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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Westworld 2×05: Akane No Mai

Após um capítulo surpreendente e repleto de revelações, Westworld retornou esta noite na HBO pisando no freio e quebrando o ritmo crescente da atual temporada, que ainda assim continua muito boa. Akane No Mai finalmente trouxe nossa imersão em Shogun World, o parque ambientado no Japão feudal como o final da primeira temporada havia indicado.

Tecnicamente trata-se de um capítulo com a assinatura padrão da série: toda a retratação do novo parque foi impecável e mostra o potencial que a trama tem de se tornar multitemática (o episódio foi filmado com um estilo próprio e quase todo falado em japonês, o que é brilhante). Por outro lado, continuo questionando o fato de jamais termos ouvido falar de Shogun World e The Raj, assim como dos outros três parques não revelados, até pouco tempo atrás. Porque o escritório do Dr. Ford só continha referências do velho-oeste? Existira um “Dr. Ford” por parque? Toda aquela estrutura administrativa que vemos está no parque Westworld (nas montanhas) por qual razão?  Seria Westworld então o maior e principal de todos os parques?

Embora esconder as cartas seja uma característica típica da série, seria interessante que pelos menos estas questões mais práticas do funcionamento do complexo fossem reveladas para comprarmos “melhor” essa ideia de múltiplos parques dos quais quase ninguém falava. Voltando à série em si, gostei da excursão de Maeve e Hector à terra de Shogun por conta exclusivamente do visual, das lutas e da adaptação da narrativa do assalto, mas reconheço que tudo o que vimos não teve todo o impacto que teria se isso tivesse acontecido antes deles terem se tornado sencientes.

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Ora, sabendo que são robôs em um parque comandado por uma corporação, o fato de cada um ter encontrado seu semelhante vivendo situações iguais seria muito mais marcante para os personagens (e para nós como espectadores) se eles não soubessem com o que estavam lidando. Além disso, o capítulo claramente ganha tempo fazendo com que eles embarquem em uma jornada até os domínios do vilão que ainda está preso em sua narrativa nos confins do parque para somente ao fim fazer a revelação maior do capítulo: a de que, de alguma forma, Maeve aprendeu a comandar os demais anfitriões com o “pensamento”.

Apesar de parecer forçado, esse conceito já havia sido apresentado por Bernard no episódio de estreia desta temporada, quando ele disse que os anfitriões podem transmitir entre si mensagens wireless uns aos outros para auxiliar a localização de anfitriões e convidados – o que aqui serve como uma espécie de “telepatia” 100% ancorada na tecnologia.

Ainda assim, entendo que tal recurso (que vem acompanhado dos sussurros de LOST) pode via a ser uma faca de dois gumes: embora sirva para adiantar a trama, ele também pode vir a ser usado diversas vezes como “deus ex machina”, ou seja, uma forma “mágica” do roteiro resolver situações sem volta, com ou sem controle.

Em Westworld a caminhada de Dolores também caminhou pouco para somente ao final ganhar uma reviravolta esperada com o confronto entre ela e Teddy, que finalmente deixará de ser um peso morto. Isso necessariamente vai permitir um avanço na trama, mas infelizmente jogado para frente. Sabemos que Jonathan Nolan e Lisa Joy são roteiristas capazes de mais e espero que os próximos capítulos confirmem isso. Akane No Mai foi um capítulo lindíssimo, mas essencialmente um filler clássico e com poucas recompensas para o espectador.

ss