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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Westworld 2×03: Virtù e Fortuna

Decidida em manter uma constante expansão do seu próprio universo, Westworld exibiu uma cold opening no terceiro episódio desta temporada, Virtù e Fortuna, introduzindo o ambiente de um terceiro parque do mega complexo da Delos: The Raj. O mundo indiano, contudo, não foi o tema do capítulo, servindo apenas como um pano de fundo para mostrar o quanto as ações iniciadas pela Jornada na Noite do Dr. Ford e potencializadas por Dolores e Marve são devastadoras. É neste episódio também que tivemos mais um pequeno “gosto” do Shogun World em seus instantes finais.

Antes de adentrar aos acontecimentos, abro um parágrafo aqui para questionar esta escolha. Apesar de interessantíssimo o conceito de existirem seis parques no mínimo, é bem estranho o fato de termos uma temporada inteira onde apenas Westworld era mencionado e toda a administração parecia estar focada no parque que dá título à série (inclusive a sala do Dr. Ford, que apenas possuía itens do velho-oeste).

Tal fato seria facilmente explicado se a série confirmasse que, ou Westworld tem toda essa importância porque ele teria sido o primeiro parque do complexo ou o maior, algo nesta linha. Também seria necessário compreender como os seis parques juntos são chamados. Seria “Delos World”?

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Isso também denota como que muitas vezes a série utiliza de diálogos pasteurizados ou “neutros” entre os personagens para propositalmente esconder informações do público e, com isso, perpetuar os mistérios até o momento em que eles serão resolvidos. Isso não era um problema tão gritante em LOST, por exemplo, pois o público ia descobrindo as coisas junto dos personagens, mas aqui temos gente que sabe muito mais do que demonstra (Ford, Charlotte, Bernard etc.).

Retornando ao episódio, tivemos bons momentos de ação que evidenciaram também que a agenda de Dolores é verdadeiramente implacável e grandiosa, indicando ainda que provavelmente teremos um grande conflito entre ela e Teddy. Já Maeve seguiu na caçada pela filha com Hector, que protagonizou a melhor fala do episódio: “Ela tem um dragão”.

A expressão, além de fazer um óbvio paralelo com Game of Thrones, é eficaz para o personagem dos anos 1800 processar a existência de um lança-chamas do “futuro”. Mas o fato principal do capítulo – que serviu invariavelmente como um filler – foi a retomada de Abernathy com os tais dados criptografados (minha teoria sobre isso aqui), não antes de Bernard conseguir uma cópia.

A cada episódio fica mais claro pra mim que Westworld terá duas guerras: uma literal e sangrenta ocorrida nos domínios do(s) parque(s) e uma gerencial, relacionada à coleta e guarda de sensíveis informações confidenciais ou industriais. O tempo confirmará (ou negará) esta hipótese. A série precisa apenas tomar cuidado para não diluir esses bons momentos em episódios que avançam muito pouco ou quase nada, como aconteceu neste. Tem muito chão por aí para queimarmos uma semana com um (ainda bom) tapa-buracos.

Um adendo: a moça que vemos correndo do tigre em The Raj parece muito com uma versão mais jovem de Theresa Cullen, uma das executivas da Delos, não?

ss