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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Bright desperdiça Will Smith e uma boa ideia num filme irregular

A grande aposta cinematográfica da Netflix para o fim do ano foi Bright, filme dirigido por David Ayer (Esquadrão Suicida) e escrito por Max Landis (Dirk Gently’s Holistic Detective Agency). O feito é grande. O longa produzido direto para ser exibido na TV é estrelado pelo mega astro Will Smith e apresenta o valor de produção de um blockbuster. Mas a promessa fica aí.

Bright começa estabelecendo que os seres que dão título ao longa são capazes de conduzir varinhas mágicas num universo que mescla seres fantasiosos como elfos, orcs e fadas com o “mundo real”. Desfilando grafites embalados por um hip-hop empolgante (aliás, a trilha é excelente), o roteiro falha desde o início em estabelecer bem este universo, o que vai lhe custar mais à frente quando dependerá de um contexto melhor para desenvolver sua simplória história.

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Dividido em castas, sabemos apenas que em algum momento existiu alguma forma de “apartheid” com esses seres (que não foi explicado se apareceram em algum momento ou se sempre estiveram ali), em especial com o preconceito exibido pelos humanos contra os orcs, o favorecimento dos elfos como a elite dominante e um desprezo absoluto por fadas, alçadas – pela cena que introduz o heroi e policial Daryl Ward (Smith) – à condição de insetos cujas vidas não importam.

Forçado a dividir sua viatura de trabalho com o orc Nick Jakoby (Joel Edgerton), Ward quase que imediatamente se vê no meio de uma confusa (mas não complexa) trama que envolve o surgimento de uma bright chamada Tikka (Lucy Fry) e a perseguição de vários grupos a ela, com diversas facções e corrupção policial.

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Em termos de atuação, Smith exibe sua energia e carisma usuais em tela, enquanto o competente Edgerton pouco pode fazer por Jakoby debaixo de quilos de maquiagem. Os demais “seres” que vemos, inclusive a elfa Leilah (Noomi Rapace) e demais coadjuvantes jamais são desenvolvidos a ponto de entendermos suas motivações ou compreendermos suas erráticas ações. Assim, o escape movie se limita a apresentar situações em que os protagonistas precisam constantemente fugir ou escapar de explosões e balas.

Repleto de furos, o texto jamais explica como, por exemplo, Tikka somente usa a mágica para escapar das diversas ameaças somente no terceiro ato. O filme até tenta justificar o feito, mas de forma precária: “eu não confiava em vocês”, diz a bright que, contraditoriamente, prefere confiar sua vida aos heróis e não em sua magida. Soa confusa, ainda, certa reviravolta envolvendo uma atitude de Jakoby em um incidente do passado envolvendo Ward. Ora, ele é um orc que conseguiu se desvencilhar da “sina” de sua “raça” ou um hipócrita?

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Com péssimas e deslocadas tentativas de fazer humor, o filme apenas empolga nas bem elaboradas sequências de ação e efeitos visuais, mas que são empregados na tentativa de ofuscar a bagunça do texto. E assim como em Esquadrão Suicida, há a constante sensação de que existem cenas faltantes ou cortadas, especialmente aquelas que explicariam melhor o universo de cada casta e tornariam o filme mais palatável para o espectador que não quer apenas ver tiros e corpos voando.

Infelizmente, Bright é um filme medíocre e que desperdiça sua ótima premissa (um mundo ambientado por seres fantásticos) e o seu principal talento, Will Smith, que fica preso à sua persona padrão do policial/agente “bom e justo” que já vimos à exaustão em filmes como Independence Day, Bad Boys, Eu, Robô, Homens de Preto etc.

Uma pena, pois é um universo que valia a pena ser melhor explorado.

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2 respostas para “Crítica | Bright desperdiça Will Smith e uma boa ideia num filme irregular”

  1. Roberto Ribeiro disse:

    Concordo plenamente, minha sensação foi a mesma. Sempre pensando que faltava algo ali. Fomos jogados num universo de seres fantásticos da Terra Média, mas sem saber como eles foram parar ali, se sempre foi assim, que guerra foi essa que massacraram os Orcs e o mais crítico: A tal profecia. Quem é o Dark Lord e como ele foi derrotado pela magia e os Inferni, quem são eles, de onde vem, onde se escondem? Se a varinha só pode ser manuseada por um bright, como saber quem são? Na base do “toca aí pra ver se vc não explode”?

    Mas na boa? NMO, esses furos foram deixados propositalmente para serem explorados nas continuações, ou você duvida que não teremos uma ascensão do Dark Lord?

    Filme pipoca, bom pra ver sem pretensão… por enquanto.

  2. Otavio Larsen disse:

    Entre algumas citações, é dito que a batalha com o tal Senhor das Trevas foi a 2000 anos atrás e que a pessoas odiavam os Orcs ainda por isso.

    Logo entendi que as raças sempre existiram em conjunto, e foi a única coisa legal do filme. Não que um evento aconteceu, mas sim que todos conviveram e evoluiram juntos.

    De resto é uma tristeza. Realmente sem sentido, reviravoltas tolas, secundários inúteis. Acho que a supervalorização do David Ayer é exagerada…

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