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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Arquivo X retorna demasiadamente presa ao passado na 11ª temporada

Se depender da FOX, a verdade continuará sempre lá fora. Em 2018 Arquivo X completa 25 anos e o canal garantiu mais 10 episódios do drama estrelado por David Duchovny (Californication) e Gillian Anderson (Hannibal). A estreia no Brasil está marcada para hoje, 10 de janeiro, às 23h no canal FOX e a boa notícia é que a partir de hoje mesmo a série passa a ser exibida simultaneamente com os EUA. O 2º capítulo da temporada será exibido logo em seguida e toda quarta às 23h teremos um novo episódio.

Assisti aos dois primeiros episódios (um ainda inédito) à convite do canal e fiquei com sentimentos mistos. Por um lado, foi bom que a série retornou focada em sua mitologia principal, descartando – pelo menos até aqui – capítulos isolados como aconteceu na temporada anterior (apenas 2 de 6 tratavam da história central). Por outro, a sensação é de que o drama voltou corrido demais, querendo compensar a falta de acontecimentos, explicações e até algumas reviravoltas controversas sem dar tempo para que sejam desenvolvidas.

My Struggle III, título do primeiro episódio da temporada, até começa com uma promissora explicação sobre os “tempos atuais” e faz interessantes paralelos com acontecimentos políticos recentes, incluindo a posse de Donald Trump, o imbróglio com a Rússia e o avanço da nova extrema direita (os alt-right) em todo o mundo. Mas o roteiro corta caminhos demais e o episódio soa demasiadamente acelerado e megalomaníaco.

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Sim, a ousadia e a grandiosidade da série sempre foram suaa marca registrada, mas o que vimos foi uma piada de mal gosto. Tratar o final da 10ª temporada como uma mera alucinação de Scully foi jogar um balde de água fria nos fãs que persistiram até aqui e confundir a cabeça daqueles que começaram agora. Além disso, a série trata o Canceroso como um vilão de James Bond, mas jamais tão poderoso quanto aparenta.

Especialmente no segundo episódio, This, a impressão que fica é a de que não estão preparados para lidar com as propostas que colocam à mesa – uma envolvendo um servidor numa pegada bem Black Mirror – e outra relacionada, claro, ao retorno do Canceroso e seu plano “final”. A facilidade com que o capítulo coloca e retira a dupla de protagonistas de situações extremas (e potencialmente irreversíveis) é tola.

Os diálogos muitas vezes soam desnecessários e expositivos para o espectador moderno, que já consegue acompanhar tramas mais complexas do que aquele dos anos 90. Nosso olhar para filmes e séries ficou mais apurado, mas o de Chris Carter e dos roteiristas de Arquivo X, não. Isso evidencia que o retorno se apoia mais na nostalgia daqueles personagens do que na história em si, já que eles sequer se importam em revirar e desfazer o cânone, desafiando até mesmo a inteligência do espectador fiel da forma mais boba possível.

Além disso, não há trama mais desinteressante do que aquela envolvendo o filho de Scully e a necessidade de encontrá-lo como se estivéssemos em um filme de Dan Brown para que o mundo “seja salvo”. Ora, Arquivo X já foi capaz de produzir excelentes episódios – até mesmo na temporada anterior – e aqui prova que deveria ser menos ambiciosa, menos corrida e parar de fingir que o mundo está pra acabar em todo capítulo, já que a ganância dos executivos é a certeza que isso jamais ocorrerá – e não necessariamente por causa de Mulder e Scully.

Talvez fosse melhor ter deixado Arquivo X quietinha no passado, já que ela não sabe conversar com o presente.

ss