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Por: Bruno Carvalho

Ligado Entrevista: James Marsden, o Teddy, fala sobre a 2ª temporada de Westworld!

A 2ª temporada de Westworld está em exibição na HBO todo domingo às 22h e o ator James Marsden falou ao Ligado sobre esta excelente temporada da série, agora que o 5º capítulo mostrou um interessante ponto de virada para o personagem Teddy. Veja como foi o papo:

Como será a 2ª temporada para o Teddy?

Bem, há muitas surpresas e o Teddy faz parte de algumas delas. Na primeira temporada apresentamos todo o contexto, os personagens e seus mundos. Agora chegou o momento de abrir as comportas, de soltá-los. Será muito intenso para o Teddy, ele vai ter que se adaptar rapidamente. Ele foi o último a despertar, embora ainda continue um pouco alheio a tudo. Mas depois, muito rapidamente, ele acessa todas as funções da nova vida. I que será realmente interessante para ele é que agora ele vê o mundo com um novo olhar, e é um renascimento, de certo modo. Ele agora pode explorar e tomar decisões sobre a sua identidade, e poderá definir sua identidade sem se desfazer da identidade que lhe foi dada. São as perguntas que esta série faz: Quem é você?, Quem você deseja ser quando é livre para escolher?, Você toma a decisão certa quando ninguém está olhando? Com que tipo de pessoa você quer viver? Tudo isso aparece com um pano de fundo de caos, confusão e revolução. É como imaginar o nascimento de um bebê em meio a uma guerra. Há peças e fragmentos dos códigos dele que permanecem intactos, como a lealdade, a fidelidade, o amor e o afeto pela Dolores; ele sente a necessidade de protegê-la, mas de repente parece que ela não precisa mais de nenhuma proteção. Se você quer pistas do rumo da história, eu sugiro que você observe o olhar do Ed Harris nos últimos 20 segundos do final de temporada, o meu olhar, o olhar da Evan… todos nós estamos vendo a Dolores dar um tiro na cabeça daquele homem. Para esses personagens, é isso que indica o rumo. Você vai ver que eles acompanham essa trajetória. Haverá uma mudança e um crescimento, e aparecerá algo que destruirá as leis de causa e efeito, e colocará tudo de pernas para o ar para depois ser recriado. Quem a Dolores e o Teddy serão agora? Eles ainda vão querer simplesmente dar as mãos e fugir para morar em um sítio? Ou terão um objetivo diferente agora?

Lisa Joy, co-criadora da série, mencionou que o Teddy não será mais necessariamente um arquétipo. Você pode explicar isso?

O Teddy era um caubói tranquilo e um bom arquétipo. Não vou dizer que não há espaços obscuros no fundo das nossas mentes, ou que não existem coisas feias no mundo, mas eu defendo – e é aqui que eu me identifico com o Teddy – que nem sempre é fácil tomar as decisões certas. Às vezes pode ser difícil, mas se você decide trilhar o caminho da decência e da bondade, de algum modo isso levará a um lugar melhor. Esses sempre foram os princípios do Teddy. Com exceção do massacre do Wyatt e da caça de recompensa, a alma dele está no lugar certo e isso será questionado nesta temporada. Espero não soar brega, mas há uma parábola sobre um avô falando com o neto sobre a vida em que ele diz que dentro de cada um de nós existem dois lobos e eles sempre estão em guerra entre si. Um representa o ódio, a avareza e o medo, e o outro representa o amor, a gentileza, a bondade e a decência. O neto pergunta: “qual dos dois ganha?” E o avô responde: “o que você alimenta”. Então a pergunta é: qual deles você vai alimentar? Cada um escolhe. E estas pessoas ou entidades, como se quiser chamar, estes seres recebem o livre arbítrio. O que eles vão fazer com isso? Os seres humanos não terão necessariamente as mesmas vantagens da primeira temporada, e a dinâmica de poder mudou, mas o que se pode fazer com isso enquanto se tenta sobreviver?

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Evan Rachel Wood, que interpreta a Dolores, disse que teve algumas grandes crises existenciais ao filmar a série. Qual foi a sua experiência?

A Evan é a maior fã de Westworld que eu conheço. Ela adora esta série: cada virtude, cada aspecto maravilhoso e também os aspectos doentios e perversos. Ela adora o que se diz, as questões que a série propõe. Com os videogames, programas de televisão e filmes não criamos um comportamento, e sim o refletimos. É isso que a série está fazendo. Mas eu não posso me perguntar o que há por trás disso, aonde isso vai levar, o que haverá depois do final. Me enlouquece. Podem achar que eu sou um idiota, porque estou falando de um cérebro humano, que é minúsculo comparado com tudo que existe em volta. Mas se podemos compreender ou estar abertos aos mistérios da nossa existência, e se aceitamos que há coisas que nunca entenderemos, é um começo. E depois exercer a moderação e a disciplina quando for necessário. Há gente muito mais inteligente do que eu que sabe muito mais sobre inteligência artificial. Não sei quanto deveria temer o futuro da inteligência artificial e da raça humana, mas as pessoas inteligentes dizem que é algo que devemos solucionar. Não quero me trancar em um bunker com 500 latas de comida e armas; esta é a nossa vida. Mas uma das ironias, e o que é realmente interessante desta série, é que ela deveria gerar um pouco de medo quanto à convergência da inteligência artificial com a humanidade, e o temor de que se tornem indecifráveis e indistinguíveis. Deveria gerar medo da ética de tudo isso, e do potencial para crescer e continuar se multiplicando e aumentando sua inteligência. Deveria fazer com que nos sentíssemos idiotas, estúpidos, antiquados, deveria nos dar medo de nos tornarmos obsoletos. Mas depois vejo a humanidade que a Evan e a Thandie dão a essas atuações, e a humanidade que os roteiristas dão à série, e é incrível. Sei que não soa bem, mas me dá esperança para a humanidade. As pessoas respondem e têm empatia com estes personagens porque eles estão mostrando mais humanidade do que os seres humanos.

Parece visionariamente arrepiante que esta série, sobre robôs com sentimentos, seja exibida no momento em que estamos, como sociedade, invocando a palavra “despertar”? Você acha que os criadores Jonathan Nolan e Lisa Joy podem prever o futuro?

Um dado sobre as suas mentes é que nada é por acaso. O fato de ser uma série tão difícil de produzir e de interpretar é genial. Não me queixo, mas não é “para os fracos”. Há um certo caos envolvido. No início desta temporada acreditávamos ter desfeito todos os nós e que o motor estava funcionando bem. Mas nos disseram: isto vai mudar, aquilo vai mudar, e você pode fazer isto com tal coisa. Você é como um médico de plantão, uma tarde o telefone toca e dizem: “Você pode estar aqui em 30 minutos? Vamos filmar uma cena.”. Eu acho que eles criaram esse caos para despistar todo mundo. Tudo muda o tempo todo para que tudo seja uma surpresa e um segredo. Eles estão muito à nossa frente. Em algumas séries primeiro os criadores se concentram em concluir a primeira temporada e depois resolvem o resto. Eles já resolveram tudo. Sabem exatamente para onde vão. Eu aposto o que você quiser que eles já sabem quantos anos vai durar, como vai acabar. Eles sabem tudo.
E como ator você diz: “Sim, claro, eu vou, ficarei completamente nu e me sentarei diante do Anthony Hopkins para ler o roteiro”. Normalmente você reagiria de outro modo. Nós estamos em posições vulneráveis, principalmente a Thandie e a Evan. Mas isso fala bem dos showrunners, porque eles nos deixaram seguros e isso facilitou esta visão. É difícil embarcar em alguma coisa entregando o seu controle criativo e seguir o rumo que outros definem.

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Assista ao trailer do episódio 6 que vai ao ar esta noite na HBO:

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