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Por: Bruno Carvalho

Já assistimos: saiba o que esperar da 2ª temporada de 13 Reasons Why!

Em dois dias vamos inevitavelmente voltar ao mundo de 13 Reasons Why: querendo ou não, a série vai ressonar fora das telas da Netflix, levantar debates, discussões, defesas e ataques. A Netflix mandou pra gente os 13 novos episódios que compõem a 2ª temporada da série e, antes da crítica [atualização: no ar e com spoilers], anteciparei aqui alguns pontos que muitos leitores perguntaram, sem dar spoilers de reviravoltas ou descobertas na trama. Para os curiosos, aí está o que esperar dos novos episódios. Se você não quer saber nada, saia desse post e vá ver o trailer de Unbreakable Kimmy Schmit que tá demais! Quem foi, foi e quem ficou, ficou? Então vamos lá.

A história geral e a estrutura narrativa

Nesse primeiro ponto não temos muitas novidades. A 2ª temporada é estruturada narrativamente da mesma forma que a primeira: acontecimentos no presente e flashbacks. A diferença é que, agora, o que vemos do “passado” é contado sob a perspectiva de outros 12 personagens que não Hannah, como havíamos adiantado. Isso porque a história geral da temporada gira em torno da ação civil por negligência movida pelos pais de Hannah contra a escola. Assim, em cada episódio que é ambientado cerca de 5 meses após a tragédia, temos a versão de um “depoente” do caso, ou seja, quem acusação e/ou defesa convocaram para falar, o que inclui Clay, Jessica, Justin, Bryce etc.

Com isso, vemos momentos da 1ª temporada sendo recontados com mais (ou menos) informações, muitas delas não necessariamente reais, assim como revelados segredos e outros acontecimentos que Hannah ocultou ou não abordou nas fitas.

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Como Hannah “volta”?

Muito se perguntou quando a série foi renovada como a personagem de Katherine Langford “retornaria” à história. De fato, se lembrarmos bem, a série já começava com ela morta e a história dela já era contada a partir de flashbacks do conteúdo de suas fitas. Assim, na 2ª temporada Hannah Baker do mesmo jeiro: na forma de flashbacks em parte do tempo. A outra parte, bem…

O outro recurso utilizado é o que chamo de “Hannah Fantasminha”. Não, a série não adotou um lado sobrenatural, mas é meio assim que ela aparece. Em tese, a personagem retorna na “cabeça” de Clay, que segue atormentado pela perda da garota com quem tinha um crush. Ele tem “visões” e muitas vezes trava conversas com ela, que seriam projeções de seu pensamento ou da forma como ele processa os “fatos”. Mas se no começo da 2ª temporada o recurso é utilizado de forma pontual para poder retratar este estado mental de confusão, à medida em que a temporada avança o recurso é utilizado em excesso pelo roteiro e fica a sensação de que quiseram colocá-la em mais cenas do que o necessário. Discutirei mais sobre isso em minha crítica.

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Há, de fato, mais história pra contar?

Como sabemos, a 1ª temporada foi baseada no livro de Jay Asher, que é uma obra fechada. Este fato não é necessariamente um problema, pois muitos outros filmes e séries souberam expandir o material de origem. Exemplos recentes temos em WestworldBig Little Lies (a 2ª temporada vem aí) e The Handmaid’s Tale. Além disso, o próprio Asher está envolvido nos roteiros da série, o que torna os novos episódios pelo menos mais coerentes com a visão de seu autor.

Que há história pra contar, a 2ª temporada prova que há. A própria morte de Hannah pela forma como ocorreu deixa diversas pontas para serem exploradas, como a responsabilização de Bryce, da própria escola, e também como as pessoas ao redor lidaram com isso etc. Se era necessário contar essa história, aí vai da interpretação de cada espectador.

Fotos no lugar de fitas?

Como já divulgado no trailer da série, existe uma série de fotos tiradas em máquina Polaroid que começam a emergir na escola contendo “recados” e “ameaças”, além de informações comprometedoras para alguns personagens. Não são necessariamente 13 como as fitas e não há uma foto por episódio como existia uma fita para cada capítulo. O que veremos são duas “correntes” na escola Liberty: existem aqueles que querem que a verdade sobre os crimes cometidos no colégio venham à tona (estes responsáveis por enviar as fotos) e os que querem intimidar os envolvidos para encobertar as alegações com outras atitudes (mais sobre isso abaixo).

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Quais temas são discutidos?

A série deixa um pouco de lado a discussão sobre depressão e suicídio que tomou conta da 1ª temporada e o foco está claramente em assédio/abuso sexual, bullying e estupro, que são as principais razões porque Hannah decidiu tirar sua vida. Nesse sentido, as ações de Bryce Walker e do grupo de atletas do time de baseball da escola tomam conta da temática central de boa parte dos episódios, especialmente depois que o conteúdo das fitas se torna público (embora estranhamente jamais tocados nas audiências do caso judicial).

Existem episódios com violência física intensa, brigas e outros mais fortes que também discutirei na minha crítica.

Como a temporada lida com a responsabilidade social e recursos?

Um dos grandes assuntos levantados quando a primeira leva de episódios de 13 Reasons Why foi o fato da produção exibir cenas fortes e temas com falta de responsabilidade, o que levou muitos especialistas em saúde mental, atorescríticos e até o Governo da Nova Zelândia manifestarem preocupação sobre os impactos de romantizar o suicídio retratando-o sem alguns cuidados recomendados pela OMS, bem como levar cenas gráficas a uma audiência relativamente jovem e que poderia despertar gatilhos em pessoas com depressão ou vítimas de algum tipo de violência e abuso.

Esses acontecimentos levaram a série não apenas a colocar avisos nos episódios da 1ª temporada (ainda que tardiamente), como fez a Netflix encomendar um estudo da Universidade de Northwestern sob os efeitos da série onde, entre outras descobertas, foi verificado um efeito positivo acerca dos temas discutidos, mas também uma falta de recursos da atração antes e após certos acontecimentos serem retratados:

  • Cerca de 90% dos espectadores adolescentes e jovens adultos relataram que a série os ajudou a entender que suas ações podem ter impacto na vida dos outros; mais da metade dos espectadores adolescentes (60%) pediu desculpas a alguém a quem havia maltratado; e a mais de dois terços se sentiu motivada para ajudar alguém que estava deprimido, era vítima de bullying e violência sexual.
  • A maioria (75%) dos pais acha que deveria haver informações complementares, como o parecer de profissionais de saúde mental ao final de episódios difíceis (74%), e manifestações do elenco fora de seus personagens fornecendo informações ao final de episódios específicos (65%).

O estudo completo está disponível aqui. Isso acarretou o seguinte:

  • Antes dos episódios 1×01 e 2×01 foi incluído o vídeo do final deste texto com uma mensagem do elenco alertando que a série é ficcional, lida com assuntos como agressão sexual, drogas, suicídio e mais e, por isso, pode não ser adequada para quem está lidando com problemas do tipo, recomendando que ela não seja assistida ou seja assistida na companhia de um adulto confiável.
  • Ao final de todos os episódios há uma mensagem direcionando os espectadores para o site
  • http://13ReasonsWhy.info que possui recursos como sites e números de telefone com helpline do CVV e SaferNet (disponíveis em português), um guia de discussão (em inglês), o documentário Entendendo os Porquês exibido ao final da 1ª temporada e a mensagem do elenco abaixo.
  • Assim como na 1ª temporada, há avisos antes dos episódios com cenas mais sensíveis.

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Todas as pontas são resolvidas, então?

Bom, se você chegou aqui é porque quer mesmo saber, então o que está escrito neste tópico pode sim ser considerado spoiler, embora não vou revelar nada do que acontece de forma específica. O que posso dizer com base no final é que claramente a Netflix vai, alternativamente: 1) querer a 3ª temporada; 2) querer ter a possibilidade de querer a 3ª temporada.

Algumas questões levantadas pela 1ª e 2ª temporadas são de fato resolvidas (talvez não da forma que o espectador e até mesmo alguns personagens gostariam), mas a série deixa sim plantada uma semente para que o drama se desenvolva por mais tempo e com foco em personagens diversos a Hannah e isso, ao meu ver, é uma indicação de que a série vai continuar. Há, particularmente, um fato no episódio 13 que seria a gênese de novos capítulos (e que soa tremendamente forçado, além de pesado, como discutirei na crítica).

Mas Bruno, você gostou da temporada?

Amanhã na crítica eu conto.

ss