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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Black Mirror, 4ª temporada: Metalhead

Direto ao ponto, Metalhead começa com a narrativa em andamento num cenário árido onde um grupo de pessoas aparentemente está fugindo de algo. Fotografado inteiramente em preto e branco por David Slade, colaborador usual de Bryan Fuller (ele dirigiu capítulos de American Gods Hannibal), o episódio jamais explica em que contexto aquelas pessoas estão inseridas.

Há apenas uma coisa importante nesta história: a sobrevivência. Os “cabeças de metal” que dão nome ao episódio são implacáveis “robôs-cachorro” que matam e perseguem os nosso herois a todo e qualquer custo, rendendo cenas de ação eletrizantes e capazes de nos deixar na ponta da cadeira.

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Retratando um ambiente árido e que constantemente evoca a ausência de vida (e, claro, de “verde”), Metalhead fica ainda mais assustador quando cogitamos que esta pode ser uma das não raras visões do apocalipse das máquinas que já vimos em filmes como MatrixO Exterminador do Futuro e tantos outros.

Pior: como não sabemos a dimensão da situação – especialmente o que veio antes e o que acontecerá depois -, cada cena deste episódio atemporal é totalmente imprevisível e sequer sabemos se os protagonistas são “do bem” ou até mesmo antagonistas (aparentemente não são, mas não podemos afirmar com 100% de certeza).

Talvez seja um dos episódios que vai causar divisão de opiniões (ou talvez não), mas pra mim ele é brilhante justamente por ser sufocante do início ao fim e a falta de introdução ou resolução é, talvez, o seu maior mérito.

A 4ª temporada de Black Mirror estreia sexta, 29/12 às 06h00, na Netflix. Leia as críticas dos demais episódios: ArkAngel, USS Callister, Crocodile, Hang the DJ, Metalhead e Black Museum.

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