FOTO: WARNER BROS.

Por: Bruno Carvalho

Jogador Nº 1, o incrível road movie digital de Steven Spielberg

A premissa de Jogador Nº 1 é interessantíssima. Na adaptação do livro homônimo de Ernest Cline, nos deparamos com futuro não tão distante do nosso onde o mundo é controlado por poucas empresas de tecnologia e dente uma delas está a gigante Oasis. Ela controla uma plataforma de realidade virtual que se tornou o ponto de encontro obrigatório de boa parte da população que usa o sistema como fuga da dura e hostil realidade. Depois que o idealizador do projeto, James Halliday (Mark Rylance) morre, não antes de ver sua criação deturpada para fins puramente comerciais, descobrimos que ele colocou três easter eggs escondidos e quem encontrá-los terá controle criativo e administrativo total do ambiente virtual e da empresa.

Esse é o ponto de partida para uma corrida insana de usuários e diversas corporações interessadas na proposta, incluindo o inescrupuloso Sorrento (Ben Mendelsohn, de Bloodline) e o jovem idealista Parzival (Tye Sheridan). Estabelecido como uma espécie de road movie virtual, Jogador Nº 1 então nos embarca em uma aventura incrível, eletrizante e visualmente deslumbrante.

FOTO: WARNER BROS.

O filme traz o Spielberg que há muito tempo não víamos comandando um longa. Dando lugar a tramas políticas e históricas pesadas, o cineasta aqui demonstra um show de inventividade em cima do roteiro de Zak Penn e Ernest Cline, criando um mundo rico, vivo e repleto de referências da cultura pop dos anos 80, 90, 2000 e 2010, com direito a uma infinidade de surpresas que deixarão fãs de várias plataformas e gêneros completamente arrepiados.

No meio de toda a loucura em busca dos easter eggsJogador Nº 1 levanta temas pertinentes sobre o controle que damos a tão poucas empresas e comenta de forma precisa a deterioração das relações interpessoais no mundo real em prol da facilidade, conforto e impessoalidade do mundo virtual. Afinal, quando um serviço é “grátis”, é sinal de que o produto é o próprio usuário.

FOTO: WARNER BROS.

Embora expositivo demais em determinados momentos, o longa minimiza esses problemas com uma montagem ágil e atuações eficientes, em especial a de Mendelsohn e da jovem Olivia Cooke (Bates Motel). Aliás, o trabalho de captura de movimentos do filme é espetacular e muitas vezes até mesmo esquecemos que estamos vendo “avatares” dos atores em tela, tamanha perfeição técnica do filme.

Divertido, impressonante, relevante tematicamente e lotado de easter eggs pra todas as idades, Jogador Nº 1 já é um dos melhores filmes do ano e obrigatório de ser assistido na maior tela possível.


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