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Por: Redação Ligado em Série

Mindhunter: conheça a história dos assassinos da série na vida real

Mindhunter é um novo fenômeno entre as séries e já conquistou os usuários da Netflix desde sua estreia. Com David Fincher como produtor-executivo e co-diretor, a produção é baseada no livro homônimo escrito por John E. Douglas sobre sua experiência na Unidade de Ciência do Comportamento do FBI junto com seu parceiro Robert K. Ressler. Ambos entrevistaram vários dos assassinos em série mais temidos dos Estados Unidos na época.

Os personagens interpretados por Johnathan Groff (Looking) e Holt McCallany (Sully: O Herói do Rio Hudson) foram apenas inspirados nos verdadeiros agentes do FBI, mas os criminosos apresentados na série de 10 episódios são representações impressionantes dos assassinos reais.


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A produção mostra os diálogos entre os agentes e assassinos como, por exemplo, Edmund Kemper, notório necrófilo também conhecido como “The Co-Ed Killer”, e Jerome Henry Jerry Brudos, condenado pela morte de 4 mulheres em Oregon. As diretoras de elenco Laray Mayfield (Clube da Luta) e Julie Schubert (Os Delírios de Consumo de Becky Bloom) decidiram contratar atores relativamente desconhecidos para viver os assassinos, uma decisão certeira.

Mindhunter instiga a curiosidade ao dar detalhes dos crimes mas, ao mesmo tempo, não entrega todas as particularidades de cada um dos entrevistados, há muito conteúdo que não foi colocado na trama. Confira mais informações sobre os criminosos retratados na série:

– Edmund “Ed” Kemper

Kemper chama atenção pela sua inteligência e altura, seu QI é de 145 e mede 2,06 m. Em entrevistas, ele sempre parece amável e atencioso, escondendo muito bem o seu lado cruel. Na série, ele é o primeiro a ser entrevistado por Holden e Bill. 

Nascido em Burbank, Califórnia, ele matou seus avós paternos na década de 60, com 15 anos. O crime o levou à internação em um instituto psiquiátrico até que completasse 21 anos, quando conseguiu convencer médicos e autoridades que estava são o bastante para voltar ao convívio em sociedade. Mas ele não parou.

Edmund Kemper matou várias mulheres durante os anos 70, incluindo sua mãe e uma amiga dela. Ele sequestrava estudantes que o pediam carona, as matava e cometia necrofilia que, muitas vezes, estavam decapitados.

Já no caso de sua mãe, a morte foi por golpes de martelo. Logo depois ele a decapitou, violou o corpo e cortou as cordas vocais do cadáver. Horas depois ele ligou para uma amiga de sua mãe e a convidou para jantar – um pretexto para matá-la por estrangulamento.

A ideia de ficar famoso por suas atrocidades empolgou Kemper, mas ele não era tido como suspeito pela polícia. Ele então decidiu ligar para as autoridades e confessar seus crimes.

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Atualmente ele é considerado um “preso-modelo”, sem ter se envolvido em brigas ou discussões dentro da cadeia. Suas atividades atuais se resumem ao agendamento de consultas dos detentos, à tradução de livros para braile e à confecção de copos de cerâmica.

Jerome Henry “Jerry” Brudos:

Também conhecido como “Assassino do Fetiche de Sapatos”, Brudos foi um assassino em série que matou quatro mulheres entre 1968 e 1969. 

Seu gosto por sapatos de salto o acompanhou desde pequeno, quando achou um par em uma lixeira e levou para casa para usá-lo. Quando sua mãe o viu andando de sapatos femininos, fez Brudos queimá-los, o que possivelmente causou um trauma. Ele gostava de se vestir como mulheres, sendo acusado diversas vezes de ter roubado roupas intimas de varais de vizinhas.

O criminoso guardava “troféus” de suas vitimas na sua garagem, como por exemplo, dois pares de seis amputados – usados como peso de papel – e o pé esquerdo de uma garota de 19 anos (sua primeira vitima). Depois de matar as mulheres, Brudos calçava salto altos e se masturbava.

A investigação da polícia e entrevistas a estudantes da universidade local chegou até Brudos que, ao ser preso, confessou os quatro assassinatos, o que o levou a ser sentenciado a prisão perpétua.

Durante seu cárcere, o criminoso tinha diversos catálogos de sapatos femininos em sua cela – eram seus substitutos para pornografia.

Jerry Brudos morreu na prisão no dia 28 de Março de 2006 de câncer de fígado.

–  Richard Speck:

Richard Franklin Speck foi um assassino em série e estuprador que, aos 24 anos, invadiu um hospital em Chicago, em 1966, e acabou matando 8 oito enfermeiras – algumas foram estranguladas e, outras, mortas a facadas. A única sobrevivente foi uma moça de 23 anos que se arrastou para baixo de uma cama e ficou escondida durante o crime.

Após o crime, Richard Speck tentou se matar e foi parar no hospital com um corte grave em seu pescoço. Identificado por suas digitais e reconhecido pela enfermeira sobrevivente, Speck foi sentenciado à cadeira elétrica que, posteriormente, virou prisão perpétua.

Viciado em drogas e álcool, Speck tinha tatuado a frase “Born to Raise Hell”, algo como “nascido para criar o inferno”, tatuado em seu antebraço. Ele morreu em 1991, vitima de um ataque cardíaco.

– Dennis Rader:

Na cena de introdução de quase todos os episódios de Mindhunter vemos um funcionário da ADT, mas sem muita explicação. São apenas alguns trechos que, com o avançar da temporada, vão mostrando a construção do personagem que passa de um homem comum até uma mente assassina. Há grandes chances de ele ser um dos principais assassinos da próxima temporada.

Muitos não o reconheceram, mas se trata do assassino em série Dennis Rader, também chamado de BTK (“Bind, Torture, Kill”, em português: Amarrar-Torturar-Matar). Ele é um notório criminoso que torturou e matou dez pessoas no Kansas entre os anos de 1974 e 1991.

Rader ridicularizou as autoridades pois mandava pistas e cartas para a mídia, além de renvidicar seus crimes, dizendo como eram seus crimes e como os executava; eram discrições cheia de terror e medo. Conhecido por sua insanidade e sadismo, ele chegou a amarrar bonecas nos corpos de suas vítimas.

Dennis Rader foi preso em 26 de fevereiro de 2005 quando assumiu os assassinatos.

Em 2008 foi lançado o filme BTK – Um Assassino em Série, do diretor Michael Feifer, contando toda a trajetória de crimes e perseguição de Rader.

– Charles Manson:

Mundialmente conhecido, Charles Manson é famoso fundador e líder de um grupo que cometeu diversos crimes no fim dos anos 1960, entre eles, o assassinato a atriz Sharon Tate (12+1), casada com o diretor Roman Polanski (O Bebê de Rosemary), de quem esperava um filho.

Muito se fala de Charles Manson na série, sendo ele um dos criminosos que Holden mais gostaria de entrevistar. No livro em que a trama é baseada, Manson é de fato entrevistado pelo autor, portanto, há chances de ele aparecer nas próximas temporadas.

Filho de uma família problemática, a mãe de Manson era dependente química e seu pai foi embora antes mesmo de seu nascimento. Sua infância foi marcada por diversas passagens por reformatórios até seus 19 anos. Voltou à cadeia com 26 anos, por roubos de carros, golpe financeiro e estupro.

Aos 32, foi liberado, porém Manson quis recusar: tinha passado mais da metade de sua vida em instituições e alegou que não saberia “viver em liberdade”. Mesmo assim, ele saiu e se tornou “guru” de um grupo que ele intitulou como “Família”. Uma das ideias que ele defendia era a de que uma grande guerra racial aconteceria entre brancos e negros.

Em 9 de agosto de 1969, integrantes da “Família” de Charles Manson invadiram uma casa alugada por Roman Polanski e assassinara sua esposa e mais quatro amigos do casal. As vítimas foram baleadas, esfaqueadas e espancadas até a morte, e o sangue delas foi usado para escrever mensagens nas paredes. Na noite seguinte, o mesmo grupo invadiu a casa de um casal, também os matando. Os assassinatos tinham sido planejados por Charles Manson, apesar de ele não estar presente em nenhum dos dois casos.

Os crimes foram descobertos pela polícia quando uma das integrantes da “Família” estava detida e se gabou dos assassinatos para uma colega de cela, contando todos os detalhes. As autoridades puderam então chegar até Charles Manson, que foi condenado a prisão perpétua e cumpre pena em na Penitenciária Estadual da Califórnia.

 

Os personagens principais também foram inspirados em pessoas reais: Holden Ford foi baseado em John E. Douglas (escritor do livro que deu origem à Mindhunter) e Bill Tench, em Robert K. Ressler.

– John E. Douglas:

Douglas foi um dos primeiros agentes especializados em perfis criminais no FBI. Ele não foi inspiração apenas para o personagem de Jonathan Groff, como também para Jason Gideon, personagem de Mandy Patikin em Criminal Minds e Will Graham, interpretado por Hugh Dancy na série Hannibal.

O ex-agente do FBI também foi consultor durante a produção de O Silêncio dos Inocentes (Jonathan Demme).

– Robert K. Ressler:

Ressler se juntou ao FBI em 1970 na Unidade de Ciência Comportamental. Ele é conhecido por ter trabalho em casos famosos, como os de Ted Bundy, Jeffrey Dahmer e  John Joubert. Ele é creditado como o criador do termo “serial-killer” (assassino em série). Ele inspirou o personagem Bill Tech, interpretado por Holt MacCallany.

3 respostas para “Mindhunter: conheça a história dos assassinos da série na vida real”

  1. Thiago de Paula disse:

    Muito bom texto. Mas corrige aí que o Manson morreu em 19 de novembro de 2017.

  2. Roberto Ribeiro disse:

    Apesar de saber que a serie se baseia em fatos reais, pra mim foi pura ficção. Não conhecia nenhum dos criminosos relatados com exceção, claro, do mais famoso mundialmente: Manson.

  3. Fran Gonçalves disse:

    Caso interesse, no canal Freak TV o Milho Wonka fala sobre vários desses casos e também outros crimes ou casos misteriosos, é bem interessante

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