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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Westworld 2×02: Reunion

Uma das características que mais admirava em LOST era a capacidade que a série tinha de ampliar o universo que conhecíamos de um episódio ou de uma temporada para a outra, algo que está acontecendo de forma proeminente em WestworldReunion pela primeira vez nos levou para o domínio além-parque, mas o fez de uma forma inusitada (pelo menos pra mim): através de um flashback (outro recurso largamente utilizado na série de Carlton Cuse e Damon Lindelof) testemunhamos Arnold e o Dr. Ford – numa excelente ponta de voz de Anthony Hopkins – fazendo o pitch de venda para investidores numa cidade que se parece estar localizada no continente asiático.

Seria o parque Westworld fora dos EUA? Pode ser, já que os orientais possuem grande fascínio pelo “oeste”. Sabemos que o complexo da Delos com pelo menos seis parques fica numa ilha isolada (alô, LOST), o que pode a colocar em praticamente qualquer lugar do mundo, levando a mais uma pergunta sobre a série: agora que o quando foi respondido, resta saber onde.

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Na linha do tempo após o início da Jornada na Noite as peças continuaram a se movimentar nesse imenso tabuleiro, com Dolores seguindo em frente no seu plano, não antes de cruzar com Maeve (daí um dos significados do Reuinion do título), mas esta seguia sua própria agenda. Em paralelo, William percorre um caminho que inevitavelmente o levará até encontrar Dolores enquanto joga (ou acha que joga) a narrativa póstuma de Ford.

Mas se algo já ficou claro aqui é que tanto Westworld quanto os demais parques da Delos são apenas uma fachada para algo muito maior e que envolve os dados que Charlotte guardou dentro do anfitrião Abernathy, o antigo pai de Dolores. À princípio imaginei que isso teria alguma implicação militar – ou seja, utilizar os androides para um exército particular da gigante corporação – mas um curioso fato no primeiro episódio da temporada, Jornada na Noite, me deixou curioso: o parque guarda dados de experiência dos usuários, tal qual o FacebookTwitter ou Instagram guardam (e usam) nossas informações.

Séries são sempre um reflexo de seu tempo e numa época em que discutimos privacidade, influência e enriquecimento de dados para fins eleitoreiros, me parece perfeitamente pertinente que os talentosos roteiristas Jonathan Nolan, Lisa Joy e equipe anteciparam algo do gênero para a série. Veja só: os parques da Delos, em especial Westworld, são visitados por convidados extremamente ricos e influentes, pois pagam dezenas de milhares de dólares pela experiência imersiva maior.

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Estaria, então, a Delos coletando informações destes visitantes para usá-las com fins potencialmente escusos? Eu aposto que sim e é por isso que o hard drive de Abernathy é muito mais relevante para a corporação do que conter uma revolta de androides já contidos numa ilha (tal qual acontecia com os dinossauros de Jurassic Park, cujo autor é o mesmo do filme original de Westworld, Michael Chrichton).

Reunion foi um episódio eficiente, embora propositalmente confuso em alguns momentos, e que cumpriu bem o papel de ampliar ainda mais o tamanho dessa história. Capaz de esconder um casting tão grande como a participação de Giancarlo Esposito (Better Call Saul), Westworld deixa claro que está com todas as cartas na mão e somente as revelará quando quiser.

ss