporada de Black Mirror estreia sexta, 29/12 às 06h00, na Netflix. Leia as críticas dos demais episódios: ArkAngel, USS Callister, Crocodile, Hang the DJ, Metalhead e Black Museum.

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