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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Westworld 2×04: O Enigma da Esfinge

O episódio do domingo passado de Westworld (desculpem a demora com a crítica) foi um dos melhores de toda a série até agora, não apenas por trazer explicações bem-vindas sobre parte dos interesses da Delos, mas também por ser estruturado de forma brilhante pela diretora Lisa Joy.

Iniciando-se em um quarto redondo e com uma vitrola tocando discos, o capítulo nos mostrou James Delos preso neste lugar numa espécie de loop mental, aparentemente por não estar apto a resumir suas funções na companhia. Enquanto isso, no parque tomado pelo caos, descobrimos que Elsie está viva e presa em uma caverna para ser encontrada por um confuso Bernard, o mesmo anfitrião que a agrediu e capturou a mando de Ford.

Essas duas narrativas entraram em rota de colisão quando descobrimos que, na verdade, aquele não era mais o Sr. Delos, mas sim um experimento em andamento (e aparentemente secreto) de William para incubar a mente humana em anfitriões. Essa espécie de “clonagem”, se bem-sucedida, poderia fazer com que as ramificações da série se tornassem infinitamente mais complexas do que já são (e pessoalmente preferiria que não seguisse por esse caminho).

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Como um jogador deste complexo enigma, o antigo “Homem de Preto” parece estar perdendo para o Dr. Ford, pois ele claramente queria expor tudo isso e de vilão que virou mocinho, William pode muito bem virar o grande vilão desta história (e com isso acredito cada vez mais que Ford voltará de alguma forma).

Grande parte da beleza deste Enigma da Esfinge se deu graças a Bernard, cuja enfraquecida e afetada mente robótica nos leva a um caminho de descoberta progressiva tal qual ele, o que acaba se formando um recurso narrativo inteligente, certamente bem mais que a utilização de diálogos expositivos ou meros flashbacks inorgânicos, como uma produção menos sofisticada certamente utilizaria.

A sequência que encerra o capítulo foi digna de um final de temporada, pois além de trazer grandes revelações (incluindo uma sobre pais e filhos, tema recorrente em LOST, série que claramente inspirou e muito este episódio), Westworld indica que pretende não enrolar tanto o espectador. O Enigma da Esfinge foi grandioso, reverencial e ciente daquilo que acabara de fazer.

Que a série siga nesse ritmo!

ss